03 abril 2018

[Resenha] Sob Águas Escuras


Sinopse: Quando a Detetive Erika Foster vasculha, com sua equipe, um lago artificial nos arredores de Londres em busca de uma valiosa pista de um caso de narcóticos, ela encontra muito mais do que eles estavam procurando.
Do fundo do lago são recuperados dois pacotes: um deles contém 4 milhões de libras em heroína. O outro… o esqueleto de uma criança.
Os restos mortais são de Jessica Collins, uma garota desaparecida há 26 anos e que foi a principal manchete de todos os noticiários da época.
Erika, então, precisa revirar o passado e desenterrar os traumas da família Collins para descobrir mais sobre o trabalho de Amanda Baker, a detetive original do caso – uma mulher torturada pelo seu fracasso na busca por Jessica.
Muitos mistérios envolvem esse crime, e alguém que não quer que o caso seja resolvido fará de tudo para impedir que Erika Foster descubra a verdade.

O que eu achei?
Em “Sob Águas Escuras”, terceiro livro lançado no Brasil do autor Robert Bryndza, temos de volta a Inspetora Detetive Chefe Erika Foster, agora em um novo departamento, auxiliando a equipe responsável por Crime Organizado e Financeiro, transferidas após os problemas ocorridos no livro anterior. A descoberta, por acaso, dos restos mortais de uma criança reacende em Erika a necessidade de ir atrás de mais um criminoso assassino e fazer justiça para a família. Porém, esse caso se torna muito mais difícil do que ela poderia imaginar.
Bem, depois de dois livros – o primeiro que achei mediano, e o segundo, que se mostrou muito melhor e mais bem escrito -, “Sob Águas Escuras”se mostrou um pouco inferior se comparado ao seu antecessor do ponto de vista da escrita. Bryndza segue com sua escrita simples, sem muitos termos e jargões complexos de se ler e entender, com capítulos curtos e sem enrolação na história, sempre indo direto ao assunto e fazendo o que tem que fazer, sem enfeites nem demoras.
Contudo, diferentemente da atmosfera incrível que ele conseguiu criar no antecessor, “Uma Sombra Na Escuridão' (Gutenberg, 2016), este novo título peca por falta de uma atmosfera mais envolvente. Por vezes parece que estamos apenas recebendo relatos desinteressados, ou pouco profundos dos acontecimentos – visto que eu livro é escrito em 3ª pessoa. Ainda assim, há muitos pontos interessantes nesse livro, pontos que ele pareceu desenvolver muito melhor desta vez.
As personagens estão cada vez mais bem construídas, mostrando de forma mais clara e eficaz suas singularidades, principalmente a Detetive Foster, que retorna muito mais forte e determinada, mas sempre com seu lado fragilizado pelos traumas e pela culpa que carrega inerente de suas escolhas e perdas num passado não muito distante. Ainda vemos um lado muito mais humano da Detetive Foster neste livro, quando uma visita inesperada bate em sua porta. - o que a torna um pouco mais humana depois de tudo o que já lemos sobre ela.
O caso também se mostra bastante interessante, cheio de dificuldade e momentos em que tudo parece desembocar num fim de linha sem respostas. O principal motivo disso é que o caso data de 26 anos antes dos restos mortais de Jessica Collins ser encontrado, o que dificulta imensamente a investigação. O passado tanto da família quanto dos responsáveis pela primeira investigação do caso dentro da Delegacia são investigados, e a cada nova pergunta feita, a cada nova descoberta, por menor que seja, traz a tona uma quantidade ainda maior de perguntas complicadas e mistérios que parecem só enrolar ainda mais o trabalho dos detetives. Com três núcleos ao redor das investigações – a equipe de investigação atual liderada por Erika Foster, a antiga responsável pelo caso nos anos 90, e um homem que faz de tudo para se manter informado e impedir o avanço da investigação -, descobertas e segredos sombrios são desenterrados e muita coisa estará em jogo com as descobertas que serão feitas por todos nessa teia. Ninguém é 100% inocente nessa história, e todos têm algo a esconder. Basta saber o quão relevante isso é para a resolução do caso.
Confesso que, depois de um determinado momento da história, um momento bem específico e importante para a investigação, é possível desconfiar de quem possa ser a pessoa que encomenda os crimes, quem está tentando impedir a todo o custo o avanço da investigação. Mas os motivos que levaram a isso foram uma surpresa enorme, que realmente me pegou de surpresa.
No geral, o livro está longe de ser uma das melhores histórias de investigação policial, mas há nele algum charme que me faz querer acompanhar a série (que lá fora já está no sexto volume), já que mesmo abordando um tema tão pesado quanto investigação criminal e assassinatos, consegue seguir sem ser maçante e cansativo. É um bom livro, afinal.

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