[News] Literatura e território: Livro mapeia a Paraty caiçara além do Centro Histórico

Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty, obra de Mírian Machado, acompanha como tradições de famílias vindas de comunidades costeiras e rurais foram recriadas em dois bairros na histórica cidade de Paraty, no Rio de Janeiro

Resultado da pesquisa de mestrado desenvolvida pela paratiense Mírian do Nascimento Machado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o livro Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty investiga a formação cultural de dois bairros urbanizados que raramente ocupam o primeiro plano das narrativas sobre o município.

Publicada pela Editora Multifoco, a obra acompanha como famílias vindas de comunidades costeiras e rurais levaram para esses territórios suas relações de parentesco, memórias, festas, modos de fazer e vínculos com a terra e o mar.

Conhecida internacionalmente pelo conjunto arquitetônico do Centro Histórico, pela biodiversidade e por eventos como a Festa Literária Internacional de Paraty, a cidade se expandiu para áreas formadas fora do circuito monumental e turístico. Parque da Mangueira e Ilha das Cobras receberam moradores de diferentes localidades do município e se tornaram espaços de encontro entre referências culturais tradicionais e novas dinâmicas sociais, econômicas e urbanas.

A presença caiçara aparece no livro por meio das relações entre moradores, da ciranda, da alimentação, dos quintais, das plantas medicinais, das celebrações comunitárias e das memórias transmitidas entre gerações. A pesquisa acompanha essas práticas dentro da cidade e observa como elas participam da construção cotidiana dos dois bairros.

Na leitura de Mírian, a cultura levada por essas famílias se adaptou às relações e às necessidades da vida urbana, incorporou novos hábitos e continuou funcionando como referência de identidade e pertencimento. O título da obra nasce justamente desse encontro entre o tradicional e a territorialidade contemporânea, construída pelas experiências, pelos afetos e pelos usos que os moradores fazem dos lugares onde vivem.

A investigação tem uma perspectiva profundamente ligada à trajetória da autora, que nasceu e cresceu no Parque da Mangueira. Moradora da rua que se tornaria um dos pontos centrais de suas ações culturais, Mírian articulou pesquisa acadêmica, memória familiar e interlocução direta com pessoas que participaram da formação dos dois bairros. O trabalho reúne referências teóricas e uma cartografia construída a partir da experiência de quem conhece o território por dentro.

Antes de concluir o mestrado em Comunicação pela UERJ, em 2025, Mírian construiu uma trajetória ligada à cultura, à educação e ao terceiro setor. Graduada em Serviço Social pela UFRJ e especialista em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio, atuou na escola popular de audiovisual Cinema Nosso e desenvolveu iniciativas para aproximar jovens de Paraty da formação gratuita em cinema. Desde que retornou ao município, em 2019, participou de projetos como a Remada Ecológica e o Arrastão do Jabaquara, dirigiu o Cinema da Praça e a Casa da Cultura de Paraty e passou a trabalhar com planejamento, gestão e governança no Observatório dos Territórios Saudáveis e Sustentáveis.

As questões levantadas durante a pesquisa deram origem a uma atuação permanente nos bairros. Em 2024, Mírian e a mãe, Marli Nascimento, fundaram o Instituto Manga, organização sediada no Parque da Mangueira que desenvolve iniciativas culturais, ambientais e tecnológicas voltadas prioritariamente aos moradores da Mangueira e da Ilha das Cobras, com atenção especial às mulheres e aos jovens.

“Tanto o Instituto quanto o Manga Festival surgiram de uma demanda do território, de repensar a sua importância e de valorizar a sua cultura presente nos moradores e nas rotinas”, afirma Mírian.

Criado no mesmo ano, o Manga Festival levou os temas da pesquisa para as ruas. Sua primeira edição apresentou a mostra fotográfica Territorialidades Daqui, formada por imagens da cultura e da vida cotidiana dos dois bairros. Uma chamada pública recebeu 47 fotografias, das quais 14 foram selecionadas e instaladas nas fachadas de casas da Rua Leonides Lengrubiler de Azevedo, no Parque da Mangueira. O percurso transformou a rua em uma galeria a céu aberto e envolveu diretamente os moradores na construção da exposição.

A segunda edição ampliou o circuito para 29 fotografias e incorporou ações dedicadas à memória local, entre elas a homenagem ao mestre cirandeiro João de Deus, a instalação de placas em residências ligadas à história do bairro, um desfile de estudantes pelas ruas da Mangueira e o tombamento afetivo do pé de manga que permanece como referência para a origem do nome do bairro.

O recorte desenvolvido por Mírian alcança questões enfrentadas por cidades históricas de diferentes partes do mundo, como a convivência entre turismo e vida cotidiana, a participação das comunidades na construção do patrimônio e o direito dos moradores de contar a história dos lugares onde vivem. Em Paraty, reconhecida pela Unesco como patrimônio misto de cultura e biodiversidade, o livro aproxima a projeção internacional do município das experiências culturais mantidas por sua população.

Apresentado ao público em julho de 2026, durante a programação da Casa Paraty na Flip, Parque da Mangueira e Ilha das Cobras constrói sua narrativa a partir de bairros pouco presentes na imagem turística da cidade. Ao acompanhar a cultura caiçara dentro desses espaços urbanizados, a publicação oferece elementos para compreender como memória, urbanização e pertencimento participam da formação da Paraty contemporânea.

Mírian do Nascimento Machado está disponível para entrevistas sobre o livro, a pesquisa, a formação dos bairros, a cultura caiçara urbana e as ações desenvolvidas pelo Instituto Manga. Solicitações de exemplares para resenha podem ser encaminhadas à assessoria de imprensa.

Sobre o livro

Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty

Autora: Mírian do Nascimento Machado 
Editora: Multifoco 
Ano: 2026 
Preço: R$ 70 
Venda: loja virtual da Editora Multifoco

Sobre Mírian Machado 


Nascida e criada em Paraty, Mírian do Nascimento Machado é pesquisadora, ativista territorial e empreendedora sociocultural. Mestra em Comunicação pela UERJ, especialista em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio e graduada em Serviço Social pela UFRJ, atua desde 2006 em organizações sociais e culturais.

Em 2024, fundou o Instituto Manga e idealizou o Manga Festival, iniciativas dedicadas à memória, à cultura, ao meio ambiente e ao desenvolvimento dos bairros Parque da Mangueira e Ilha das Cobras.

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