[Filmes] J.P. Cuenca transforma 144 processos judiciais movidos por igreja evangélica em filme que faz estreia mundial no Festival do Rio

 

O documentário "144 – Apocalipse Não", dirigido, roteirizado e protagonizado pelo escritor e cineasta João Paulo Cuenca, fará sua estreia mundial no Festival do Rio. Selecionado para a mostra Première Brasil: Competição Novos Rumos, o longa-metragem apresenta um retrato amplo e sensível das complexidades do Brasil contemporâneo, onde a busca por salvação se cruza com o avanço da extrema-direita evangélica e a iminência de tragédias ecológicas.


O ponto de partida da obra se deu após uma publicação satírica no Twitter (atual X) direcionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus. O episódio deflagrou uma ofensiva judicial coordenada com 144 ações por danos morais movidas por pastores espalhados por diversas comarcas do país, acompanhada por milhares de ameaças de morte. A frase do autor, inspirada em uma célebre paráfrase do Iluminismo francês sobre a separação entre Igreja e Estado, serviu de gatilho em um momento crítico de crise sanitária e política.


Em resposta ao cerceamento e ao labirinto jurídico, Cuenca empreendeu uma jornada de mais de 10 mil quilômetros pelas cinco regiões do Brasil em busca de escuta. Em vez de focar apenas no litígio, o filme acompanha o cineasta em templos evangélicos, cultos domésticos, procissões, rodeios, festas populares, comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, caminhões de pregação em Altamira e clubes de tiro nas fronteiras do agronegócio.


Ao longo de um percurso colorido e musical, o documentário dá voz a uma pluralidade de personagens: desde fiéis que compartilham poesias, milagres e relatos de superação pessoal até pescadores afetados pelo assoreamento dos rios ou pela invasão do oceano em suas casas. Paralelamente, o longa registra o périplo de Cuenca ao tentar encarar os autores dos processos em suas cidades de origem numa tentativa de diálogo. Essa intenção acaba por se desdobrar numa investigação pessoal do autor sobre a própria natureza da fé nos dias de hoje. 


Nas palavras do cineasta Walter Salles: “Bem arquitetado, afiado e com o tempo certo, ´144 – Apocalipse Não´ é um filme importante, que nos ajuda a desvendar um Brasil a ser melhor compreendido. Fiquei impactado pela capacidade de escuta de João Paulo, que atravessa o país e a divisão binária da sociedade para tentar entender aqueles que não pensam como ele, acessando uma prática religiosa mais polifônica do que a representada em documentários recentes sobre o mesmo tema. Essa postura, tão pouco frequente hoje, faz com que sejamos imantados pelo filme.”


O longa-metragem é uma coprodução da portuguesa O Som e a Fúria com a Bartleby, com produção associada da Duas Mariola, tendo como produtores Luís Urbano, Sandro Aguilar, João Paulo Cuenca e Felipe M. Bragança. O Som e a Fúria é uma produtora portuguesa que coleciona exibições e prêmios nos festivais mais prestigiados do mundo, como Cannes, Berlim e Veneza, e que já produziu obras de autores renomados do cinema internacional, como Miguel Gomes, Manoel de Oliveira, Lucrecia Martel e Ira Sachs.


A direção de fotografia é assinada por Guilherme Tostes, a montagem por Bruna Carvalho e Marta Lopes, a trilha sonora original por Barulhista e o desenho de som por Thiago Sobral e Roland Vajs, vencedor de quatro Emmys e colaborador de diretores como Martin Scorsese, Ang Lee, Larry Clark e Michael Moore. 


As exibições no Festival do Rio contarão com a presença do diretor e da equipe para sessões acompanhadas de debates.



EXIBIÇÕES NO FESTIVAL DO RIO

Sexta-feira, 9 de outubro

18h45 – Estação Claro Gávea — Salas 1 e 2 (Sessão com convidados)

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro (RJ)

Sábado, 10 de outubro

16h15 – Estação Claro Rio — Sala 5 (Sessão com debate)

Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)

21h00 – Cinesystem Belas Artes Botafogo — Sala 2 

Endereço: Praia de Botafogo, 316 – Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)



SINOPSE

Após um tuíte satírico contra Bolsonaro e a Igreja Universal, J.P. Cuenca tornou-se alvo de 144 processos e milhares de ameaças de morte da extrema direita evangélica. Em busca de diálogo, ele parte numa viagem de mais de 10 mil quilômetros por templos lotados, rodeios, festas alemãs, clubes de tiro, cultos domésticos e caminhões gospel em todas as regiões do país. Entre ruína ecológica, fervor religioso e um suposto apocalipse, um Brasil em transe alcança uma apoteose de cor, música e fé. O que precisa acontecer na sua vida para você acreditar?


FICHA TÉCNICA

Título: 144 – Apocalipse Não

Direção e Roteiro: João Paulo Cuenca

Empresas Produtoras: Bartleby e O Som e a Fúria

Empresa Produtora Associada: Duas Mariola

Produção: Luís Urbano, Sandro Aguilar, João Paulo Cuenca e Felipe M. Bragança

Produção Executiva: Luís Urbano

Supervisor de Produção: Felipe M. Bragança

Fotografia: Guilherme Tostes

Montagem: Bruna Carvalho e Marta Lopes

Som Direto e Desenho de Som: Thiago Sobral e Roland Vajs

Trilha Sonora Original: Barulhista

Colorista: Paulo Américo

Gênero: Documentário

País: Brasil e Portugal

Duração: 87 minutos



João Paulo Cuenca | Diretor, roteirista e produtor

J.P. Cuenca é escritor e cineasta, autor de seis livros traduzidos em oito idiomas e vencedor do Prêmio Machado de Assis da FBN. Estreou na direção com "A Morte de J.P. Cuenca", desenvolvido no Biennale College do Festival de Veneza, exibido no Festival do Rio, na MostraSP e em festivais como CPH:DOX, BAFICI, New Horizons, Festival du Nouveau Cinéma e Punto de Vista, entre outros. "144 - Apocalipse Não" é seu segundo filme e a primeira produção da Bartleby, produtora fundada por ele em 2017. 

O Som e a Fúria | produtora

Fundada em 1998 por jovens da “Geração Curtas”, O Som e a Fúria é uma das mais influentes produtoras de cinema independente de autor no cenário internacional. Com um catálogo de mais de 100 títulos que abrangem curtas e longas-metragens de ficção e animação, a produtora coleciona exibições nos festivais mais prestigiados do mundo, como Cannes, Berlim, Veneza, Locarno e Toronto, e acumula mais de 200 prêmios e menções honrosas.

A produtora apoia e viabiliza projetos de realizadores renomados do cinema português e internacional, como Miguel Gomes, Sandro Aguilar, Ivo M. Ferreira, João Nicolau, Manoel de Oliveira, Salomé Lamas, além de cineastas como Lucrecia Martel, Eugène Green, Ira Sachs e Laís Bodanzky. Sob a liderança do produtor Luís Urbano, vencedor do prêmio Eurimages Co-production Award em 2020, O Som e a Fúria integra instituições de prestígio como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a Academia de Cinema Europeu e o European Producers Club.

Duas Mariola Filmes | produtora associada

A Duas Mariola Filmes é uma produtora com sede no Rio de Janeiro focada em filmes autorais e experimentais desde 2006. Foi fundada por um grupo de amigos, entre eles Felipe Bragança, Marina Meliande e Daniel Caetano. A produtora produziu ou coproduziu cinco longas-metragens e oito curtas-metragens, todos exibidos em festivais internacionais de cinema pelo mundo, incluindo Cannes, Veneza, Oberhausen e Locarno.

A Duas Mariola Filmes acredita na possibilidade de inovar a linguagem e a narrativa do cinema brasileiro contemporâneo, criando parcerias com outras produtoras independentes, bem como com empresas já consolidadas do audiovisual nacional. A produtora inicia agora um novo ciclo de trabalhos, com planos de produzir seus próprios filmes nos próximos anos como diretores, além de passar a coproduzir e desenvolver projetos de outros jovens realizadores brasileiros.





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