[Crítica] Em Trânsito

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Sinopse: Georg tenta fugir da França após a invasão nazista e assume a identidade de um escritor falecido, cujos documentos ele possui. Preso em Marselha, Georg conhece Marie, uma jovem que está desesperada para encontrar esse autor, seu marido desaparecido.

O que eu achei?
Diretor dos incríveis Phoenix e Barbara, o diretor alemão Christian Petzold volta às telas brasileiras com seu novo filme, Em Trânsito. O longa acompanha a história de Georg (Franz Rogowski), jovem alemão que, na tentativa de fugir de uma França ocupada por nazistas, assume a identidade de um escritor morto. Na tentativa de conseguir um visto e partir, ele vai para Marselha, lugar do qual as pessoas parecem não conseguir sair. Lá, ele se apaixona por Maria (Paula Beer), que anda pela cidade a procura de seu marido.
A direção de Petzold é extremamente elegante. Todos os planos parecem cumprir um propósito de maneira quase hipnotizante. Somos arrebatados pela segurança que o diretor nos passa. Há, também, escolhas ousadas que caem estranhamente bem: ao invés de optar por uma direção de arte clássica de época, o filme assume a estética contemporânea, quase como uma espécie de crítica aos tempos em que vivemos.
Entretanto, acredito o roteiro do filme em si não é tão atrativo quanto o que o diretor pode nos oferecer visualmente. Consigo entender, em parte, a escolha do filme ser parcialmente narrado em voice over. Afinal de contas, é um filme que trata de literatura, e, sobretudo, das ficções que nós, enquanto seres humanos, criamos para nós mesmo como maneira de seguirmos vivendo. Apesar de ser uma figura neutra, a escolha do dono do bar como narrador não me parece atrativa. E, pior do que é isso, é o fato dele narrar o que já estamos vendo. É como o áudio de um livro ruim que não conseguimos pausar.
Apesar de criar diversas situações interessantes, o roteiro parece não querer dar um passo a frente e nos oferecer algo surpreendente. Até mesmo a grande revelação no final nos parece insossa e quase previsível, porque não há antecipação para absolutamente nada. Em Trânsito, portanto, é um filme de grandes qualidades técnicas, mas que derrapa no quesito emoção.  

Trailer:


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