[News] Setembro Verde: a literatura como ferramenta de combate ao capacitismo
Setembro Verde: a literatura como ferramenta de combate ao capacitismo
Setembro é conhecido como o mês de conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência. É o chamado Setembro Verde, campanha que tem como um de seus principais marcos o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
Mais do que uma data no calendário, o período reforça a importância de discutir inclusão, acessibilidade, respeito e, principalmente, o combate ao capacitismo, um preconceito que ainda está presente em diferentes espaços da sociedade e que, muitas vezes, coloca em dúvida a capacidade, a autonomia e até mesmo o valor das pessoas com deficiência.
A importância da representatividade
Falar sobre inclusão também significa dar espaço para que pessoas com deficiência sejam vistas, ouvidas e representadas de maneira digna. E isso precisa acontecer não apenas nas políticas públicas, mas também na educação, na cultura e, claro, na literatura.
A forma como uma história é contada pode contribuir para mudar percepções e quebrar preconceitos. Quando pessoas com deficiência deixam de aparecer apenas como personagens secundários ou como figuras que precisam ser “salvas” e passam a ocupar o lugar de protagonistas de suas próprias histórias, abre-se espaço para uma compreensão mais humana e verdadeira sobre suas experiências.
É nesse ponto que a literatura pode fazer a diferença: ao aproximar o leitor de realidades que talvez ele nunca tenha vivenciado, ela provoca reflexão, questiona estereótipos e pode ajudar a construir empatia.
Obras que dialogam com a luta contra o capacitismo
Algumas obras do escritor Maxwell dos Santos abordam justamente situações relacionadas à deficiência, à inclusão e aos preconceitos enfrentados por essas pessoas e por suas famílias.
Em A festa que Alberto não teve, por exemplo, o leitor acompanha Alberto, um menino autista que enfrenta o isolamento depois de ser excluído de sua festa de formatura escolar. A história também mostra a luta de sua mãe, Maria Luiza, para que a escola adote medidas concretas de inclusão e ofereça ao filho um ambiente de respeito e pertencimento.
Já em Máfia dos Milagres, o autor chama a atenção para um problema especialmente delicado: o charlatanismo e a promessa de falsas “curas” para crianças autistas. Por meio da narrativa e de personagens ligados à educação, a obra reforça a importância de compreender o autismo como uma condição neurológica que exige informação, acolhimento e apoio, não como algo que precise ser “curado”.
Outro exemplo é Meu rim por uma resenha, que apresenta Laerte, um jovem de 17 anos com paralisia cerebral que se aventura na escrita de seu primeiro romance. Ao longo da história, ele precisa lidar diretamente com o capacitismo ao ser atacado verbalmente e menosprezado por uma influenciadora literária por causa de sua condição motora e de fala.
São histórias diferentes, mas que têm algo em comum: colocam pessoas com deficiência no centro da narrativa e ajudam a mostrar que suas experiências não podem ser reduzidas à deficiência que possuem.
Um convite à ação
O Setembro Verde não deve ser encarado apenas como um período para falar sobre inclusão. A campanha também serve como um convite para olhar para as barreiras que ainda existem, algumas visíveis, como a falta de acessibilidade física, e outras nem tanto, como o preconceito, a infantilização e a descrença na capacidade das pessoas com deficiência.
Escolas, empresas, instituições e toda a sociedade têm responsabilidade nesse processo. Afinal, combater o capacitismo significa criar condições para que cada pessoa possa estudar, trabalhar, circular, se expressar e participar da vida em sociedade com autonomia e dignidade.
E esse trabalho pode começar cedo, ainda na infância, com educação para o respeito às diferenças e com representações mais diversas nos livros, nas histórias e no cotidiano escolar.
Na sua opinião, qual é o papel das escolas na desconstrução do capacitismo desde a primeira infância?
Sobre o autor
Maxwell dos Santos é jornalista, radialista, professor de linguagens e ciências humanas e mestre em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. Autor de obras de ficção e não ficção, desenvolve trabalhos relacionados à educação, cidadania digital e questões sociais contemporâneas.
Contato para entrevistas
E-mail: maxwelldossantosescritor@
WhatsApp: (27) 99943-3585
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