08 agosto 2017

[Crítica] Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

O que eu achei?
Eu estava louco para ver esse filme, simplesmente doido. Desde que fiquei sabendo da sua produção e toda sua promessa de mostrar-se uma senhora ficção científica e os trailers exorbitantes cheios de efeitos incríveis, contei os meses para que finalmente pudesse assisti-lo. Com expectativas tão altas e praticamente incontroláveis, é fácil reconhecer que a queda de tamanha magnitude também serie cataclísmica, que é o caso de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Baseado na série de HQs francesa Valerian, agente espaço-temporal que em 2007, aniversário de quarenta anos da criação, foi renomeada para Valerian e Laureline, o filme de Luc Besson muito oferece e pouco cumpre em suas exacerbadas duas horas de duração. Os primeiros vinte minutos do filme introduzem um planeta paradisíaco e a vida cotidiana de uma raça alienígena que o habita. Embasa rapidamente seu sistema hierárquico, o modo como seus habitantes precisam suprir as necessidades do planeta para que ele continue existindo em perfeita harmonia e seu fim trágico nas mãos de conflitos externos. Essa é a parte mais linda e interessante de todo o filme.

A relação de Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) é muito mal desenvolvida, tanto como casal quanto individualmente. Parte-se do ponto que eles possuem um relacionamento pouco especificado, até que ela a pede em casamento. Sem defini-los como personagens antes de junta-los, deixando a sensação de pegar o bonde não andando, mas desgovernado no meio de uma perseguição em alta velocidade. Durante todo o transcorrer da trama, preocupa-se mais em proporcionar cenas de ação desenfreadas e ambientações imagéticas que em algum momento parar para suprir a necessidade gritante de uma injeção de carisma nos personagens ou simplesmente construir sua relação de forma clara.

Mesmo que conte em certo ponto, isso não se dá primordialmente pelas atuações: Cara até que está ok se comparada à sua participação tímida em Esquadrão Suicida e gosto bastante do trabalho de Dane desde Versos de Um Crime. Contudo o problema é visível na edição das cenas, nos cortes. Não favorecem seus diálogos e as piadinhas que, mesmo fracas, poderiam funcionar se usadas corretamente.

Uma coisa é inegável: a estética é impressionante. A qualidade gráfica é mantida em todo o decorrer do filme, com cenas de ação muito bem feitas e apresentação de múltiplas formas de vida diferentes e muito distintas entre si. Outro ponto muito relevante é a personagem de Rihanna. Mesmo que seu tempo total em cena talvez não cumpra dez minutos do todo, Bubble é com certeza o que mais me entreteve em todo o filme.

O grande problema de Valerian e Cidade dos Mil Planetas é sua falta de integração. É altamente perceptível que o foco é totalmente gráfico, não permitindo espaço algum para uma narrativa bem articulada. Sendo assim, sua trama é fraca e se permite escorregar para os lados, deixando a sensação de não mostrar a história inteiriça, mas fragmentos soltos que não se interligam no plano final. E isso não é nada novo, quase todo filme que, como este, promete tornar-se uma grande referência em efeitos especiais peca neste mesmo quesito. Me deixa pensando: quão difícil é fazer um filme que seja tão bom visual quanto intelectualmente?

Trailer:


Escrito por Julio Gabriel

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