21 junho 2016

[Crítica Musical] GUELÃ - Maria Gadú

Maria Gadú em seu novo álbum, GUELÃ (2015), entra em estado psicodélico-tropicalista, meio pop rock, meio experimental, distorcendo acordes de guitarra e a própria voz em 10 faixas inéditas, sendo nove compostas por ela e uma (a faixa TROVOA), que é de Maurício Pereira, de 2007.

Desde 2011 sem lançar nada essencialmente inédito por parte própria (após o albúm MAIS UMA PÁGINA), aparecendo com participações em álbuns alheios, e montando sua própria compilação de participações (NÓS – 2013), Gadú chega com tudo em 2015.

Inovador, GUELÃ começou a ser entregue aos fãs via rede social, onde, a cada avanço, uma parte de foto da capa era liberada pelo Instagram, e, quanto mais alto a porcentagem de conclusão, mais ansiosos os fãs ficavam – incluindo este que vos resenha. Ao fim, todas as pequenas fotos montaram a capa do álbum em questão.

Gadú se desconcerta de sua música, fugindo da zona de conforto musical atual e da “música para as massas” e explorando sons, sonoridades, ruídos, barulhos, batuques e tudo o mais. É possível ver, claramente, como a sonoridade nos remete às guitarras distorcidas de Los Hermanos – uma boa comparação, não uma crítica.

Explorando novas formas musicais, Gadú se apresenta mais poética e lírica em suas letras, quase como se, em algumas faixas, simplesmente recitasse suas próprias palavras, feito um mantra – foco para faixa SAKUDÉ, onde Gadú simplesmente vocaliza, e não pronuncia uma única palavra. Cantando também não é a mesma; as novas músicas apresentam um tempo diferente, melodia e tons novos, completamente diferente de todos os seus trabalhos anteriores. Ela está completamente renovada e, ouso falar, em sua melhor forma.

No geral, entre silêncios vocais e grandes presenças instrumentais, a poesia sonora fala mais alto que a voz da cantora. Para os acostumados à Maria Gadú dos álbuns anteriores, será preciso adaptar-se à nova sonoridade da cantora.

Apenas digo: “feche os olhos, mas deixe sua mente bem aberta!”. 

FAIXAS:

01. Suspiro
02. Obloco
03. Ela
04. Semi-voz
05. Trovoa
06. Sakédu
07. Tecnopapiro
08. Há
09. Vaga
10. Aquária
 

Um comentário

  1. Uau! Adorei. Tenho esse álbum há um tempo, porém nunca o pude ouvir ou me faltou interesse. Depois dessa resenha fiquei bem curioso. Eu acho bem legal que os cantores inovem assim, apesar disso ser bem arriscado por causa dos fãs, mas de qualquer forma acredito que ficou uma grande obra de arte.

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