18 setembro 2017

[Resenha] Agora e para sempre, Lara Jean

Na aguardada conclusão da série Para todos os garotos que já amei, Lara Jean vai ter que tomar as decisões mais difíceis de sua vida. Em Para todos os garotos que já amei, as cartas mais secretas de Lara Jean — aquelas em que se declara às suas paixonites platônicas para conseguir superá-las — foram enviadas aos destinatários sem explicação, e em P.S.: Ainda amo você Lara Jean descobriu os altos e baixos de estar em um relacionamento que não é de faz de conta. Na surpreendente e emocionante conclusão da série, o último ano de Lara Jean no colégio não podia estar melhor: ela está apaixonadíssima pelo namorado, Peter; seu pai vai se casar em breve com a vizinha, a sra. Rothschild; e sua irmã mais velha, Margot, vai passar o verão em casa. Mas, por mais que esteja se divertindo muito — organizando o casamento do pai e fazendo planos para os passeios de turma e para o baile de formatura —, Lara Jean não pode ignorar as grandes decisões que precisa tomar, e a principal delas envolve a universidade na qual vai estudar. A menina viu Margot passar pelos mesmos questionamentos, e agora é ela quem precisa decidir se vai deixar sua família — e, quem sabe, o amor de sua vida — para trás. Quando o coração e a razão apontam para direções diferentes, qual deles se deve ouvir?
O que eu achei?
Uma coisa que adoro no meio literário é nossa capacidade, como leitores, de vermos nossos gostos evoluírem com o passar do tempo. Nunca me esquecerei da minha primeira releitura em que passei a odiar um livro que anteriormente amava por não me conectar mais com aquela história. Entretanto, existem também aqueles livros estáticos, que vivem numa bolha exclusiva onde o tempo e a física tiveram seus corações partidos. Por mais que eu siga cada vez mais crítico quanto às demais histórias que leio — as fantasias, os suspenses, os romances — nos livros da Jenny muito pouco importa além da alegria genuína que preenche meu peito.

O plot do livro é bem simples: será o fim de Lara Jean e Peter? Depois de ter suas cartas apaixonadas enviadas aos respectivos remetentes e de lidar com os conflitos do primeiro relacionamento sério, é hora da maior fazedora de cookies — assim como Margot no primeiro livro — sair de casa e ir para a faculdade. Mas, ao contrário de sua irmã, tudo que ela mais quer é ingressar os estudos no campus mais perto de casa possível, já que não consegue viver longe de Kitty ou do pai. Ademais, Lara Jean e Peter decidem cursar a mesma faculdade para assim superarem o estigma de casal de colegial fadado ao término, porém tudo sai do controle no momento em que recebe uma notícia não tão inesperada assim.

O que mais me cativa em todos os momentos, acima até mesmo do romance extremamente fofo, é a relação intimista das irmãs Song. O modo intrincado como elas se complementam e estão sempre ali umas pelas outras. Lara Jean com sua ingenuidade, o impulso de sentir-se no controle de tudo e, claro, seus infinitos doces. Kitty com sua personalidade forte e seu jeito de dominar o ambiente sem o mínimo de esforço aparente. E Margot por sua seriedade e onipresença velada na mente das outras. Elas formam um tipo de linha de sucessão, em que uma se espelha na outra até que torna-se impossível separá-las em imagens distintas.

Adorei como o conflito do livro volta-se muito mais para a própria Lara Jean, sua insegurança em seguir em frente, e sua família que seu relacionamento com Peter. Destaque para o casamento de seu pai e a vizinha, Srta. Rothschild. Estando fisicamente distante por conta da faculdade, Margot não presencia a evolução do relacionamento deles como as outras duas, de modo que, quando retorna para a cerimônia, encontra a casa totalmente diferente e seu lugar como a “mulher da casa” tomado por outra. E isso afeta a todos, sobretudo Kitty em especial, que agora possui alguém para substituir a mãe que ela nem chegou a conhecer profundamente de tão nova quando a perdeu. É algo que se fixou na minha mente pela evidência de ciclos se fechado, de que a história está realmente chegando ao seu fim e tudo está se ajustando num novo normal.

Contrariando o livro anterior, seu namoro com Peter agora não necessariamente sofre de interferências bobas como ciúmes e inseguranças para que haja história para contar. Na verdade, a narrativa de Agora e Para Sempre, Lara Jean é, dentre todas, a mais casual. Eles estão mais unidos que nunca por meio das pequenas coisas, como assistir filmes juntos e inúmeras degustações de cookies com gotas de chocolate na busca de Lara Jean pela receita perfeita.

Em outros tempos, eu diria que os livros da Jenny são meus guilty pleasures, mas isso seria um enorme equívoco. Para mim, seus livros são leituras reconfortantes que reviram a falsa monotonia do cotidiano, dando luz aos pequenos momentos, e não há necessidade de negar meu amor por eles. Claro, é impossível negar que é uma série bobinha e que Lara Jean consegue ser muito ingênua em certos momentos, mas o que procuro nela é o conforto que até então me foi dado sem medir esforços e, enquanto esse sentimento ainda perdurar, a seguirei por onde for.

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