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Ouça “O Concreto Já Rachou” aqui
Ouça “Até Quando Esperar” aqui
Arthur Dapieve
Estamos em 2026. Embora, dependendo do noticiário na TV, possa parecer que ainda estamos em 1986 ou que já estamos em 2066. Porque o que vemos é novo e atemporal – a definição de clássico. O que vemos é a comemoração dos 40 anos de um clássico do rock brasileiro, na verdade, de toda a música brasileira. Reunidos no estúdio, tocando à vera, ao vivo, olho no olho, estão a Plebe Rude, Herbert Vianna e Jaques Morelenbaum. Quarenta anos depois do lançamento de O concreto já rachou. O melhor disco – sustento esta opinião – o melhor disco produzido pelo BRock nos anos 1980. Não houve nada tão certeiro, tão urgente, tão redondo, tão... Punk?
Engraçado pensar que um disco punk pudesse começar com o som de um violoncelo. Mas assim foi. Assim é. No vídeo/single comemorativo, tal como na gravação original, é Morelenbaum quem abre os trabalhos em Até quando esperar, faixa inicial de O concreto já rachou. A Plebe Rude – atualmente, os guitarrista-vocalistas Philippe Seabra e Clemente Nascimento, o baixista André “X” Mueller e o baterista Marcelo Capucci – solta o braço logo em seguida. Desta vez, porém, eles não estão sós. O produtor do discaço de 1986, Herbert Vianna, agora soma voz e guitarra à gravação. Quando ele canta “que aquele ABENÇOADO poderia ter sido você” é de arrepiar.
Na nova edição, O concreto já rachou não vem sozinho em suas 12 polegadas. A banda acrescentou um regalo aos fãs e estudiosos do BRock. Encartado no disco físico, há um compacto-bônus de 7 polegadas, contendo demos de quatro faixas: Johnny vai à guerra (outra vez), Proteção, Minha renda e Sexo e karatê.
O lançamento do vídeo/single com a nova gravação de Até quando esperar e a reedição em vinil de O concreto já rachou enriquecido pelo compacto com as quatro demos também não vêm desacompanhados. Ainda fazem parte do pacote comemorativo concebido pela Universal, herdeira do catálogo da gravadora original, a EMI, um documentário “faixa a faixa” do álbum, com Philippe e André conversando com Álvaro Alencar, durante quase uma hora e vinte. Sem falar em cortes do vídeo e da conversa para uso nas redes sociais. Não é pouca coisa, mas a Plebe Rude e seus fãs merecem.
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