[News]Espetáculo musical “Brasil em Revista” revisita a história brasileira pelo olhar da resistência popular

 

Espetáculo musical “Brasil em Revista” revisita a história brasileira pelo olhar da resistência popular

Montagem do CPC-UMES reúne 16 atores, quatro músicos e mais de 25 músicas para percorrer episódios históricos pouco conhecidos de resistências populares desde a invasão do Brasil até o golpe de 1964

 

cid:image001.jpg@01DD0243.F13F3A20

 

 

Cena do espetáculo Brasil em Revista Foto Vitor Solemar

Quem conta a história do Brasil? Em Brasil em Revista, novo espetáculo do CPC-UMES com direção geral de Alexandre Kavanji, a resposta passa longe dos personagens tradicionalmente celebrados nos livros didáticos. Em vez de reis, imperadores e presidentes, a montagem coloca no centro da cena aqueles que resistiram aos processos de exploração, dominação e exclusão da narrativa oficial ao longo da formação do país.

Com estreia em 2 de julho de 2026 no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista, o espetáculo reúne 16 atores e atrizes e uma banda ao vivo formada por quatro músicos para contar, cantar e dançar mais de cinco séculos de história brasileira. Entre cenas, músicas, humor e crítica política, a obra percorre episódios históricos sob o ponto de vista de personagens frequentemente ausentes da narrativa oficial.

“Partimos sempre do ponto de vista da resistência”, explica a co-dramaturga e assistente de direção Rebeca Braia. “São histórias que muitas vezes não aparecem quando aprendemos sobre a formação do país. A gente vai mostrando essas lutas e, ao mesmo tempo, a construção da cultura popular brasileira, porque entendemos que resistência e cultura caminham juntas.”

Ao longo de oito quadros, o espetáculo passa por momentos históricos diversos. Em vez de Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz de Caminha como heróis do chamado descobrimento, a cena enfatiza a invasão colonial e seus desdobramentos. Na resistência à ocupação holandesa, ganham destaque as mulheres de Tejucopapo, povoado pernambucano que, segundo registros históricos, expulsaram invasores holandeses no século XVII. Na Abolição, a voz principal é a do escritor e ativista José do Patrocínio, e não a da princesa Isabel.

“O foco está em personagens pouco lembrados, mas fundamentais para entender o Brasil”, afirma Alexandre Kavanji. “São histórias de gente comum que resistiu e lutou. É uma perspectiva diferente daquela que normalmente é contada.”

A encenação utiliza referências do teatro de revista brasileiro, da comédia popular, da commedia dell’arte e do teatro épico-dialético de Bertolt Brecht. O resultado é uma montagem que dialoga diretamente com o público, alternando sátira, narração, música e cenas históricas.

Música como elemento dramatúrgico

A música ocupa papel central na encenação. Mais do que acompanhar a ação, as canções integram a própria construção dramatúrgica. O repertório reúne cerca de 25 números musicais inspirados em manifestações da cultura popular brasileira, como maracatu, samba, aboio, xote, marchinha de carnaval e bumba meu boi.

As composições são, em sua maioria, assinadas pelo maestro e compositor Marcus Vinícius de Andrade, figura histórica ligada ao Movimento de Cultura Popular do Recife e ao Centro Popular de Cultura. A direção musical é de Léo Nascimento.

“A música não está ali como adereço”, destaca Kavanji. “Ela complementa e desenvolve a narrativa. As letras ajudam a contar a história.”

No palco, os instrumentos dialogam com essa diversidade cultural. A banda é formada por violão, trombone, percussão e acordeon, acompanhando um grande coro composto pelo elenco.

Diálogo com a história do teatro político brasileiro

Além de revisitar a história nacional, Brasil em Revista também presta homenagem à trajetória do próprio teatro político brasileiro e aos 30 anos do CPC-UMES, celebrados recentemente pela instituição.

A montagem estabelece pontes com experiências históricas como o Teatro de Arena, o Movimento de Cultura Popular do Recife, o CPC da UNE e o Teatro Opinião. Trechos de obras ligadas a esses movimentos aparecem incorporados à dramaturgia.

O espetáculo culmina em uma cena inspirada nos acontecimentos de 31 de março de 1964, quando a sede da UNE, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi atacada e incendiada nos primeiros momentos do golpe militar. O episódio marcou a destruição do espaço onde funcionava o CPC da UNE, experiência fundamental para a cultura brasileira do período.

“A gente faz uma homenagem aos nossos antecessores”, afirma Rebeca Braia. “É uma forma de reconhecer que o trabalho realizado hoje pelo CPC-UMES dialoga diretamente com essa tradição de arte, cultura e participação popular.”

Com humor, música e uma grande celebração da diversidade cultural brasileira, Brasil em Revista propõe um olhar crítico sobre o passado e o presente do país, reafirmando o papel da arte como espaço de memória, reflexão e resistência.

Sinopse

Brasil em Revista conta, canta e dança a história do Brasil por meio de episódios marcados pela resistência popular. Inspirado no teatro de revista, no teatro épico e na cultura popular brasileira, o espetáculo reúne 16 atores, atrizes e quatro músicos em uma jornada que atravessa diferentes períodos históricos, combinando humor, música e reflexão crítica sobre a formação do país.

Ficha Técnica

Elenco: Adriana Coppi, Alexandre Krug, André Barros, Arthur Lopez, Aylla Ferreira, Camila Sipriano, Catarina Neves, João Ribeiro, Junior Fernandes, Marcio Ribeiro, Ricardo Mancini, Nathiele, Rebeca Braia, Telma Dias, Valentina Macedo e Vitória Silva.

Banda: Adilson Camarão, André Tinoco, Léo Nascimento e Lisiane Martins

Direção Geral: Alexandre Kavanji

Dramaturgia: Marcus Vinícius de Andrade, Valério Bemfica e Rebeca Braia

Excertos dos textos: Auto dos 99% e Auto do Relatório (criações coletivas do CPC da UNE) e Doutor Getúlio, sua Vida e sua Glória (Dias Gomes e Ferreira Gullar)

Músicas: Marcus Vinícius de Andrade, Léo Nascimento e Valério Bemfica

Músicas Incidentais: Sinherê (Edu Lobo e Giangrancesco Guarnieri), Muriquinho (Folclore), Abra as asas sobre nós (Niltinho Tristeza, Preto Joia, Vicentinho e Jurandir), "Gê-e-Gê" (Seu Getúlio) (Lamartine Babo), Retrato do Velho (Haroldo Lobo e Marino Pinto), Ele Disse (Edgar Ferreira)

Direção Musical: Léo Nascimento 

Assistência de Direção: Rebeca Braia

Direção de elenco: Ney Piacentini

Orientação de Comicidades: Ednaldo Freire

Preparação Corporal e Orientação de Movimento: Alício Amaral e Juliana Pardo

Figurinos, Cenografia e Adereços: Victória Moliterno

Costura e assistência de adereços: Marcelo Leão

Cenotécnico: Júlio Dojcsar 

Iluminação: Alexandre Kavanji e Luisa Lopes

Operação de iluminação: Luisa Lopes

Fotografias e Imagens: Vitor Solemar, Danilo Ribeiro, Maria Clara Pereira, Fernanda Villaça

Identidade Visual e Artes Gráficas: Apolo Longhi

Produção Executiva: Dudu Oliveira

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Equipe de Produção CPC-UMES: Ana Letícia Oliveira, Maria Clara Pereira, Danilo Ribeiro, Fernanda Villaça, Gabriela Barbosa, Júnior Fernandes, Leonardo da Vincci, Luisa Lopes, Vitor Solemar.

 

ESTE ESPETÁCULO FOI REALIZADO COM O APOIO DO MINISTÉRIO DA CULTURA/SECRETARIA DO AUDIOVISUAL

 

Serviço

Brasil em Revista

Duração: 120 minutos | Classificação indicativa: 14 anos
Local: Cine-Teatro Denoy de Oliveira - Rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista – São Paulo

Temporada: de 2 de julho a 12 de setembro de 2026
Quintas e sextas, às 19h e sábados às 20h

Entrada gratuita - Reserva e retirada de ingressos: Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da peça; as reservas podem ser feitas pelo telefone (11) 3289-7477, mas precisam ser retiradas com até 30 minutos antes do início do espetáculo, depois disso perdem a validade. 

 

Assessoria de imprensa

Canal Aberto Comunicação
www.canalaberto.com.br
Instagram @canal_aberto

Nenhum comentário