06 agosto 2017

[Crítica Musical] Amy Winehouse - Back to Black


A voz mais importante e poderosa da música da década passada tem nome e sobrenome que com certeza todos já, pelo menos, ouviram falar: Amy Winehouse, dona de uma identidade visual e musical extremamente originais, a cantora responsável pela segunda invasão britânica no cenário musical mundial, que chegou para fazer e ficar na história, misturando o jazz clássico com elementos ska e urban modernos. A inovação na época moderna através por elementos vintage.

Muito além de sua imagem inspirada na década de 60, nas pin'ups, com maquiagem pesada nos olhos e cabelos armados, tatuagens e saltos altos, a música de Amy era seu maior dom. suas composições extremamente pessoais e confessionais, intimas no mais alto nível, e o seu segundo álbum multi-premiado Back to Black, lançado em 2005, traz Amy em sua melhor forma.

O álbum, massivamente inspirado em sua conturbada relação com Blake Fielder-Civi, tornou-se um dos álbuns mais importantes da música mundial. Nele temos uma mulher apaixonada ao extremo, que ama e sofre na mesma medida intensa; na verdade, não há medida para os sentimentos da cantora.

Um grande exemplo é a faixa título do álbum, cujo refrão deixa claro o conturbado caso de amor com Blake, que na época era comprometido:

“Nós apenas nos despedimos com palavras / eu morri umas mil vezes / você volta para ela / e eu volto à tristeza”

Mas esse relacionamento não é o único assunto do álbum. Em Rehab, faixa que abre o álbum e primeiro single lançado, trata de um momento pessoal na vida de Amy Winehouse, sendo um relato oficial de sua ida a reabilitação para tratar seu alcoolismo – muito antes de todo drama começar a acontecer na vida de Amy. E por falar vícios, a faixa Addicted trata exatamente do uso de drogas pela cantora, de forma totalmente descontraída. O álbum consegue equilibrar bem as músicas e as melodias, balanceando ritmos mais animados, como a Tears Dry On Their Own, com faixas extremamente melancólicas, com a lindíssima I Wake Up Alone, uma das faixas que mais transparecem a solidão da artista, e também a icônica Love Is A Losing Game, que para mim, é sua melhor balada. E mesmo tendo faixas um pouco mais animadas em suas melodias, as letras continuam sendo lamentos, de alguma forma. Para quem acompanhava a carreira da artista, pode entender essa aparente desconexão entre letra-melodia, visto que Amy Winehouse se mostrava, em suas entrevistas, divertida, espontânea e extrovertida.


O canto de Amy Winehouse, nessa atmosfera retrô criado pelo álbum, transborda emoção, inunda de sentimento e comove qualquer um que se atreva a ouvir atentamente aos relatos tão confessionais dessa cantora incrível. Acredito que nem tão cedo um álbum tão poderoso como essa será lançado e alcançara tamanho sucesso.

Tracklist:

1. Rehab
2. You Know I'm No Good
3. Me & Mr Jones
4. Just Fiends
5. Back To Black
6. Love Is a Losing Game
7. Tears Dry O Their Own
8. Wake Up Alone
9. Some Unholy War
10. He Can Only Hold Her


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