[Teatro] Pela primeira vez em São Paulo, EDWIN LUISI estreia nova montagem da peça Eu Sou Minha Própria Mulher em 11 de setembro no Teatro FAAP. Direção de Herson Capri

 

Inédita em São Paulo, Eu Sou Minha Própria Mulher chega na cidade para concretizar desejo antigo de Edwin Luisi (“Meu maior sonho é apresentá-la aqui”). O frescor da nova encenação poderá ser conferido na temporada do Teatro FAAP, de 11 de setembro a 29 de novembro, com sessões às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 17h. O espetáculo será apresentado pela primeira vez em São Paulo quase duas décadas após sua celebrada estreia, em 2007, ano em que Edwin Luisi foi consagrado com os prêmios Shell e APTR, de Melhor Ator, além do Qualidade Brasil, na categoria Melhor Ator Teatral de Drama. No ano seguinte, o espetáculo também recebeu o Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo, na categoria Segundo Caderno/Teatro. O monólogo preserva sua essência original e dialoga diretamente com o presente, em um convite à empatia, à reflexão sobre identidade e à celebração da coragem de existir.

"Antes de mais nada, é necessário dizer que essa é uma releitura, uma outra produção. Alguns profissionais mudaram, o texto foi atualizado. Inclusive a forma como eu encaro o texto é diferente daquela época, passaram-se muitos anos. Nesse meio tempo, tivemos muitas mudanças no mundo, sobretudo uma pandemia, que marcou a todos nós. E vejo o texto hoje muito mais atual do que na época, porque fala de identidade, resistência, da liberdade de ser o que se é. Hoje tem muito mais campo para esse tipo de narrativa, é uma pauta importantíssima em qualquer lugar do mundo. Na época em que montei, essas coisas ainda estavam muito diluídas.", reflete Edwin Luisi.


20 personagens

Em cena, Edwin dá vida a 20 personagens para narrar a trajetória real e extraordinária de Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), uma figura histórica que atravessou alguns dos períodos mais sombrios do século XX mantendo viva sua identidade, sua memória e sua liberdade de ser.

Baseado em uma série de entrevistas concedidas por Charlotte ao autor Doug Wright, o espetáculo busca não apenas retratar uma trajetória individual, mas iluminar os mecanismos de opressão e, sobretudo, a força da resistência. Charlotte não é apresentada como heroína clássica, mas como alguém que escolheu existir plenamente, mesmo quando o mundo insistia em negá-la.


Sinopse

A peça começa quando o autor Doug Wright assiste a uma palestra de Charlotte von Mahlsdorf e, encantado com ela e sua história, escreve-lhe uma carta pedindo autorização para criar uma peça sobre sua vida. Charlotte aceita e começa a lhe conceder uma série de entrevistas. Nascida em 1928 sob o nome de Lothar Berfelde, desde jovem se afirmava como mulher e assim viveu, assumindo sua identidade feminina em meio à violenta sociedade nazista. Os encontros entre Doug e Charlotte são intercalados por memórias e novos acontecimentos, que vão surpreendendo e transformando o olhar e os relatos de Doug. “O espetáculo não segue uma cronologia, vai e volta no tempo. Esta é a mágica do teatro porque ela [Charlotte] faz todos os personagens citados nas entrevistas. O ator que vive a Charlotte e que vive o Doug, os dois estão em cena, e ela vai vivenciando as histórias das pessoas que passaram por sua vida”, detalha Edwin.

 

Corpo e voz, observação e pesquisa

A preparação sempre começa pela observação e pela pesquisa. Cada personagem exige do ator um caminho diferente. “Procuro entender profundamente quem é aquela pessoa, sua história, seu comportamento, sua maneira de pensar e, a partir daí, encontrar no meu corpo e na minha voz os elementos que possam revelar esse universo. “A voz, o corpo, o ritmo, o olhar e até a respiração são ferramentas fundamentais. Mas acredito que o mais importante é não ficar apenas na caracterização externa. É preciso encontrar a verdade daquele personagem, porque é ela que faz com que as diferenças sejam percebidas pelo público de uma maneira orgânica.”

Edwin sente que está vivendo um momento especial e, principalmente, muito consciente de sua trajetória. “Tenho uma história de muitos anos na profissão, com personagens, experiências e aprendizados muito diferentes, e hoje sinto que consigo aproveitar tudo isso com uma maturidade artística maior. Estar novamente em cena, encarando um trabalho tão desafiador e tendo a oportunidade de dialogar com o público de maneira tão direta, é um privilégio. Então, mais do que dizer que estou vivendo um momento magnífico, eu diria que estou vivendo um momento de muita gratidão, realização e liberdade artística.”


A montagem

Sozinho em cena e sem recorrer a artifícios, valendo-se basicamente da sua interpretação, Edwin Luisi dá vida a mais de vinte personagens que cruzam a trajetória de Charlotte - seu pai, seu amante, oficiais nazistas, o próprio autor da peça e outros tantos. "Tive de buscar vozes, tipos, tiques, características próprias de cada um", conta o ator. À época, a crítica Barbara Heliodora escreveu: "Edwin Luisi tem um trabalho de alta categoria, cujo maior mérito é a justa medida de tom e gesto nas incontáveis composições que chegam ao requinte de variar sotaques, falar bom e mau alemão". No Jornal do Brasil, Macksen Luiz escreveu que “o ator escapa das armadilhas caricaturais de criar uma travesti, destacando o detalhamento corporal e vocal da interpretação”.

 


A direção de Herson Capri

A direção de Herson Capri privilegiou o trabalho de ator. “No monólogo, é o ator que comanda, e Edwin está brilhante. É de um talento imenso, tem recursos de interpretação fantásticos e, ao mesmo tempo, é empenhado, gosta do ofício e vai fundo no estudo. “É um dos melhores trabalhos que já vi na vida.” Herson já trabalhara com Edwin em 1975, em São Paulo em uma montagem de Antunes Filho para a peça Ricardo 3º. Reencontraram-se depois no Rio em outros quatro espetáculos, os dois como atores. Em 2007 aceitou o convite de Edwin para dirigi-lo nessa peça. “Fizemos uma remontagem, uma nova encenação, com cenário diferente e adaptações”, diz Herson. Feliz com a equipe, o diretor ressalta o trabalho dos criativos - Marcelo Marques no figurino e cenografia; Aurélio de Simoni na iluminação; e Cláudio Andrade, na produção e assistência de direção. “Foi uma honra e uma alegria dirigir essa peça, fiquei muito satisfeito com o resultado da montagem.”


A primeira montagem

“Eu Sou Minha Própria Mulher” é um dos maiores sucessos do teatro contemporâneo brasileiro. Com texto (vencedor do Prêmio Pulitzer) do dramaturgo texano Doug Wright, o solo consagrou-se como um marco na longa carreira de Edwin Luisi, que acumula dezenas de peças, pelas quais já ganhou os prêmios Shell, Mambembe, APCA, APTR, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Quality Brasil de Melhor Ator.


Da produção

Como produtor, Cláudio Andrade também enxergou uma oportunidade, “a de apresentar essa nova fase do espetáculo para uma nova geração de público, sem perder a memória e a força da montagem original. É um projeto feito com muito respeito à história da peça, mas também com um olhar absolutamente contemporâneo”. A ideia nasceu de uma vontade muito forte de revisitar um trabalho que marcou profundamente a trajetória do Edwin Luisi e que, para mim, continua extremamente atual. Eu Sou Minha Própria Mulher é um espetáculo que fala sobre identidade, liberdade, resistência e sobre a capacidade humana de se reinventar. Quando percebemos que haviam se passado 18 anos, entendemos que não seria simplesmente remontar a peça, mas reencontrar esse personagem e essa história a partir do Edwin de hoje, com toda a experiência e maturidade que ele acumulou ao longo dessas décadas de carreira.” Depois das temporadas no Rio de Janeiro, a peça passa por Fortaleza e Niterói antes de chegar a São Paulo. “Para mim, como produtor, é muito emocionante acompanhar esse percurso. Cada cidade tem uma relação diferente com o espetáculo, e ver a resposta do público mostra que a história continua encontrando eco, mesmo 18 anos depois. Nosso desejo é justamente esse: continuar viajando, levando o teatro para diferentes públicos e mantendo viva uma obra tão especial.”


 

DOUG WRIGHT - autor

Doug Wright (1962) é um dramaturgo, libretista e roteirista estadunidense, conhecido por seu extenso trabalho no teatro. É vencedor dos prêmios Pulitzer e Tony, entre outros. Wright ganhou reconhecimento ao receber o Prêmio Obie de Melhor Dramaturgo por sua peça Quills (1995), sobre os últimos dias do escritor francês Marquês de Sade. Em 2.000, ele a adaptou para o cinema, com o mesmo nome, recebendo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Roteiro. Também recebeu o Prêmio Pulitzer de Drama e o Prêmio Tony de Melhor Peça por seu texto de estreia na Broadway, “I Am My Own Wife” (2004). Wright recebeu uma indicação ao Prêmio Tony de Melhor Libreto de Musical por “Grey Gardens” (2006), baseado no documentário homônimo de 1975. Continuou escrevendo para o teatro musical, fazendo adaptações para os musicais da Broadway “A Pequena Sereia” (2007), “Hands on a Hard Body” (2012) e “WarPaint” (2017). Retornou às peças em prosa escrevendo “Posterity” (2015) para o circuito off-Broadway e “Good Night, Oscar” (2023) para a Broadway. Escreveu o roteiro do filme de drama jurídico da Amazon Prime, “The Burial” (2023).

 


HERSON CAPRI – diretor

Herson Capri atuou em 32 novelas, 11 séries, 23 filmes e 39 peças como ator. Como diretor, 7 peças e 2 séries; como produtor, 2 filmes e 9 peças. Começou a fazer teatro no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba. Mais tarde, já morando em São Paulo e cursando a Faculdade de Economia na Universidade de São Paulo (USP), passou a estudar Teatro, na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Sua estreia na TV aconteceu na novela “A Vila do Arco”, adaptação de “O Alienista”, de Machado de Assis, na TV Tupi. Seguiram-se outras tramas e, depois de “Os Imigrantes”, na Band, foi convidado para atuar em “Elas Por Elas”, de Cassiano Gabus Mendes, em 1982, quando ingressou na Globo, para atuar em dezenas de novelas ao longo de 37 anos. Por sua atuação na novela “Órfãos da Terra” foi indicado ao Prêmio APCA de Melhor Ator. Recentemente esteve no ar na novela “Beleza Fatal”, grande sucesso da HBO, e no remake de “Vale Tudo”, na TV Globo. Participou de espetáculos como o musical “A Noviça Rebelde”, direção de Charles Möeller e adaptação de Claudio Botelho, em 2008, e “Conversando com Mamãe”, do argentino Santiago Carlos Oves, contracenando com Beatriz Segall, em 2010. Nas direções teatrais, a remontagem de “Querida mamãe”, de Maria Adelaide Amaral, em 2012, ao lado de Susana Garcia. Recentemente atuou no sucesso teatral “Memórias do Vinho”, de Jandira Martini, ao lado de Caio Blat. Atualmente está em cartaz ao lado de Natália do Vale na peça "A Sabedoria dos Pais”.

 

EDWIN LUISI – ator

Edwin Luisi é formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e também se dedicou aos estudos de História da Arte. Com uma vasta carreira no teatro, destacou-se em peças como "Ninguém Dirá Que É Tarde Demais", ao lado de Arlete Salles, "Amadeus", "Tome Conta de Amélie", "À Margem da Vida", "Tango Bolero e Chá Chá Chá", e, especialmente, "Eu Sou Minha Própria Mulher", que rendeu a Edwin Luisi o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator Teatral de Drama e pelo qual recebeu o Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo. Atuou também em "Os Executivos", "A Resistência", "Freud no Distante País da Alma", "Nossas Mulheres" e muitas outras, acumulando prêmios por suas atuações. Reconhecido como um dos maiores nomes do teatro e da televisão brasileira, Edwin Luisi traz uma carreira de mais de 50 anos, premiado com Shell, APTR e Molière.

Tornou-se um ícone ao marcar época na televisão e em grandes montagens teatrais. Em "Eu Sou Minha Própria Mulher", atinge o auge de sua versatilidade, dando vida a 20 personagens, reafirmando-se como um ícone absoluto dos palcos e das telas. No cinema, atuou em "O Judeu", "Aleijadinho" e outros longas. Nos palcos, brilhou no musical "Barbaridade", com textos de Luís Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura. Na TV, estreou na TV Tupi, em "Camomila e Bem-Me-Quer". Entre seus quase 50 trabalhos, Edwin ficou mundialmente conhecido ao viver Álvaro, par romântico de Lucélia Santos na emblemática novela “Escrava Isaura”, de Gilberto Braga. Esteve ainda em outros trabalhos marcantes como “O Astro”, “Dona Beja”, “Mulheres de Areia”, “Sinhá Moça”, “Por Amor”, “Paraíso Tropical”, e mais recentemente em “A Lei do Amor” e “Família É Tudo”, entre outros.

 

CHARLOTTE VON MAHLSDORF

Charlotte von Mahlsdorf é reverenciada como pioneira na luta pelo direito das pessoas trans e LGBTQIAPN+ de uma forma geral. Vivendo no século XX, quando os direitos dessas pessoas ainda não eram discussão nem estavam garantidos, sua existência levantou apontamentos sobre direitos civis e sociais. Nascida em 1928 na Alemanha, foi batizada com o nome masculino Lothar Berfelde. Desde jovem afirmava sentir-se frágil e preponderantemente como do sexo feminino, além de ter interesse por coisas antigas e roupas femininas. Seu pai, por outro lado, membro do Partido Nazista desde a década de 1920, era violento não via com bons olhos a identidade da filha, desejando torná-la um soldado, especialmente como forma de manter sua masculinidade. Em 1942, foi forçada pelo pai a ingressar na Juventude Hitlerista. A convivência entre eles teve um fim trágico: ela acaba matando o próprio pai. Foi internada em uma clínica psiquiátrica e depois condenada a quatro anos de detenção por delinquência juvenil antissocial. Com a queda do Terceiro Reich, foi libertada. Mas, mesmo sem os campos de concentração, pessoas trans e homossexuais seguiram enfrentando processos e condenações legais.

 

Começou a se vestir conforme sua identidade feminina, revendia bens usados e passou a ser reconhecida com o nome que levou até o final de sua vida: Charlotte von Mahlsdorf, abandonando o uso do sobrenome de seu pai e optando por uma referência à região de Mahlsdorf, local onde viria a abrir seu museu. Apaixonada por objetos de coleção desde os 19 anos, montou um acervo de relógios, roupas, espelhos, aquecedores e aparelhos de som. Em 1960, abriu o museu de objetos de uso cotidiano colecionados a partir de casas bombardeadas durante a Segunda Grande Guerra e, posteriormente, comandou um clube LGBTQIAPN+ no porão do prédio que hoje abriga o museu. A partir de 1970, vários encontros e celebrações homossexuais da Alemanha Oriental foram realizadas no museu. Ele foi oficialmente fechado em 1995, quando Charlotte mudou-se para Porla Brunn, na Suécia, levando consigo vários itens de coleção para um novo museu, inaugurado em 1997. Em 2002, durante uma visita a Berlim, Mahlsdorf sofreu um ataque cardíaco e faleceu aos 74 anos. Enterrada no Cemitério Waldfriedhof Mahlsdorf, em sua lápide está escrito seu nome-morto.

 

Críticas :

“É a coisa mais bonita que eu já vi no teatro.”“Um espetáculo intenso, humano e atual, que atravessa memória, resistência, liberdade e coragem. Uma experiência teatral que prende do início ao fim.”


– Padre Fábio de Melo


 


“Ele se transforma no palco, mudando de face e voz num instantâneo de tempo.E emociona também, comove a plateia, encanta, deixa a todos perplexos. Frequentamos


os teatros de forma intensa. E, até então, nunca tinha visto uma atuação desse porte. Edwin é o cara! Portanto, um trabalho de excelência! Que capacidade de interpretação!” – Alex Varela


 


“E o texto — ainda que de outro autor — ganha aqui uma nova vida. Há algo de grandioso quando um artista não tenta superar


a obra, mas se entrega a ela com verdade. E, nesse gesto, a transforma. Edwin Luisi, para sempre Edwin Luisi”… – Paty Lopes


Ficha Técnica

 

Texto: Doug Wright.


Direção: Herson Capri.


Atuação: Edwin Luisi.


Assistente de Direção: Cláudio Andrade.


Cenário e Figurino: Marcelo Marques.


Iluminação: Aurélio de Simoni.


Trilha Sonora: Paulo Arruzzo.


Assessoria de Imprensa – Arteplural. M Fernanda Teixeira e Maurício Barreira.


Fotos: Lívio Campos. Programação Visual: Júlia Barros.


Produção: Edwin Luisi Produções Artísticas.


Produtor: Cláudio Andrade. Produção – SP: Gerardo Franco.



Serviço

Peça: Eu Sou Minha Própria Mulher. Com Edwin Luisi. Gênero - monólogo teatral. Classificação: 14 anos. Temporada – de 11 de setembro a 29 de novembro de 2026. Sessões - Sextas e Sábados às 20h. Domingos às 17h. Duração: 70 minutos. Gênero: Monólogo teatral, drama biográfico. Ingresso - R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia). Classificação: 14 anos.





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