09 dezembro 2017

[Resenha] Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra

Antes de se tornar a Mulher-Maravilha, ela era apenas Diana. Filha da deusa Hipólita, Diana deseja apenas se provar entre suas irmãs guerreiras. Mas quando a oportunidade finalmente chega, ela joga fora sua chance de glória ao quebrar uma lei das amazonas e salvar Alia Keralis, uma simples mortal. No entanto, Alia está longe de ser uma garota comum. Ela é uma semente da guerra, descendente da infame Helena de Troia, destinada a trazer uma era de derramamento de sangue e miséria. Agora cabe a Diana salvar todos e dar seu primeiro passo como a maior heroína que o mundo já conheceu.
O que eu achei?
Minha relação com a Leigh Bardugo começou bem conflituosa. A conheci na Bienal do Livro de 2015, onde levei toda a minha Trilogia Grisha para autografar. Batemos um papo superdivertido e saí de lá com uma foto de olhos fechados que ainda torço para que alguém que foi um terrível engano e surja com a verdadeira em mãos. De lá para cá li os três primeiros livros do universo Grisha, que foram uma decepção enorme, e também Six of Crows, o primeiro livro de uma duologia situada no mesmo mundo, que é incrível. Eis que Diana surge para equilibrar um pouco mais essa balança. 

Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra é o primeiro livro da série Lendas da DC, onde foram escolhidos quatro autores para que contassem suas versões da origem de determinados astros dos quadrinhos. Tem uma pegada mais leve e essa provavelmente é a premissa de toda a série: a desconstrução dos personagens para o alcance de um público mais jovem e com medo de acompanhar os mais complexos universos dos quadrinhos. O foco, além do plot principal, é a interação de Diana com o mundo que nunca conheceu, apresentando situações hilárias.

O início foi bem confuso. Além do que foi explorado no filme estrelado por Gal Gadot, meus conhecimentos sobre a Mulher-Maravilha são muito básicos. Sendo assim, o jorro de informações conflitantes com as apresentada no filme tornou a leitura estranha, como depararmo-nos com algo que conhecemos virado num ângulo estranho.

Diana e Alia aprendem muito uma com a outra. Em decorrência do acidente que sofre na costa de Temiscira, Alia traz a oportunidade de Diana provar-se para as demais amazonas e conhecer o mundo afora. Enquanto Diana, com sua visão de batalhas e conquistas, ajuda Alia a sair do invólucro em que se esconde dada sua vida sempre seguida pelos holofotes.

Ambientando a história de Diana nos dias atuais, Leigh aproveita e rega sua aventura com muita crítica social. Nasce um paralelo entre a criação das amazonas - a bravura indômita, a couraça de confiança que elas precisam espelhar a todo o momento - com o racismo sofrido pela cultura negra. Alia e Jason cresceram com a mãe dizendo-os que deveriam manter-se sempre acima das expectativas, pois as pessoas minimamente destoantes do padrão estabelecido pelo grande homem branco não faz mais do que sua obrigação ao apresentar-se idealmente.

O livro possui uma representatividade muito especial: Étnica, sexual e até mesmo religiosa — o que mais me surpreendeu. As amazonas aqui apresentadas são guerreiras que lutaram bravamente no mundo dos homens e foram congratuladas com uma nova vida imortal em Temiscira; como a lenda nórdica de Valhalla, para onde os grande heróis que morrem em batalha são destinados. Elas são provindas das mais diversas partes do mundo e junto trazem suas determinadas crenças. Sendo assim, podemos ver orações a Maria, Freia e até mesmo Oya — ou, por seu nome mais comum, Yansã.

Estilisticamente falando, Sementes da Guerra traz uma abordagem bem diferente dos demais livros da Leigh. Meu maior estranhamento vem da minha última leitura que fiz dela, Six of Crows, uma história bastante densa e milimetricamente intrincada; sendo assim, já comecei o livro esperando algo semelhante e daí quebrei a cara. Esse é, na realidade, mesmo carregando traços fortes de sua escrita, um livro mais leve e muito divertido.

Em suma, foi uma leitura gostosa e leve cujas páginas voaram sem que eu percebesse. Me deixou interessado em buscas mais sobre Diana e seu legado, preencher as lacunas que me dificultaram a leitura. E, obviamente, estou empolgadíssimo pelos próximos livros e seus determinados protagonistas: Batman, Mulher-Gato e Superman. Principalmente o da Mulher-Gato, pois é escrito pela Sarah. J. Maas, autora das séries Trono de Vidro e Corte de Espinhos e Rosas, pela qual nutro uma relação de amor levemente conturbada.

Um comentário

  1. Ganhei esse livro de surpresa esse ano, quando fui a top comentarista do No Meu Mundo e a Rafa disse que eu tinha ganho sem eu nem saber que tinha top comentarista naquele mês... eu estava bem empolgada para ler, até ler a resenha, rs. Não vi o filme e acho que então terei dificuldades também na leitura.

    Maaas estou muito interessada em Mulher-Gato, pois amei demais Corte de Espinhos e Rosas.

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