[Crítica] Anatomia do Caos
Sinopse: Com acesso inédito ao Senado, a diretora Dandara Ferreira acompanha de dentro a trajetória completa da CPI da Covid-19 e transforma esse material exclusivo em um registro cinematográfico de um dos momentos mais marcantes da Pandemia no Brasil.
O que achei? O documentário Anatomia do Caos é um exercício de memória de um passado não muito distante que veio no timing certo em pleno ano eleitoral cheio de escândalos de corrupção e lutas internas entre os partidos que acabam por apagar o descaso governamental, perdas, sofrimentos e crises sanitárias durante os dois anos de pandemia no Brasil.
Anatomia do Caos relembra as desinformações e descaso do governo do agora condenado Jair Bolsonaro e seus aliados e seguidores que pioraram o combate à pandemia e resultaram em cerca de 700.000 vidas perdidas, focando na CPI da Covid e seus bastidores, CPI esta que foi liderada por políticos de vários partidos e diferentes ideologias
Dandara Ferreira mostra a CPI sendo liderada por políticos de vários partidos e ideologias contra o governo Bolsonaro, mostrando eventos da época como prova de como o governo foi irresponsável ao lidar com a pandemia, mas com uma narrativa simples, sem tecnicismos que poderia fazer o longa enfadonho, frio e difícil de entender a mensagem.
Faz parte dessa narrativa o lado emocional de vidas que foram afetadas pelo descaso mostrando imagens e depoimentos de pessoas que perderam entes queridos para o Covid, dando voz à indivíduos que foram retratados como estatísticas e números e onde narrativas opostas tomaram o lugar dessas vidas.
Anatomia do Caos é um conjunto de como o país passou por uma crise de saúde de nível global durante um governo negacionista, que colocou sua ideologia e sede de poder e ganância sobre vidas humanas e que – apesar do que passamos na pandemia se tornar uma memória cada vez mais distante em meio a tantos outros escândalos atuais envolvendo personagens deste mesmo governo – seus meios de operação e manipulação estão presentes até hoje em outros aspectos do cenário político e social.
A conclusão é que devemos ficar atentos e não esquecer dessa história para que ela não se repita seja em outra crise sanitária ou ameaça à nossa democracia.
Com distribuição da Descoloniza Filmes, filme estreia hoje, no dia 2 de julho, com circuito de exibições seguidas de debate pelo Brasil.
Trailer:


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