25 agosto 2017

[Resenha] O Melhor de Caio Fernando Abreu

A Nova Fronteira lança, no ano de seu aniversário de 50 anos, a coleção 'O melhor de', trazendo a público antologias de grandes nomes da literatura. 'O melhor de Caio Fernando Abreu' apresenta um panorama da obra de Caio - autor cultuado nas redes sociais. Aqui, o leitor vai conhecer as características mais marcantes da escrita de Cario Fernando Abreu.                                                                                                                                              
O que eu achei?
Mesmo eu sendo um adorador de contos e crônicas, jamais tinha lido algo de Caio Fernando Abreu, e no meu primeiro contato com o trabalho dele – tirando os trechos aleatórios que pipocam nas redes sociais -, o livro me foi uma surpresa encantadora.

Dividido em duas partes – contos e crônicas -, o livro trafega pelas obras do autor, criando um conjunto de histórias e reflexões tão humanas que, durante a leitura, é como se você estivesse conversando com o seu melhor amigo, que há tempos você não via; ou ainda, você criança, ouvindo histórias sendo contadas.

Os contos são basicamente sobre a vida. Não apenas viver, mas sobre tudo o que se pode ter e fazer, sentir. Amores perdidos, incompreensões, angústias; toda a alma humana desbravada linha após linha de uma escrita dinâmica, e de uma fluidez que jamais li, sem medidas nem limites. A atmosfera oscilante desta parte consegue fazer o leitor se equalizar facilmente a cada conto, que as vezes consegue ser imensamente oposto ao anterior no clima da narrativa e dos acontecimentos. Em um, um drama angustiante, cheio de dor e sofrimento; no seguinte, pode ter uma inquietude que chega ser cômica, fazendo brotar sorrisos despercebidos.

As crônicas nos apresentam o autor em seu mais íntimo, desvelando-se diante dos nossos olhos, muito honestamente, com o cotidiano, e a vida toda, de um ser humano que poderia muito bem ser eu, ou você. Uma análise poética dos caminhos da vida, dos significados ocultos de cada atitude, própria ou alheia para conosco, com sua escrita que forte e cheia de emoção – emoção pura e a flor da pele. Ainda nos mesmos temas dos contos – amizades, amor, angústias -, Caio Fernando Abreu vaga com desenvoltura no mais profundo da alma, explorando a mente, expondo os sentimentos e analisando o mundo ao redor, tando social quanto político, e seu lugar nisso tudo, como pessoa pensando e vivente.

Não há muito mais o que se dizer dessa coletânea, visto que são pequenos retratos de vidas e universos pessoais em sequência, mas se alguém me perguntar sobre uma obra para conhecer o trabalho de Caio Fernando Abreu, esse título com certeza será o escolhi e indicado. Uma leitura rica de ensinamentos, reflexões e muita, muita, muita emoção.

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