[Crítica] O Bolo do Presidente
A película de 1h 40min, com estreia nos cinemas brasileiros dia 04/06 foi produzida pelo Iraque, o Catar e os Estados Unidos numa coprodução, escrita e dirigida pelo cineasta iraquiano Hasan Hadi. Ganhou a premiação Caméra d'Or e traz consigo outras indicações. O longa mistura drama e neorrealismo, apesar de alguns elementos terem de fato acontecido, a história principal é ficcional, nos fazendo refletir se estamos a caminho de cometer os mesmos erros atualmente.
O filme "O Bolo do Presidente" inicia nos localizando no Iraque nos anos 90, 2 dias antes do aniversário do então presidente, Saddam Hussein (28/04). O político governava o país com mãos de ferro, o que acabou gerando violações aos direitos humanos. Devido a essa situação, a ONU criou sanções no país, que consequentemente geraram dificuldades ainda maiores ao Iraque, que agora tinha difícil acesso a comida e remédios. Apesar disso, o ditador ordena todos os anos ao país que todos celebrem com ele seu aniversário, não se incomodando com a atual dificuldade que a maioria da população está passando. As homenagens incluíam desfiles nas ruas e dentro das escolas eram organizadas festas, nas quais as crianças cantavam hinos sobre o louvor de Saddam Hussein.
Lamia, nossa protagonista, vai à escola e acaba sendo sorteada em sua sala de aula com a responsabilidade de trazer o bolo, a qual é composto de farinha, ovos e açúcar, itens de difícil acesso naquele momento.
A avó de Lamia é sua única responsável viva e leva a garota e seu fiel galo para a cidade a fim de entregá-la a uma conhecida por não ter mais condições de mantê-la após perder seu emprego naquela manhã e agora a responsabilidade de fazer o bolo recai sobre ela, pois, caso Lamia voltasse para a escola sem o bolo, seriam ambas penalizadas de forma severa. A pequena não aceita a situação por amar demais a sua velha avó e sai peregrinando pela cidade em busca dos ingredientes do bolo de aniversário. Durante sua jornada, encontra-se com seu amigo Saed ao acaso e parte para encontrar os ingredientes e agora também as frutas, visto que Saed foi sorteado com a responsabilidade de trazer frutas frescas para a festa na escola.
A todo momento que acompanhamos a dupla de crianças, presenciamos uma terra em meio à guerra, com militares armados nas estradas, nas ruas e aviões de caça sobrevoando a cidade. Presenciamos a escassez de comida, o açúcar virou um item de luxo, sendo quase impossível conseguir 2 xícaras para a receita. Lamia, apesar de corajosa por sair por aí em busca de seu bolo, acaba sendo muito ingênua e isso acaba causando uma gastura enorme no telespectador que está a todo momento torcendo pela menina. Todo o desenrolar da história é penoso, pensando que os ingredientes que naquele momento parecem ouro, hoje desperdiçamos sem pensar muito e pensar que crianças estão sendo expostas a coisas que não lhe cabem nessa idade tão pequena é de cortar o coração.
Para os fãs de filmes neorrealistas, ou seja, filmes que retratam a realidade social, nesse caso do Iraque nos anos 90, com certeza é um prato cheio. É possível sentir na pele como foi a realidade de muitos sendo capturadas pelo roteiro capaz do Hasan Hadi. Acredito ser uma possível indicação a grandes prêmios devido a seu potencial, a atuação de ambas as crianças é impecável, em determinados momentos demonstrando tanta maturidade na atuação quanto de atores adultos, dando destaque à última cena que fechou a sessão com chave de ouro para brilharem em futuras produções.
Confira o Trailer:

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