[News] Documentário sobre turnê de Carminho no Japão estreia na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na próxima semana

 Documentário sobre turnê de Carminho no Japão estreia na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na próxima semana

 

‘Neste Quarto’ é dirigido por Ana Rocha de Sousa e acompanha a fadista em turnê pelo Japão, registrando o encontro de culturas unidas pela música 
 

Documentário tem estreia mundial no próximo dia 17

 

Duas culturas separadas por histórias, valores e idiomas diferentes encontram na música um território comum. Esse encontro é o fio condutor de Neste Quarto, documentário dirigido pela cineasta Ana Rocha de Sousa, que acompanha Carminho em turnê pelo Japão durante as apresentações do álbum “Portuguesa”. Pelas salas de concerto de diversas cidades, como Tóquio e Hiroshima, a cantora levou o fado a plateias que não compreendiam as palavras do idioma cantado, mas respondiam à música com emoção, aplausos e, muitas vezes, lágrimas.

 

O filme estreia mundialmente no dia 17 de outubro, no Brasil, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A exibição será às 20h10, no Solar Sala Petrobras, no antigo Museu da Casa Brasileira, um dos principais espaços da mostra. E contará com a presença de Carminho e da diretora Ana Rocha de Sousa.

 

Neste Quarto concorre na categoria Perspectiva Internacional e também disputa o Prêmio do Público. “Este é um filme sobre a simplicidade de uma mulher de sucesso em um mundo em vias de desmoronar, onde poesia, empatia e a música nos recordam como é urgente entendermo-nos uns aos outros”, explica Ana.

 

Para a diretora, a experiência japonesa revelou uma dimensão da música que vai além da compreensão racional. “Vi salas inteiras a aplaudir de pé num Japão que não fala uma palavra da nossa língua, do nosso português. O filme aborda precisamente essa diferença entre compreender e sentir”, destaca.

Reconhecida como uma das maiores artistas portuguesas e referência do fado, Carminho surge nas telas longe do formato biográfico mais comum. A cantora também foi convidada a captar imagens em Hi8, que passaram a coexistir com o registro realizado por Ana Rocha de Sousa.
 

“Nesta turnê pelo Japão, pude uma vez mais testemunhar o poder do entendimento de uma língua onde não existem constrangimentos e barreiras. A música é uma ligadura do mundo. Une, aproxima, entende e faz crescer algo que é um verdadeiro tesouro: a empatia”, diz a fadista. “Foram dias em que o olhar terno e sensível da Ana nos mostrou muito do que está presente em uma turnê e que tantas vezes não vemos. Ela viu”, complementa.


A reação do público japonês confirma o que a artista percebe no palco. Os fãs se emocionam mesmo sem compreender o idioma das canções. Para Carminho, é justamente nesse ponto que a música ultrapassa as fronteiras da linguagem. “No início, pensávamos que não havia pontes. Mas depois que comecei o concerto, encontramos as nossas pontes. E é lindo”, afirma Carminho no filme. “A música muda as pessoas na medida em que as suas vidas se encontram com a música”.


É esse encontro que Ana Rocha de Sousa procura registrar. Filmado entre concertos, bastidores, quartos de hotel, táxis, silêncios e sussurros, Neste Quarto acompanha Carminho em um registro próximo e contemplativo. A câmera observa tanto a artista no palco quanto os momentos em que ela se relaciona com os fãs e experimenta a rotina simples dos dias em um país culturalmente distante, mas do qual se aproxima fascinada.


A combinação entre as duas linguagens — cinematográfica e espontânea, de caráter quase doméstico — é parte essencial da construção do filme.
 

“Andamos ao longo do filme sempre entre uma linguagem muito cinematográfica estruturada e uma linguagem humana espontânea, de vídeo habitualmente familiar de memória”, explica Ana.
 

Carminho também capturou imagens no Japão para o documentário ‘Neste Quarto’

 

Produzido pela portuguesa Alecrim Vagabundo, Neste Quarto procura captar, “um lugar transcendental onde a voz de Carminho contagia mesmo quem não entende o significado exato da palavra cantada ou dita”. O fado, assim, deixa de ser apenas uma expressão musical portuguesa para se tornar uma experiência compartilhada, capaz de aproximar pessoas que não dividem a mesma língua.


A diretora aponta o filme “Encontros e Desencontros” (2003), de Sofia Coppola, entre as referências que acompanharam o processo de construção do documentário. “Também aqui existem temas como o encontro, o desencontro, a comunicação e as suas falhas, o entendimento mútuo e a experiência de estar em uma terra estranha”, explica.


Em Hiroshima, uma frase cantada durante o filme amplia ainda mais essa reflexão: “E se hoje falássemos de amor? Só para variar...”. Para Ana Rocha de Sousa, o momento sintetiza uma das questões centrais de Neste Quarto: a possibilidade de criar espaços de empatia em um mundo hoje tão marcado pela violência, pela guerra, pela distância e pela intolerância. “Um filme em que o entendimento e o tempo para ‘o outro’ são poesia, e a poesia um gesto simples de amor como forma de revolução”, conclui a diretora.

Serviço - Horários de exibição de Neste Quarto
Dia 17/10 - 20h10 - Solar Sala Petrobras
Dia 18/10 - 18h - Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3
Dia 22/10 - 14h - Cine Tutu
Dia 25/10 - 21h50 - Espaço Petrobras de Cinema Sala 1


Sobre a produtora Alecrim Vagabundo

De origem portuguesa, a Alecrim Vagabundo produz documentários e séries de não ficção de referência internacional, no cruzamento entre o cinema de autor, a cultura e o esporte. Entre os diversos projetos em andamento estão “The Mammoths That Escaped the Kingdom of Erlik Khan”, o mais recente documentário da diretora indicada ao Oscar, Tamara Kotevska, e recentemente contemplado com uma Sundance Production Grant; “Um Milagre no Atlântico”, que acompanha a extraordinária ascensão da seleção nacional de futebol de Cabo Verde e será narrado por Seu Jorge; e “The Howl of the Wolves”, sobre a seleção portuguesa de rúgbi. A produtora também é responsável por “Nazaré – Making Giants”, uma série documental de seis episódios produzida para a Red Bull Studios sobre o universo do surfe de ondas gigantes na Nazaré.


Sobre a cantora Carminho
Carminho é uma das grandes vozes do fado e uma das artistas portuguesas de maior reconhecimento internacional. Nascida em uma família de músicos, é filha da renomada fadista Teresa Siqueira e estreou-se publicamente como cantora aos doze anos, no Coliseu de Lisboa.
 

O fado sempre fez parte de sua vida de forma tão natural que nunca imaginou que pudesse vir a ser sua profissão. Em 2012, com o lançamento do álbum “Alma”, concretizou o sonho de gravar com Milton Nascimento, Chico Buarque e Nana Caymmi, o que levou a uma reedição brasileira do álbum com três faixas inéditas. Em 2014, lançou “Canto” e sua ligação com o Brasil tornou-se ainda mais profunda. Esse disco marcou sua primeira colaboração com Caetano Veloso e seu filho mais novo, Tom, que lhe ofereceram a canção inédita “O Sol, Eu e Tu”. O álbum inclui também “Chuva no Mar”, música com participação especial de Marisa Monte, que assina a autoria da canção com Arnaldo Antunes.
 

Em 2016, foi convidada pela família de Antônio Carlos Jobim para gravar seu quarto álbum, Carminho Canta Tom Jobim, ao lado da banda que acompanhou o compositor nos últimos dez anos. Nele, Carminho divide faixas com Chico Buarque, Maria Bethânia, Marisa Monte e Fernanda Montenegro, alcançando grande sucesso e inúmeras distinções. Ela também dividiu os vocais com Rosalía em “Memória”, faixa que integra o álbum Lux, lançado pela cantora espanhola no ano passado.
 

Ao longo da carreira, Carminho tem se destacado como uma artista de convicções e escolhas ponderadas. Profundamente enraizada em sua herança cultural, dá continuidade a uma tradição musical com séculos de história, ao mesmo tempo que lhe confere uma voz contemporânea. Firmemente ligada à sua geração, mantém-se aberta ao mundo, sem perder de vista suas origens.


Sobre a diretora Ana Rocha de Sousa

Ana Rocha de Sousa é uma diretora portuguesa reconhecida internacionalmente. O seu longa-metragem de estreia, LISTEN, venceu diversos prêmios, entre eles o Leão do Futuro e o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Veneza, afirmando-a como uma das principais diretoras portuguesas contemporâneas.


Depois de se destacar profissionalmente em Portugal como atriz e de concluir uma graduação em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Ana sentiu a necessidade de aprofundar e expandir sua expressão artística. Movida pela multidisciplinaridade de sua expressão e pelo desejo inquieto de conhecer melhor as pessoas e o mundo, mudou-se para Londres, onde fez mestrado em Direção de Cinema na London Film School.


O trabalho de Ana se distingue pela busca da compreensão da natureza humana e pela empatia. Seus filmes combinam profundidade emocional com um intenso senso de justiça, ou, pelo menos, com a busca por essa justiça em uma linguagem de realismo social. Por meio de seu cinema, seja na ficção ou no documentário, Ana não apenas retrata as personagens, mas também questiona a vida.


Sobre o produtor Enrico Saraiva

Enrico Saraiva trabalha com produção de cinema e televisão há mais de 15 anos. Entre seus créditos como produtor estão “Mainstream”, dirigido por Gia Coppola e produzido em colaboração com a American Zoetrope; “Skin”, dirigido por Guy Nattiv e adquirido pela A24 após sua estreia em Toronto e posterior trajetória em festivais; “Mosquito” (filme de abertura do Festival Internacional de Cinema de Roterdã); e “Octubre” (vencedor da seção Un Certain Regard do Festival de Cannes).


Recentemente, produziu a série documental Nazaré – Making Giants para a Red Bull Studios e a SIC Portugal, a série This Is Atlético, licenciada pela Disney+ Portugal, e está preparando o próximo longa-metragem da diretora indicada ao Oscar Tamara Kotevska, The Mammoths That Escaped the Kingdom of Erlik Khan, com o apoio do Sundance Institute.

 


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