14 março 2018

[Resenha] Arena 13



Sinopse:

Leif tem uma única ambição: tornar-se o melhor lutador da famosa Arena 13. Lá, os espectadores apostam em qual lutador vai derramar sangue primeiro. E, em ajustes de contas, apostam em qual lutador vai morrer. Mas a região é aterrorizada por Hob, um ser maligno que se deleita torturando a população e exibe o seu poder devastador desafiando combatentes da Arena 13 a lutas até a morte quando bem entende. E isso é exatamente o que Leif quer, pois ele conhece bem os crimes de Hob. E, no cerne da sua ambição, arde o desejo de vingança. Leif procura revanche contra o monstro que destruiu a sua família. Mesmo que isso lhe custe a vida.

O que eu achei?
Nas primeiras páginas do livro começamos a saber as regras de combates na Roda, dando a sensação de que você está ciente do que pode acontecer e sentir-se um combatente dessa destemida Arena 13.

“ - Esta é a Arena 13- pronunciou ele. - Esta é uma luta até a morte. Que aqueles que morrerem, morram com honra. Que aqueles que sobreviverem, lembrem-se deles. Que o combate comece.”

Conhecemos Leif, nosso personagem principal, um adolescente que perdeu os pais muito cedo pelas mãos do Hob um criatura desprezível e que consegue o que quer quando quer.
As perguntas logo surgem: Mas o que é exatamente um Hob? Quais são suas influências, poderes e nível de malevolência? Por que as pessoas não enfrentam esse ser maligno que os assombram?

“ - Não podemos correr nenhum risco. Você não acredita no que o Hob é capaz de fazer- disse Tyron.”

É através de Leif que essas perguntas logo começam a ser respondidas e o surgem novos questionamentos. Após deixar sua cidade natal, Mypocine, em busca de vingança, o jovem chega a Gindeen, cidade da famosa Arena 13, apenas com um bilhete premiado que lhe concede ter treinamento para combate no bolso e suas vestimentas do corpo, Leif vai atrás de um treinador, na verdade, o melhor treinador da cidade, Tyron. Mas quem disse que seria fácil assim? Tyron treina os melhores discípulos e é uma das pessoas mais ricas da cidade. Relutante em aceitar um garoto sem família e dinheiro, acaba aceitando sob algumas condições.

Assim, Leif conhece na sua nova casa Kwin, Teena, filhas de Tyron, Kern, genro e outros dois discípulos e companheiros de quarto Palm e Deinon. Conseguido o primeiro passo, agora o jovem terá que aprender a ser disciplinado, forte e responsável para conseguir vencer no combate Trigladius que consiste em duas posições, você pode ser um lutador min , um lac de defesa, ou mag, três lacs de defesa. Mas o que é um lac? É uma “criatura” que é como um boneco acionada pela magia de Nym.
No inicio eu em senti perdida com tantas denominações e fiquei com medo disso prejudicar a leitura, mas aos poucos o autor explica de maneira fácil e compreendível e confesso que deu um toque de originalidade e encantamento à história.
“ Quem dá os primeiros passos raramente dá os últimos.”
Eu adorei conhecer a Kwin, é uma personagem desmiolada, rebelde, impetuosa e extremamente sagaz. Sua enorme vontade de lutar na Arena é admirável, já que infelizmente mulheres não podem lutar em nenhuma arena da Roda.
Chegou a ser cativante a ousadia que ela possui, mostrando o quanto ela é corajosa, habilidosa e uma potencial combatente. Além disso, ela  arrancou boas risadas e sorrisos e uma das melhores cenas foi quando ela levantou a blusa para mostrar como sua barriga estava ficando definida após seus longos treinamentos individuais. 

Falando em preparação, a de Leif é extremamente árdua e mostrará seus limites e limitações, no quesito luta encontra facilidade de aprender os ensinamentos e passos porém quando se trata de aprender a ser modelador enfrenta dificuldades. Como se não bastasse essas dificuldades ainda terá que aguentar as gracinhas e perturbações de Palm, um idiota prepotente e que se acha superior por ter pais ricos e ter um tri-glad para lutar na posição mag, mas quando conhece Leif essa marra diminui quando percebe alguém tanto bom quanto ele ou até melhor. Por outro lado, temos Deinon que acabará sendo um grande amigo para Leif por ser humilde, gentil e leal.

As lutas da Arena 13 são brutais, sangrentas e incrivelmente envolventes! Consegui imaginar com facilidade cada manobra e detalhes dos combates e quando o objetivo é acerto de contas as lutas são ainda melhores. Você sente-se um verdadeiro espectador.
Uma coisa que percebi é que a função de um lac nesses duelos é excitante e eufórica, fiquei fascinada por essas criaturas e curiosa para saber se eles realmente não conseguem ter consciência própria. Ser um modelador de um lac mostra que a pessoa tem muita capacidade de coordenação, sintonia e concentração.

“ - Eles podem não ter o mesmo raciocínio que a gente - continuou Kwin-, mas com certeza tudo o que se mexe e respira tem algum tipo de consciencia, né? E não venha me dizer que eles não sentem dor! Na Arena 13, eles são protegidos pela armadura, mas, aqui embaixo eles sofrem ferimentos graves.”

Foi engraçado e um pouco fofo perceber como um garoto reage com a presença de uma garota, as atitudes atrapalhadas e pensamentos controversos que tem mostra como Leif não sabe como lidar com seus sentimentos e por ser orgulhoso não consegue admitir para si mesmo que está apaixonado.

A história e legado que ele carrega mostra-se mais doloroso e triste do que pensei, ao decorrer das páginas fui conhecendo e ficando cativa com esse garoto tão jovem que suportou e ainda suporta um fardo enorme nas costas ficou impossível não estar envolvida e tocada por ele. É o tipo de personagem que despertou em mim algo profundo e muita admiração.
Você pode até achar clichê de ele ultrapassar os primeiros obstáculos com facilidade e mostra-se bom oponente sendo tão jovem, mas esses detalhes tem um motivo plausível para torná-lo habilidoso, ele não nasceu somente assim, aprendeu a ser quem realmente é juntamente com o treinamento de Tyrion.

“ Aprenda como perder, para, mais tarde, poder aprender como vencer.”
Houve uma luta com o Hob que foi de muita tensão e foi angustiante perceber o quão cruel era essa criatura, o que estava acontecendo não estava dando para acreditar tanto que estava lendo com rapidez quase atropelando as palavras de tanta aflição pois não estava querendo realmente ler aquele desfecho, não com um personagem tão querido. Foi uma das cenas mais marcantes e tristes do livro e eu realmente não estava preparada para esse acontecimento, o que foi algo bom de perceber, pois o autor na caiu na mesmice e nem de que tudo seria um mar de rosas.
“ As lembranças fazem de nós o que somos, moldam a nossa consciência e dão uma direção às nossas vidas.
O autor me surpreendeu bastante, não conhecia a escrita dele e ainda não tive a oportunidade de ler a série As Aventuras do Caça-Feitiço, mesmo assim gostei bastante da escrita leve, descritiva e emotiva. Li com muita facilidade e devorei com prazer as páginas. Os pontos altos com toda certeza são a originalidade da história, é diferente de tudo o que li, a forma como surpreendeu-me com os rumos que personagens tomavam contrariando minhas teorias e a questão de ser previsível. Estou muito ansiosa pela continuação porque o final foi bastante inspirador.  Espere ler um livro emocionante, envolvente e arrebatador.

Estava bastante ansiosa por esse lançamento e com toda certeza Arena 13 superou as minhas expectativas. A diagramação está perfeita, com letras grandes e espaçamento agradável proporcionando uma leitura mais rápida. A tradução da Stephania Matousek ficou ótima e próxima de nós. E essa capa está simplesmente linda e mostra toda a essência do livro, estou simplesmente apaixonada por essa edição. Pessoal da Bertrand Brasil arrasou na montagem dessa obra.

Sem mais delongas, eu super recomendo essa leitura para aqueles que gostam de livro com bastante ação, mistério, tensão e bom humor. Leiam que vocês não vão se arrepender! 

Por Thaís Marinho

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