25 dezembro 2018

[Crítica] Baby Driver - Em Ritmo de Fuga

Sinopse: O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James).

O que eu achei?

Dirigido e escrito por Edgar Wright, “Baby Driver – Em Ritmo de Fuga” é um filme de ação e policial de 2017, mas que só agora me despertou certo interesse em assistir após ler alguns críticas elogiando muito o filme, em especial sua conexão com a música.

O filme é estreado por Ansel Elgort, no papel de “Baby”, um jovem que serve como motorista de fuga de assaltos organizados por Doc, personagem do infame Kevin Spacey. A conexão entre os dois vai sendo explicada ao longo do filme, e o poder de Doc vai se mostrando cada vez mais perigoso para Baby e aqueles que o cerca.

O filme tem um roteiro ótimo que mistura ação e drama em medidas certas, mas acredito que o mais interessante do filme seja a sua ligação com a música e a trilha-sonora. Baby passa o tempo todo de fones, ouvindo música – e há um motivo para isso que não será contado por mim pois seria spoiler -, e o filme consegue unir a sonoplastia da cena com o ritmo da música de uma forma que eu jamais pensei ser possível. Os sons são muito acentuados, detalhados, e isso é extremamente importante para a imersão na história do filme, que apesar de não ser um musical, ele se apoia na música para dar o ritmo e a velocidade extra ao longa, principalmente nas cenas de ação. Foi interessante ver que o filme soube misturar o mundo da música e do cinema nesse projeto, já que o elenco conta com a cantora Sky Ferreira, o rapper Jamie Fox, e o próprio Ansel Elgort, que se aventura no mundo da música também.

As personagens são também os pontos altos do filme. Cada personagem consegue brilhar por si só, e você vai do amor ao ódio homicida absoluto acompanhando a história. Os criminosos são um show a parte, e fogem completamente da mesmice de criminosos padrões que agem, matam e fim de papo. Há muita complexidade entre eles, e jogo de poder, além de muito tiro e intriga, além de uma sensualidade e carisma impactantes. As atuações são perfeitas, e em algumas cenas chegam a ser angustiantes – mas possuem aquela beleza horrível que nos faz simpatizar com eles, mesmo que sintamos alguma culpa por gostarmos tanto do lado lixo da história.

Ansel está impecável nesse papel. Certo, esse é o segundo filme que vejo com ele – sendo o primeiro “A Culpa é das Estrelas”, que realmente não gostei. Mas na pele de Baby o ator brilhou do início ao fim. A sua personagem conseguia ir da angústia a diversão, do trauma ao amor, do medo à coragem, tudo isso carregado por uma trilha-sonora extremamente cativante e contagiante. A escolha do ator com um rosto extremamente jovial para esse papel foi certeira, ainda mais levando em conta a construção de sua personalidade durante o filme, com os flashbacks e sua ligação com a música – e sem dúvidas, ele é a melhor personagem do filme - e a personagem mais cativante que já vi em filmes há muito tempo.

No geral, o filme só tem pontos positivos. Cenas lindas, uma interação entre atuação e trilha-sonora impecável, coreografias de nos deixar sem ar, e atuações perfeitas, onde todos puderam brilhar em seus papeis. O filme carrega um aspecto meio nostálgico dos filme desse gênero, uma mistura de filme de crime com uma atmosfera de road trip – do ponto de vista da importância musical no roteiro – que é difícil não agradar.

“Baby Driver – Em Ritmo de Fuga” é um filme completo, divertido e extremamente bem produzido em todos os detalhes e merece todos os elogios que recebeu em sua estreia. 

Trailer

Obs.: Em entrevista a revista GQ lá nos anos 2000, mais ou menos, o diretor do longa explicou sobre ter usado o conceito do filme em um videoclipe para a banda inglesa Mint Royal, na faixa "Blue Song", o que quase impediu que o filme fosse produzido. O clipe, inclusive, aparece rapidamente em uma cena onde Baby fica zapeando pelos canais da TV.
Confiram o clipe:

Mint Royale - Blue Song

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