[News] “Quase-mordida” estreia no Teatro Café Pequeno, em curta temporada, com humor e delicadeza para falar de abandono, família e pertencimento

 “Quase-mordida” estreia no Teatro Café Pequeno, em curta temporada, com humor e delicadeza para falar de abandono, família e pertencimento

Espetáculo conta a história sobre três irmãs que se encontram diante do pai em estado terminal; temporada acontece às terças e quartas de outubro

 

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O que acontece quando três mulheres que nunca se conheceram são obrigadas a se encontrar diante do pai que compartilham — justamente quando ele está à beira da morte? É a partir desse encontro improvável que “Quase-mordida” constrói uma narrativa que transita entre humor, delicadeza e situações-limite para abordar abandono paterno, relações familiares, pertencimento e os vínculos que podem nascer onde menos se espera. O espetáculo estreia no dia 6 de outubro, no Teatro Café Pequeno, no Leblon, onde cumpre temporada às terças e quartas-feiras durante o mês de outubro. A direção é de Felipe Rocha, que também integra o elenco, ao lado das atrizes Manuela Maria, Amanda Diener Shor e Carolina Matos.

O texto foi construído ao longo de nove meses, em encontros semanais dedicados à criação de cenas e ao desenvolvimento dos personagens. O material foi sendo reunido, trabalhado e lapidado até chegar à dramaturgia final. Durante o processo, Mia Lima Rocha, filha de Felipe, também passou a integrar a criação, contribuindo com um olhar considerado pelas artistas “carinhoso e bem-humorado”.

Embora tenha sido desenvolvido de maneira coletiva, o texto ficou praticamente fechado antes do início dos ensaios. Foi no período de montagem que algumas cenas ganharam novas formas e outras foram retiradas. A abertura, em especial, acompanhou praticamente todo o processo de criação. “Foi uma das primeiras cenas escritas e até o final sofreu alterações”, contam Manuela Maria e Amanda Shor.

 

Três irmãs, um pai e diferentes formas de abandono

No centro da história estão três irmãs que jamais teriam se conhecido se não fosse pela situação extrema vivida pelo pai. Cada uma delas possui uma relação diferente com ele e com suas respectivas mães: uma conviveu com a presença paterna durante toda a vida, outra teve o pai apenas na infância e a terceira sequer chegou a conhecê-lo.

Quando precisam decidir sobre o desligamento dos aparelhos que mantêm o pai vivo, as três passam a confrontar não apenas uma decisão difícil, mas também as diferentes versões de uma mesma história familiar. A escolha pode até ser semelhante, mas as razões de cada uma são completamente distintas.

“O que está em jogo para cada uma é diferente”, explicam as atrizes. “Uma delas teve a presença desse pai durante toda a vida, outra o teve apenas na infância e a última nem chegou a conhecer.”

É justamente a convivência forçada entre essas mulheres que permite que elas se aproximem e descubram umas às outras. Entre desconfianças, diferenças e revelações, o que surge é um vínculo inesperado. “Uma empatia, certamente”, definem as artistas sobre o que nasce desse encontro.

A ausência afetiva do pai funciona como ponto de partida para discutir as diferentes experiências de quem cresce sob a presença, a ausência ou o abandono paterno. A peça também coloca em cena as relações entre as próprias irmãs, explorando o contraste entre o amor e a desconfiança diante de pessoas que compartilham uma origem, mas possuem histórias completamente diferentes.

 

 

Humor diante de temas delicados

Apesar de abordar morte, abandono, conflitos familiares e relações extraconjugais, “Quase-mordida” não se constrói apenas pelo drama. O humor aparece como ferramenta para lidar com situações difíceis e aproximar o público das personagens. “Tentamos sempre olhar para as situações delicadas com leveza e para as situações leves com seriedade”, definem as artistas.

A proposta também é colocar o público diante das contradições daquelas relações sem oferecer respostas prontas. A peça não busca condenar ou absolver o pai, mas revelar as consequências de suas diferentes formas de presença e ausência na vida das filhas.

Segundo Felipe, durante o processo de criação “dois eixos apareciam: um era a cumplicidade entre mulheres que não se conhecem num banheiro feminino e um outro eixo que é três irmãs que não se conheciam e que se encontram no leito de morte do pai. Então, a gente escreveu uma cena que juntava esses dois eixos e a partir daí vem as camadas tanto de humor, quanto de drama, que eu acho que são elementos que sempre se retroalimentam muito. “

Com direção de Felipe Rocha e atuação de Manuela Maria Seiblitz, Amanda Diener Shor e Carolina Matos, o espetáculo propõe um encontro entre metalinguagem, humor e drama familiar, construindo uma narrativa sobre pessoas que chegam ao limite para finalmente se conhecerem.

 

Crédito das Fotos: Maria Otávia Rezende


Serviço

Quase Mordida

Terças e Quartas de Outubro

Teatro Café Pequeno - Avenida Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon, Rio de Janeiro

Classificação 12 anos

Valor do ingresso: Inteira R$60 e Meia R$30.

O teatro tem acessibilidade para cadeirantes. A peça tem duração de 1h15.

Link para compra: https://bileto.sympla.com.br/event/127982

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