16 abril 2017

[Resenha] Cabeças de Ferro

Malu foi aprovada no vestibular e prepara-se para encarar o temido trote da Engenharia. Afinal Artur, seu arqui-inimigo de infância, será seu veterano. No dia, ele despeja uma gosma na cabeça de outra caloura, que sofre um choque anafilático e todos fogem. Malu e Artur, apesar de se odiarem, não têm outra saída a não ser se unir para desvendar este mistério. Por que a gosma da garrafa despejada na caloura era a única de cor diferente? E por que as outras garrafas desapareceram? Alguém estaria tentando ocultar provas? Será que os estudantes estão na mira de um assassino?

O que achei?
CABEÇAS DE FERRO é o primeiro livro da série de mesmo nome, escrito pela autora Carol Sabar.
A história, to fictícia – da cidade aos elementos químicos - gira em torno de três personagens: Malu, que acabou de ingressar na universidade e está prestes a levar o trote do curso de Engenharia; Nicolas, seu amigo – que na verdade quer muito mais que ser amigo; e Artur Cantisani,o chamado “arqui-inimigo” de Malu por um vexame de infância que a assombra até hoje.
Durante o trote, uma substancia liquida deve ser jogada em um dos calouros – o veterano que passou em primeiro lugar no vestibular passado – que no caso é o Artur - deve despejar o liquido no calouro que passou em primeiro lugar no vestibular atual – que é a Malu. Mas, por algum motivo, Artur despeja na jovem seguinte, ao lado de Malu, que acaba sofrendo um choque anafilatico, perdendo todo o cabelo, e quase morre. A história segue, então, uma investigação para descobrir o que havia no líquido que, inicialmente, fora destinado a Malu.
A autora tem uma escrita extremamente espontânea e fluida, que faz você ler paginas e mais paginas sem nem perceber; é quase como se uma amiga sua estivesse ali, te contando aquela história ao vivo. A trama é bem abrangente, e segue linhas muito interessantes e bem construídas: uma é a vida na universidade, onde os jovens se veem livres e desimpedidos, dispostos a experimentarem tudo o que sua vida em casa com os pais era proibido; outra é a questão política, também na universidade, quando, durante as investigações do trote – que envolveu até mesmo a polícia -, onde dois reitores concorrem ao cargo da reitoria, usando do Caso Do Bloco 14 (nome dado ao “incidente”/trote que acabou em quase-crime). Nessa questão, o livro é muito interessante, muito bem estruturado, sabendo envolver o leitor e instigar a continuar a leitura ate descobrir quem armou toda essa trama.
Agora as personagens, bem... Artur é extremamente inteligente, bonito, um bad boy típico dos filmes adolescente americanos, daqueles caras cheio de mistério, questões emocionais reprimidas, por quem todas as meninas se apaixonam; Malu é extremamente inteligente – assim como Artur -, mas por vezes se mostrou uma menina arrogante e superficial, beirando a futilidade. As tentativas de deixar a menina nerd um pouco mais cool, deixando de lado os clichês de aparência e gostos, e adicionando coisas que “pessoas comuns” (que não são gênios como ela) fazem, não me convenceram. Nico, o amigo apaixonado de e por Malu também é bonito, sarado, inteligente, além de divertido e um cavaleiro. Eles três passam a formar um triangulo amoroso onde Malu namora com um mas sente atração por outro, e fica nesse “vou-não-vou” com um deles (se eu falar quem é spoiler, então tem que ler). Muitos pontos nas atitudes dos três foram bem imaturos. Não se pareciam bem com estudantes de um curso tão difícil de uma faculdade tão renomada e difícil de ingressar. Eram como adolescentes cheios de birra, e confesso que isso tirou muito do brilho da história.
No geral, o livro é bom, uma leitura fácil e rápida, por vezes divertida até. Mas o forte mesmo – para mim, pelo menos – é todo o mistério e a investigação que acontece. A autora soube criar e desenrolar esse ponto da história muito melhor do que construir suas personagens a ponto de se encaixarem bem no plano geral, mas que não deixa de ter o seu charme.

3 comentários

  1. MAISA!
    Nunca gostei dessa história de trote nas universidades, acho de péssimo gosto.
    Pelo jeito é um livro policial, onde será descoberto o responsável pelo líquido que quase matou alguém durante o trote e se a escrita é boa, deve proporcionar momentos bons na leitura.
    Boa Páscoa!
    “A sabedoria começa na reflexão.” (Sócrates)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  2. Oi
    Com certeza também iria gostar mais da parte investigativa, achei bem interessante abordar o tema Trote universitário. Ainda ocorrem trotes de dimensões catastróficas dentro das universidades. Espero que esse livro também traga algumas reflexões sobre o tema.
    Beijos

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  3. Como adoro um bom mistério e uma boa investigação,tenho vontade de ler esse livro há algum tempo .
    Não li ainda. Mas pretendo ler assim que der.

    Boa dica!

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