21 novembro 2017

[Resenha] Crônicas do Mundo Emerso - A Garota da Terra Do Vento


Não se pode dizer que Nihal é uma criança como outra qualquer do Mundo Emerso. Seus olhos violeta, seus cabelos azuis e suas orelhas pontudas são características marcantes da raça dos semi-elfos, da qual é a única remanescente. Criada pelo ferreiro Livon, ela vive na Terra do Vento, sem saber que sua família e sua raça estão em extinção. 
Muito cedo a magia entra na vida de Nihal através de sua tia Soana, respeitada feiticeira de quem se torna discípula. Aos 15 anos Nihal conhecerá a guerra da forma mais sangrenta possível, testemunhando a morte de Livon durante um ataque à torre de Salazar, onde os dois viviam.

O que eu achei?
Mais uma vez me aventurando por mundos fantásticos, e me encontro dessa vez no Mundo Emerso, mais especificamente no primeiro livro da trilogia escrita por Licia Troisi, "A Garota da Terra do Vento", lançado pela editora Rocco.

Resumidamente, nesta história temos Nihal, moradora de Salazar, uma cidade torre - sim, uma torre que é uma cidade - na área denominada Terra do Vento. Filha de um armeiro excepcional, é uma jovem que sonha em ser guerreiro e lutar contra o Tirano, que vem invadindo e devastando todo o mundo.

Sem entender muito de seu passado e de si mesma - já que possui uma aparência muito diferente de seu pai -, Nihal um dia, orgulhosa com um presente de seu pai - uma adaga linda -, é desafiada por um jovem. E perde. Perde para a magia. Esse jovem será o ponto de partida que irá transformar a aparentemente pacata vida da menina.
Indo em busca de aprender e dominar os poderes mágicos, Nihal segue por um percurso longo e árduo, junto de Soana, uma maga poderosíssima, que irá começar a mudar a jovem menina.

A história é repleta de paixões e descobertas, onde Nihal se mostra uma menina atrevida, por vezes imprudente e forte, determinada. Seu desejo de se tornar guerreiro é maior do que tudo.
A história começa bem lenta, e para mim foi difícil me conectar aos personagens no início - eram bem chatos, pra dizer a verdade. Mas a medida que o livro seguia, foi possível ver o crescimento de Nihal como pessoa e como maga, além de guerreira. Acredito que o início tenha sido proposital, para contrastar perfeitamente com o desenrolar da personagem. Um misto confuso de desejos de uma menina/mulher e desejos de um guerreiro vão rodear a mente dela durante muito tempo.
As aventuras são repletas de questionamentos pessoais e morais, lutas sangrentas e mortes. Muitas mortes. Há uma carga emocional imensa nessa história, principalmente quando histórias do passado voltam a tona. Nihal passará a lutar não somente contra os exércitos do Tirano, mas também contras seus impulsos e seus próprio demônios. Vozes e imagens sangrentas que a atormentam dia e noite, sedentos por vingança. Uma constante angústia; medo e incertezas vão nublar a mente da jovem.

Uma jovem menina que tem em sua espada seu maior aliado, em na sua raiva, sua força, conseguirá encontrar um significado maior na vida além de matar? Será que esse o destino dela? Vingar todos que morreram? Ser essa máquina de matar, sem dó nem piedade?
Bem, para o primeiro livro, onde vemos o princípio da evolução e crescimento de Nihal, não deixou em nada a desejar. As personagens são lindamente exploradas; a magia é sutil e sem exageros explosivos e coloridos; as batalhas são sangrentas, sem momentos utópicos de vitória absoluta do bem; seres mágicos extremamente cativantes - e também um pouco assustadores; questões morais muito bem trabalhadas para o contexto da história, junto de uma personagem tão jovem, mas extremamente madura. A relação dela com a natureza e com os seres que habitam nela, e a relação com dragões - sim, temos dragões nessa história - é absolutamente linda!

Sendo assim, o livro deu início, de forma incrível, a uma trilogia que tem tudo para ser ótima. Agora é só seguir para o próximo volume e descobrir o que nos aguarda nas terras do Mundo Emerso.

12 comentários

  1. Sinceramente, é muito difícil um livro com um tema tão fantástico, me chamar a atenção. Não é muito meu estilo. Mas confesso que parece ser bem fascinante.

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    1. Não faz muito tempo que comecei a me aventurar na literatura fantástica, então não sei bem como me sentir. O livro é bem legal, e se desenvolve muito bem. Tá valendo a pena ler rss

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  2. Olá! Não conhecia o livro, mas o enredo não chamou muito minha atenção, acho que pelo inicio ser um pouco mais lento, já me desanimou.

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    1. Oi! Eu fiquei mega desanimado com o início, mas o livro se mostrou ótimo!

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  3. Às vezes os livros trazem certa lentidão que não nos fazem entrar logo de cara na trama, mas mesmo embora isso, tenho curiosidade pelo livro, acho bacana essa coisa de ir descobrindo o personagem com a jornada dele próprio, gostei muito do que o livro vai nos propor!
    Ouvi falar do livro, mas não sabia que é o primeiro de uma trilogia. ;)

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    1. Sim. Acredito que a ideia foi exatamente essa: crescer junto com a personagem. E sim, o primeiro da trilogia. Na verdade são três trilogias envolvendo o Mundo Emerso, mas não conheço as outras duas.

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  4. Não conhecia esse livro e a premissa não me interessou.
    Geralmente o primeiro livro é mais introdutório, podendo ser uma leitura um pouco mais arrastada.
    Espero que os próximos volumes sejam mais envolventes.
    Bjs

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  5. Eu ainda não comecei a me aventurar por esse mundo, Irlan, acho que até descobrir algum livro que me fascine pra valer, rs.

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    1. Dica: Meio Rei e Meio Mundo, da trilogia Mar Despedaçado (o terceiro sai ano que vem). É uma dark fantasy MARAVILHOSA! Cheia de reviravoltas de te deixar de queixo caído derrubado destroçado arruinado! Eu devorei os dois livros e não vejo a hora de poder ler o terceiro. Muitas referências histórias incríveis, e personagens lindíssimos. Eu fiz resenha deles aqui, e separei quotes. Depois da uma busca e vê se te interessa.
      Beijos

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  6. Acabei de colocar essa página como favorito no navegador, rs. Pode deixar, Irlan, depois darei uma busca para encontrar e ler a resenha. Beijão!

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