[News] O que acontece quando perguntamos "o que você está lendo?"
Bruna Paiva e o livro Adolescente Demais
JMCosta/Divulgação
Que respostas aparecem quando uma mesma pergunta é feita a pessoas em contextos tão diferentes quanto o metrô, uma Bienal do Livro ou um evento profissional? Em vez de perguntar se as pessoas leem ou quanto leem, a proposta parte de algo mais simples e aberto: “o que você está lendo?”
Uma experiência que começou abordando passageiros no metrô já reuniu respostas de cerca de 300 leitores, com títulos que passam por romances, clássicos, autoajuda, thrillers e não ficção. À medida que a mesma pergunta começou a circular por outros espaços e públicos, novos repertórios apareceram e o próprio formato ganhou outros desdobramentos.
O formato já extrapolou o quadro original: foi reproduzido por Pedro Pacífico, do Bookster, em conteúdo ligado à CNN; incorporado a uma campanha da Bienal do Livro Rio com o MetrôRio; levado a escritores e creators na Bienal de São Paulo; e no fim de setembro chegou à ROG.e Energy, maior evento profissional do setor de energia da América Latina. Ali, apareceram livros sobre petróleo, economia da energia, geociências, engenharia química e paleontologia, mas também Machado de Assis, Fernando Pessoa e Richard Bach.
“A grande surpresa é constatar que a diversidade está em todo lugar. Encontro gente lendo de tudo em diferentes ambientes. Desde filosofia no metrô até clássicos da literatura em um evento técnico corporativo. Essa é a parte mais bonita desse trabalho que venho fazendo: mostrar que ler é pra todo mundo e que a literatura não precisa ter rótulos e nem fronteiras”, explica Bruna.
Mas há outro efeito interessante nesse percurso: perguntar o que alguém está lendo também parece colocar novos livros em circulação. Nos comentários dos vídeos, seguidores agradecem pelas indicações e relatam usar os títulos mostrados para escolher a próxima leitura, voltar ao livro físico ou até começar a criar o hábito de ler. Em um deles, por exemplo, um seguidor (@josejaymejr) descreveu espontaneamente o quadro como uma espécie de “estudo sociológico”, por permitir observar a diversidade das pessoas por meio das leituras — percepção interessante, ainda que o projeto não tenha pretensão de pesquisa científica.
Quem está no centro dessa experiência é Bruna Paiva, escritora independente, creator, mestre e doutoranda em Ciência da Literatura pela UFRJ. Desde maio, quando começou a série no metrô, a pergunta foi atravessando ambientes e assumindo funções diferentes: registro espontâneo do que as pessoas estão lendo, recomendação de livros, conteúdo digital e incentivo à leitura.
Paiva conversa com Isís Figueiredo
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Na Bienal de São Paulo, Bruna levou a pergunta a escritores, jornalistas e creators — entre eles Pedro Bandeira, Carla Madeira e Zeca Camargo — e, poucos dias depois, foi convidada pela Semana de Letras da PUC-Rio para discutir justamente “Caçando leitores no metrô: a internet como ferramenta do incentivo à leitura”.
Esse movimento também começa a envolver quem produz os livros. Bruna conta que escritores citados costumam interagir com os vídeos e até parcerias com editoras foram fechadas. A Arqueiro, por intermédio da Bruna, presenteou os leitores do metrô com os lançamentos que estava preparando para a Bienal de São Paulo. Já a Bazar do Tempo, uma editora feminista, aproveitou que o metrô do Rio tem um vagão exclusivo para mulheres e patrocinou uma edição do quadro com a Bruna distribuindo livros para mulheres que estavam neste vagão. Outro exempo foi a Editora Antofágica, que contratou a escritora para distribuir exemplares do selo Nano, exclusivo de livros de bolso.


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