29 julho 2017

[Crítica Musical] Maria Gadú - Guelã: Ao Vivo


Guelã, nascido do silêncio, dos acordes dedilhados no escuro, do canto que se eleva e ecoa no vazio solitário, e das batidas do coração para os tambores, baterias e percussões, foi a forma que, agora, com o registro visual ao vivo, se enche e se transborda de vida.

“[...] ave nascia de um dicionario indígena que eu encontrei pelos livro que eu tava lendo. A ave chamava guelã. A Lua trouxe a ave pra mim. A gaivota.”

Maria Gadú voa livre e sem medo no seu mais novo DVD, Guelã Ao Vivo, gravado no Centro Cultural de São Paulo (CCSP), no dia 11 de Agosto de 2016. O registro conta com 18 faixas, onde a cantora apresentou todo o álbum Guelã mais faixas dos álbuns anteriores, com uma sonoridade completamente renovada, e muito mais a vontade no palco. Deixando de lado o típico violão que sempre a acompanhava, Gadú chega com sua guitarra elétrica e sons distorcidos, dividindo o palco com mais três músicos apenas – diferente de seu último DVD solo. O registro do nascimento de uma nova era artística.

“[...] as coisas vão ficando exuberantemente claras quando o silencio rola. Tudo é bonito e feio. É vivo e morto”


Explorando as ideias de solidão e silêncio, conceitos que deram origem à atmosfera do álbum de estúdio, o show apresenta uma estética intimista, com jogos de luz indireta e holofotes médios para cada músico no palco, dando um ar de solenidade à toda a apresentação.

Sonoramente, Gadú continua se reinventando e experimentando, criando arranjos completamente novos para faixas do seu primeiro álbum, Maria Gadú (2009). Do seu segundo álbum, Mais uma página (2011), apenas a faixa Axé acappella foi incluída.

O show, que conta com a direção da própria cantora, se mostra uma obra poética, uma viagem ao que Maria Gadú se transformou. O som cru, barroco, experimental, ganha vida e se expansona para criar uma conexão quase que espiritual entre artista e espectadores. Suas composições tornaram-se mais complexas, mais poéticas e mais intimas.

Além do show, o DVD conta com dois conteúdos extras. Um deles é o vídeo-clipe para a faixa Trovoa, dirigido pela própria Maria Gadú e com a participação dela e de Lua Leça. O outro, é o mini-documentário A terceira asa, também dirigido pela cantora; um apanhado de registros pessoais que mostram o processo criativo do álbum Guelã, desde o nascimento do conceito até o o álbum finalizado, tudo narrado pela própria artista, que despe sua alma e expõe-se de maneira única.

Guelã Ao Vivo é, sem dúvida, um dos melhores shows que já assisti. Uma experiencia imersiva e poética que merece todo sucesso do mundo.

“Eu virei a guelã.”

TRACKSLIT:

1. suspiro
2. obloco
3. ela
4. bela flor
5. paracuti
6. escudos
7. trovoa
8. altar particular
9. lounge
10. sakédu
11. ne me quitte pas
12. vaga
13. tecnopapiro
14. axé acappella
15.
16. laranja
17. aquária
18. semi-voz

Obs.: o álbum de estúdio também já possui uma Crítica aqui no blog. Para ler, só clicar aqui.


3 comentários

  1. Oi Irlna,
    Adoro o som da Maria Gadu! Sou louca para ir no show dela.
    Beijos

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    1. Eu também. Já fui em um show da época do segundo álbum, mas quero muito poder ir no do Guelã ❤

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  2. Ela nunca fez show em Santa Catarina?

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