26 fevereiro 2018

[Resenha] George


Sinopse:

Um livro emocionante sobre a importância de ser quem realmente é. O primeiro livro juvenil com um personagem trans no Brasil. Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque... é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

O que eu achei?
Depois que a Shirley do Marketing da Record recomendar esse livro, duas coisas chamaram-me atenção nele: O tema abordado e a indicação para as crianças. O que eu não esperava era que ia adorar tanto a história, não sabia o que esperar, a surpresa que tive com o modo que o Alex escreveu foi cativante e ganhou-me imediatamente e lia com uma satisfação enorme essa coisa maravilhosa, que você pode ler em horas.

A primeira coisa que achei interessante e gostei no livro foi a forma que o autor se referia ao George no gênero feminino, assim ensinando a criança desde cedo que mesmo o personagem sendo um corpo de menino, ela é uma menina. E essa é a principal luta dela no livro, tentando mostrar às pessoas quem ela realmente é.

Fiquei cativada pela George querer a todo custo mostrar que é uma menina e ao mesmo tempo tem medo dos preconceitos, julgamentos e reações que receberá de pessoas que não estão acostumadas com o termo “Transgênero”, sua primeira batalha é tentar revelar seu segredo para sua melhor amiga Kelly e sua mãe e seu irmão Scott. Mas logo Kelly consegue entender o que se passa com sua melhor amiga ao ver suas reações quando ela chama pelo gênero masculino e a ver incomodada e até chateada às vezes, a ficha cai quando George quer ser Charlotte, uma aranha que tem um grande significado pra ela.

“Não havia nada que George temesse mais do que quando garotos falavam sobre o que havia dentro da cueca dela.”
Mas quem disse que ser Charlotte seria fácil? A professora Udell recusou seu pedido e nem dando chance de ela se apresentar pelo papel ser direcionada para “meninas” e ela não poderia, imaginem a tristeza e mágoa que ela sentiu, percebia que não gostava daquele corpo e como as pessoas a olhavam, não gostava do modo grosseiro dos garotos e nem de ser comparada a eles, principalmente a Jeff e Rick, que parecem não deixá-la em paz por ser alguém sensível e emotiva e que demonstra seus sentimentos com facilidade, sofrendo zombarias de algumas crianças por ter chorado em sala.
“ [...] Você é forte. Mas o mundo nem sempre é bom com as pessoas que são diferentes. Só não quero que você torne seu caminho mais difícil do que precisa ser.”
Fiquei torcendo para nossa George conseguir o papel de Charlotte, porque possui o talento e interpreta muito bem de uma forma profunda e bela, sendo até melhor que sua amiga Kelly que tentou o papel. Além do mais as duas são as mais talentosas, gravaram as falas e entonações com perfeição, George queria ser Charlotte e não Wilbur, o personagem principal voltado para os meninos.

Alex mostra que pais, crianças e escolas não estão devidamente preparadas para lidar e orientar essas crianças que são trans e gays, muitos não sabem a diferença entre esses termos e acham que um menino se sentir uma menina é consequentemente gay, George passa muito por isso, quando a verdade é que ela simplesmente só quer ser tratada como menina e não sabe bem o que gosta, já que é muito nova. Uma realidade muito comum abordada no livro são pessoas que fingem não ver o que está acontecendo ou simplesmente ignorando achando que é “ apenas uma fase e que vai passar” ou “ eles não entendem o que falam”, a Sra. Udell tem algumas dessas atitudes.

“ - Mas isso não é justo!- Kelly ficou indignada.- Você não roubou! Que direito ela tem de tirar de você? - Às vezes, as pessoas transgêneros não têm direitos. - George tinha lido na internet sobre casos de pessoas transgênero que foram tratadas injustamente.”
Outro ponto, muito bem retratado na história, é com relação aos pais e no caso, a mãe da George, que no início sente um impacto e choque, e rejeita todos pensamentos que tem, fica brava e não quer tocar mais no assunto, tentando esquecê-lo. Porém, aos poucos acha que sua filha é gay entretanto acontece uma cena, e a mãe finalmente percebe que tem uma menina em casa e que vai tentar de todas as maneiras se informar e orientar, pois não quer ver sua filha infeliz quando a solução que tem é simplesmente aceitar e respeitar, amando de maneira igual ao outro filho, o fato de ser transgênero não muda como aquela criança é, gentil, inocente, carinhosa e com uma pureza enorme. Nenhuma mãe quer que seus filhos cresçam sendo alguém que não para agradar a sociedade e no fundo sofrendo e sendo uma pessoa amargurada. Quando a mãe da George toma essa atitude mostra a criança que está respeitando o que a filha é e amando-a do mesmo jeito.
“ - Você contou que é gay? - Scott girou o garfo em uma montanha de purê de batata.- Você sabe que não ligo pra isso, né? Antes de papai ir embora, ele me fez prometer cuidar de você. Disse que você era assim. - Eu não sou gay- disse George. Por que todo mundo achava que ela era gay?”
O livro tem poucas páginas, mas com enormes significados e ensinamentos que são importantes na vida de uma criança e até para as pessoas que querem ser pais. Eu acho que as escolas deveriam abordar sobre esses temas, colocaria George como uma leitura leve para as crianças, a linguagem utilizada é carismática e apaixonante. O livro é voltado para as crianças mas adultos podem ler e aprender mais e garanto que fica impossível não se apaixonar pela George.
“ - Bem, não se pode controlar quem seus filhos são, mas podemos apoiá-los, não é mesmo?”
Eu não sei como descrever essa experiência incrível que tive com esse livro, acho que só quem ler vai entender como é terminar uma obra e sentir-se mais feliz e um pouquinho mais empática e sábio. é uma leitura agradável e que prende-te com uma facilidade impressionante, consegui sentir nas páginas todas as emoções, sentimentos e amor que nele contém. Alex escreveu não apenas uma história, transcreveu o amor que sente em ser quem é e como as pessoas devem se sentir também.

A Galera Junior teve todo um cuidado na composição do livro, essa capa é gracinha e tão simples mas não deixa de simbolizar o que a história representa, essa simplicidade deixou a capa muito linda. A diagramação está ótima e agradável,a tradução da Regiane Winarski, como sempre está impecável, sempre adoro os livros que tem sua tradução, a revisão não fica para trás.

Se você gosta de histórias diferentes e com personagens apaixonantes, não pode deixar de ler sobre a história da George, uma menina que busca ser quem é sem medo.

Por Thaís Marinho 

Um comentário

  1. Este livro parece ser bom de ler, vou até anotar para procurar para comprar assim que possível.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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