[News] A bissexualidade debaixo de uma fé opressora

Romance sobre aceitação e liberdade traz a temática à discussão no Dia Internacional da Visibilidade Bissexual. Obra explora de forma íntima e autêntica a bissexualidade, em meio a padrões sociais e pressões de uma fé normativa e opressora

“É só uma fase.” “Você está confuso.” “Você é gay, mas tem medo de assumir.” “Você nunca estará satisfeito com uma só pessoa.” Frases como essas são ouvidas constantemente pela comunidade bissexual ao redor do mundo. Dia 23 de setembro, se celebra o Dia Internacional da Visibilidade Bissexual. O peso da neblina, a leveza do rochedo (Edições GLS, 160 p., R$ 58,90), romance de estreia do jornalista Franthiesco Ballerini no gênero, é um mergulho nas profundezas da vida de Daniel, cujo nome, em hebraico, significa “Deus é meu juiz”.

A obra desvela sua intensa e difícil jornada de descobrimento da sexualidade e da opressão por não se encaixar em padrões, imerso num universo familiar, escolar e pessoal que oprime fortemente sua aceitação. A obra não levanta bandeiras, mas transita por sentimentos genuínos que ecoam em jovens sufocados por modelos rígidos de masculinidade, num Brasil muito machista e que impõe padrões de comportamento a garotos e homens.

“O peso da neblina, a leveza do rochedo tem a contenção de quem sabe que o excesso emocional pode trair a experiência que tenta retratar. A intensidade está nas entrelinhas, nos detalhes, nos silêncios que Daniel aprende — a custo — a deixar de lado.” Aurora Cultural

O livro é permeado por questionamentos, negações e tentativas de ajustamento que marcam o processo, características comuns a quem atravessa o autoconhecimento. O trecho descrito na orelha dá a tônica do universo do protagonista: “Naomi foi o presente de Deus, o julgador, naquele primeiro ano do ensino fundamental. Tanto rezei que ela apareceu. Apesar de ainda não ter conseguido amigos garotos, eu estava curado. Meu corpo reagiu a Naomi, que se tornou a minha próxima obsessão a partir daquele dia. Era o lado certo, o aceno de Jesus, de Deus ou da natureza. Estava corrigido o defeito primordial, o pecado original; Alex e Luís eram passado. Deus todo‑poderoso, tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém!”

Contendo micro-histórias que iluminam seus inevitáveis contatos com a dor do preconceito e, depois, sua libertação, a jornada de Daniel é um fascinante caminho de autodescoberta que vai inspirar e encorajar os leitores que passam pelos mesmos dilemas, bem como educadores, comunicadores e famílias em geral. Entre amores, amigos, olhares, fofocas, prazeres furtivos, condenações duras e autopunições, Daniel vai encontrando seu caminho no mundo, tornando-se forte como um rochedo — e finalmente livre.

“Ballerini transita agora para a ficção com uma narrativa íntima e honesta. O livro não se propõe a ser um manifesto, mas sim um espelho de sentimentos genuínos que ecoam em jovens confrontados por modelos rígidos de masculinidade em um Brasil ainda profundamente machista.” Minas um Luxo

“(...) Daniel nos leva às primeiras dúvidas, aos primeiros traumas, às turbulências que seguem na adolescência, chegam ao mundo adulto e, finalmente, desaguam na autoaceitação — mais do que isso, no autorrespeito. Um livro com muitas histórias, que também são histórias de amor. De amores.”, descreve o prefácio de Cássia Janeiro, diretora da União Brasileira de Escritores e coordenadora da ONG Mães pela Diversidade. Assim ela avaliza a obra que corresponde ao catálogo das Edições GLS, selo pioneiro nas produções literárias para o público LGBTQIA+.

“O romance acompanha pequenas experiências que moldam o personagem entre rumores, paixões, constrangimentos, desejos reprimidos e episódios de preconceito. A narrativa se constrói a partir dessas micro-histórias até chegar ao processo de autoaceitação e autorrespeito.”
Gayblog

O autor

Franthiesco Ballerini é jornalista, doutor em Processos Comunicacionais e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Foi repórter e crítico de diversos veículos da mídia impressa e eletrônica. É autor de Diário de Bollywood; Cinema brasileiro no século 21; Jornalismo cultural no século 21; História do cinema mundial; Poder cultural e Poder suave (soft power), todos publicados pela Summus. Poder suave foi finalista do 60o Prêmio Jabuti. Ministrou cursos e palestras em universidades internacionais. Produziu o curta Legacy, para a Giorgio Armani, e o documentário Bollyworld. É roteirista e diretor de Nome e dirigiu o longa-metragem No armário. Este é seu primeiro romance.

Sobre o Grupo Summus 

Surgido em 1974 como Summus Editorial, o Grupo Summus é hoje um dos principais atores no mercado editorial brasileiro em publicações de não-ficção. A marca reúne, além da Summus Editorial, os selos Editora Ágora, Edições GLS, Selo Negro Edições, MG Editores, Plexus Editorial e Mescla Editorial, e constitui fundamental agente de difusão da ciência e da literatura. Psicologia, educação, comunicação, recursos humanos, comportamento, fisioterapia, saúde e bem-estar, literatura, diversidade, e protagonismo negro são algumas das áreas temáticas do catálogo. Para acompanhar as novidades e eventos, curta as redes sociais: Grupo Summus no Facebook , Instagram e X .

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