12 fevereiro 2018

[Resenha] Fera


Sinopse:

Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de “Fera” na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos: ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar, ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

O quê eu achei ?
Ganhei esse no edição do Clube do Livro Saraiva RJ de maio mas devido à minha agenda corrida, só consegui terminá-lo tempos depois. É um conceito inserido em nossa sociedade (e em nosso inconsciente também, por mais duro que seja admitir)julgar as pessoas, nem que seja apenas pela primeira impressão, pela aparência. Dylan e Jamie sabem bem disso mas por motivos diferentes.Dylan tem apenas 15 anos mas tem dois metros de altura, o corpo coberto de pêlos, aparência que lhe rendeu o apelido de Fera. Jamie é uma garota transgênera, um garoto que se identifica com o sexo feminino que fez a cirurgia de mudança de sexo. 

Dylan é órfão de pai e filho único. Mora apenas com a mãe, em Portland, no Oregon e seu único amigo na escola é JP (cujo nome completo nunca é esclarecido) que é o oposto dele: é um garoto popular, que se dá bem com as garotas. Ele não é exatamente um mocinho: se envolve em várias brigas na escola e vive deixando sua mãe preocupada. O grande problema é que o garoto canaliza sua raiva e frustração através da maneira errada, a violência. Ele sente a falta do pai, há diálogos imaginários com ele e Dylan pede que o guie nos momentos mais sombrios.


Um dia, sua mãe o matricula na terapia e ele vai muito a contragosto.É uma daquelas terapias feitas em grupo e na primeira reunião, ele conhece Jamie, uma garota da idade dele gentil, que mostra que há um lado positivo em todas as coisas. Eles passam a se  encontrar depois, vão ao parque, tomam sorvete juntos e se apaixonam. O que Dylan demora a perceber é que Jamie é uma garota transgênera. Dylan é ridicularizado por JP por não ter percebido logo de cara, o que nos faz perceber como a visão de mundo dele não é convencional. 


Ambos têm que enfrentar preconceitos para ficarem juntos.O livro pode até ser uma releitura moderna de A bela a fera mas isso não significa que eles ficarão juntos tão facilmente como isso possa fazer soar.A trajetória de amadurecimento dos personagens principais é algo que ocorre lentamente, algo a ser trabalhado todo dia. Me faz lembrar daquele provérbio: ´´Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.´´

Pobre Dylan,fica tão confuso ao ser apossado do sentimento avassalador que é o amor. A melhor coisa desse livro é a maneira leve e fluida da narrativa de Brie Spangler, que já tem outros livros publicados mas essa é sua primeira obra YA (Young Adult). O tema da intolerância é abordado de maneira fácil de acompanhar e entender os pensamentos. Todos deveriam ler essa obra encantadora.
  

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