20 janeiro 2018

[Crítica] A forma da água


Sinopse:
Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).
   O que eu achei ?
  Antes de mais nada, é importante dizer que sou fã do Del Toro. Adoro as obras dele como os filmes do Hellboy,A espinha do diabo e, claro, a obra-prima O labirinto do fauno. E A forma da água tem algo em comum com O labirinto do fauno: ambos são uma alegoria sobre o choque do encontro de mundos opostos. Enquanto o anterior falava sobre uma menina que morava numa Espanha separada pela guerra civil e tinha que cumprir três tarefas impostas por uma criatura fantástica, A forma da água se passa na Baltimore dos anos 60, em plena Guerra Fria. Elisa Esposito (Sally Hawkins, de Paddington)é uma mulher muda que trabalha em um laboratório de experiências top secret do governo americano comandado pelo rígido Coronel Strickland (Michael Shannon, o General Zod de O homem de aço).Os únicos amigos de Elisa são Zelda (a diva Octavia Spencer de A cabana) outra faxineira e Giles (de O visitante) seu vizinho pintor gay enrustido.
Um dia, um espécime exótico capturado nas selvas da América do Sul chegam ao laboratório. A criatura (Doug Jones, de Star Trek:Discovery) é um anfíbio com aparência humanóide que se mostra indefesa e sofre quando os cientistas o submetem a vários testes.Elisa oferece um ovo para o animal que aceita e ela passa a visitá-lo regularmente (e está preso num tanque). Embora eles não possam se comunicar verbalmente, tem toda a vantagem do toque e da linguagem corporal. 
A ganância é um dos maiores defeitos do ser humano. O General Frank Hoyt, chefe de Strickland, que não via nenhuma oportunidade de lucro e nem vantagem para a Corrida Espacial com a criatura (que em hora nenhuma recebe um nome) manda seu subordinado dissecá-lo. Um dos cientistas, Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg) é um espião soviético disfarçado, implora para que o espécime seja mantido vivo, para que seja estudado mas seu pedido é negado. Os oficiais soviéticos ordenam que hoffstetler pratique eutanásia no animal (ou seja, sacrifique-o). 
Elisa descobre os planos de Strickland e com a ajuda de Giles e Zelda, escapam com a criatura. Elisa o mantém vivo dentro da banheira de sua casa, usando produtos químicos específicos que simulem o habitat natural dele. Ela pretende soltá-lo num canal alguns dias depois mas seu romance com a criatura acaba se intensificando. Para agravar a situação, Hoyt ameça Strickland de morte se não trouxer o espécime de volta dentro de 36 horas. 
Um dos pontos altos do filme é o elenco. Richard Jenkins faz Giles, um pintor inseguro que não tem coragem de sair do armário e a sempre maravilhosa Octavia Spencer rouba a cena como Zelda, a amiga do trabalho.Uma coisa interessante é que em uma das primeiras cenas, vemos Elisa pintando alguns quadros. Não teria nada de mais nisso, se esses quadros não representassem imagens representadas á água e criaturas subaquáticas. Parece que ela já tinha uma fascinação pelo mundo subaquático mesmo antes de conhecer a criatura. 
O resultado é uma fábula recriada com maestria pelo mestre Del Toro, que consegue alternar momentos românticos em que uma mulher que vivia em seu próprio mundo e cujo desejo de mergulhar (com o perdão do trocadilho) no relacionamento com aquele ser exótico se assemelha à vontade de Ofélia de escapar as crueldades de sua vida, como a mãe doente e a maldade do padrasto. O curioso é que Elisa parece estar menos impactada com as crueldades que o mundo lhe prega-ser surdo também pode ter suas vantagens.A fotografia é um espetáculo à parte, especialmente o apartamento em que Elisa mora sozinha, que parece um filme dos anos 40.Del Toro ganhou o Globo de Ouro de Melhor Diretor e tem tudo para ganhar o Oscar. 

                     Trailer

 

2 comentários

  1. Estava na dúvida se baixava esse filme, que me apareceu de repente hoje! Depois de ler sua resenha, com certeza vou baixar e assistir, acho que vou gostar bastante. Os filmes de Guillermo del Toro são realmente bons! Deu até vontade de reassistir O Labirinto do Fauno!

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    1. Oi Maisanara,
      Baixe sim, você não vai se arrepender! Depois quero saber se você concorda comigo. Bjs

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