[News] Espetáculo português “O Amor é Fodido” estreia em São Paulo, no Teatro Manás

 Espetáculo português “O Amor é Fodido” estreia em São Paulo, no Teatro Manás

 

Monólogo de João Garcia Miguel é uma adaptação do livro homônimo de Miguel Esteves Cardoso que reflete sobre o amor de um jeito inusitado 

 

 

 

O amor é fodido - crédito Mário Rainha Campos 


 

 

Considerado um sentimento complexo, o amor tende a ser retratado pela arte de maneira idealizada. Pensando em refletir sobre ele de um jeito diferente, mostrando todas as suas nuances, o diretor português João Garcia Miguel fez uma adaptação teatral do livro O Amor é Fodido, de Miguel Esteves Cardoso, que faz uma temporada em São Paulo, no Teatro Manás Laboratório, entre 25 de fevereiro e 29 de março, de quarta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 18h. Não haverá sessões entre os dias 4 e 15 de março.   

 

Na trama, definida pelo artista como “uma espécie de Romeu e Julieta contemporâneo”, um casal que não se suporta mais finge se suicidar. Entretanto, ambos permanecem vivos e se reencontram 40 anos depois, paraplégicos e lamentando tudo o que poderia ter sido.  

 

Para João Garcia, esses dois amantes estão apenas lutando contra uma criatura terrível, um monstro incompatível com o ser humano. Desafiando completamente a lógica, em um primeiro momento, esse ser sufoca e cega. Depois, ele faz as pessoas explodirem a partir de dentro.  

João Garcia Miguel 

Nascido e sediado em Lisboa, o encenador, dramaturgo, performer e artista visual português tem formação em Pintura, Comunicação e Teatro, é doutor em Teoria, História e Prática do Teatro. O artista desenvolve uma obra marcada pelo cruzamento entre performance, teatro físico, artes visuais e experimentação de linguagem.

Fundador de coletivos e estruturas como a Companhia João Garcia Miguel, a Galeria ZDB e o grupo OLHO, é reconhecido por recriações radicais de textos clássicos e contemporâneos, apresentadas em teatros e espaços alternativos em Portugal e no exterior. Seu trabalho, premiado nacional e internacionalmente, investiga o corpo, a palavra e a cena como territórios de risco e reinvenção.

Sobre o autor
O Amor é Fodido é um dos livros que consagraram Miguel Esteves Cardoso, conhecido cronista português, e que causou impacto pela franqueza do título e do conteúdo. Ao tratar o amor como um sentimento difícil de compreender, o autor construiu um livro radical, tanto na linguagem quanto na narrativa, organizado de forma fragmentada e sem ordem cronológica.

O amor chega a corroer a própria língua, como nos trechos em que restam apenas escombros de gramática: “Mim bebe tudo o que houver. Ser assim mesmo antes de casar. Esposa sem culpa. Esposa só agravante. Beber antes bom. Agora essencial”.

Publicado em 1994, o livro provocou forte repercussão. “As escolhas estéticas do escritor causaram um rompimento na monotonia e em uma certa modorra portuguesa. Isso também me atraiu”, comenta João Garcia. Com humor corrosivo e recusa da idealização romântica, a escrita de Cardoso dialoga diretamente com o mundo contemporâneo, tornando sua obra não apenas atual, mas necessária — sobretudo quando levada à cena, onde a palavra ganha corpo e vulnerabilidade.

Sobre a encenação

Com foco total na potência da palavra, João Garcia Miguel fala o texto e conversa com o público o tempo todo. “Ao contrário das últimas peças que eu fiz, nessa eu tenho que estar super disponível para a troca com os espectadores. E, durante os ensaios antes da estreia portuguesa, em janeiro de 2025, eu estive lidando com uma separação, o que adicionou outra camada ao trabalho”, afirma.

 

No Brasil, a plateia será um grande diferencial. O Teatro Manás Laboratório permite uma configuração do tipo arena, de maneira que fica mais fácil de acomodar um público maior. “Fazer 15 apresentações em outro país é um desafio e nós adoramos passar por experiências novas”, acrescenta.

 

O cenário também é assinado por João Garcia Miguel. Já o figurino é de Rute Osório de Castro. O personagem veste preto e, por ser pintor, tem muitos dos seus desenhos pendurados pelo espaço. Completam a cenografia uma cadeira de rodas e um cubo. 

 

Intercalando momentos de humor e drama, a peça mostra que amar dá trabalho e pode ser doloroso. E, mesmo assim, estamos sempre prontos a encarar esse monstro. 

 

“Quando chegar o momento, deixaremos de ser homens e mulheres. Seremos apenas seres fodidos. Reconheceremos o nada e tudo o que somos. Desesperados por recomeçar. Forçamos a inteligência com as habilidades do amor até que o amor se foda. A inteligência começará então a desaparecer. Mas voltaremos a insistir, afinal somos amorosos e humanos. Há momentos em que parece que quase vemos. Depois continuamos cegos”, comenta João Garcia.

 

Sinopse
A história retrata João, que, já velho e inválido, recorda sua intensa e tumultuada relação com Teresa, um amor quase extremista e doentio, marcado pela impossibilidade de alcançar a perfeição e por um suicídio simulado de Teresa que João só descobre anos depois.

 

Ficha Técnica
Texto: Miguel Esteves Cardoso

Adaptação, encenação, espaço cênico e interpretação: João Garcia Miguel

Direção executiva: Suzana Durão

Direção técnica: Bernardo Santo Tirso

Figurino: Rute Osório de Castro

Fotografia: Mário Rainha Campos

Assistência de direção: Paulo Oliveira, Gustavo Antunes

Apoio à Direcção Artística: Ademir Emboava, Ramadane Matusse 

Produção: Janice Maymona

Apoio Técnico: Léo Emílio

Contabilidade: Irene Gaspar

Comunicação e Design Gráfico: Natacha Ventura

Comunicação Digital: Miguel Durão Hilário

Registo em vídeo: Bruno Canas

Costureira: Teresa Matos

Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo 

 

Serviço:

O Amor é Fodido

Data: De 25 de fevereiro a 29 de março, de quarta a sábado, às 21h, e, aos domingos, às 18h.
* Não haverá sessões entre os dias 4 e 15 de março  

Local: Teatro Manás Laboratório - R. Treze de Maio, 222 - Bela Vista
Ingresso: R$ 60 (inteira)/ R$ 30 (meia)
Capacidade: 70 lugares
Duração: 90 minutos
Classificação: 
18 anos

 

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