[News] Ipeafro celebra 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro com live gratuita no canal Pensar Africanamente no dia 4 de setembro

 Ipeafro celebra 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro com live gratuita no canal Pensar Africanamente no dia 4 de setembro

Debate online e gratuito reflete o legado do evento organizado no Rio de Janeiro pelo Teatro Experimental do Negro



Crédito: divulgação/Ipeafro)

Como parte das atividades do Biênio Abdias Nascimento (2024-25), o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) promove, no dia 4 de setembro (quinta-feira), às 19h30, uma edição especial de sua coluna ao vivo no canal do YouTube Pensar Africanamente (www.youtube.com/@pensarafricanamente). Com transmissão simultânea no canal do Ipeafro, o debate celebra os 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro.



Realizado entre 26 de agosto e 4 de setembro de 1950, no Rio de Janeiro, o congresso foi organizado pelo Teatro Experimental do Negro sob a direção de Abdias Nascimento, reunindo importantes intelectuais e lideranças de todo o país. O evento marcou história ao propor uma nova perspectiva sobre as discussões raciais no Brasil, reposicionando o negro como sujeito histórico e protagonista de sua própria narrativa.


A live “75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro” conta com a participação do sociólogo e historiador Muryatan Barbosa (UFABC), autor de ‘Guerreiro Ramos e o Personalismo Negro’; Elisa Larkin Nascimento, cofundadora do Ipeafro, parceira de Abdias por 38 anos e autora de “O Sortilégio da Cor”; e do jornalista Julio Menezes Silva, diretor-executivo do Ipeafro e pesquisador do acervo de Abdias Nascimento. Juntos, eles vão discutir o impacto histórico do Congresso e suas conexões com as lutas contemporâneas por igualdade racial.


“O 1º Congresso do Negro Brasileiro foi um ato de retomada da própria narrativa. Ele deslocou o negro da condição de objeto da ciência para o lugar de sujeito político, articulando propostas concretas que ainda ecoam hoje”, conta Julio. “Ao resgatar sua memória, reafirmamos a urgência de mantermos o compromisso com a luta antirracista e com a valorização da cultura negra no Brasil”, completa Elisa. 


O 1° Congresso do Negro Brasileiro foi um divisor de águas ao criticar o caminho dos chamados “Estudos do negro” que tomavam a população negra e suas artes e tradições como objeto, na tentativa de desvendar o chamado “Problema do negro”. Meio século antes da difusão dos estudos sobre a branquitude, Guerreiro Ramos, Abdias Nascimento, Fernando Góes e outros intelectuais e ativistas negros já propunham, por exemplo, estudar o branco e seu ethos da dominação racial. 


Ao ver os intelectuais ativistas negros assumirem seu lugar como sujeitos de análise e ação, muitos supostos aliados brancos abandonaram o seu apoio à ideia de construir-se uma verdadeira democracia racial e passaram a criticar qualquer iniciativa de organização própria da coletividade negra.




Serviço

Data: 04 de setembro, às 19h30 

Onde: Coluna Ipeafro no canal Pensar Africanamente (YouTube)

Transmissão simultânea: Canal do Ipeafro no YouTube

Acesso gratuito: www.youtube.com/@ipeafro | www.youtube.com/@pensarafricanamente 

 

Sobre Biênio Abdias Nascimento (2024 – 2025)

O Biênio consiste em uma programação diversa de atividades — como lançamentos de livros, exposições e seminários — que articulam, preservam e difundem, em múltiplas linguagens, o acervo e o legado de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou. Essas ações são organizadas em torno de importantes efemérides históricas. Em 2024: os 110 anos do nascimento de Abdias, os 80 anos da fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN) e a inscrição do nome de Abdias Nascimento no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Em 2025, temos três marcos fundamentais: os 80 anos da estreia do TEN no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 8 de maio de 1945; os 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro, no qual foi lançada a proposta do Museu de Arte Negra; e os 70 anos do concurso de artes visuais sobre o Cristo Negro, integrado ao mesmo projeto museológico do TEN.


Sobre o Ipeafro

Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento para a permanência de memória e resistência. Esse trabalho embasa as ações educativas e culturais promovidas pelo Ipeafro como forma de enfrentamento ao racismo. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e de obras doadas para a coleção do projeto Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. O acervo documental do Ipeafro reúne a iconografia, os registros audiovisuais e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, e assim por diante) de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou.


Sobre Abdias Nascimento

Abdias Nascimento (1914-2011), poeta, dramaturgo, artista plástico e ativista panafricano, foi deputado federal, senador da República e Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (EUA). Como parlamentar, ele foi autor das primeiras propostas ao Estado brasileiro de políticas públicas de combate ao racismo (1983). É autor do conceito político-cultural do Quilombismo. Fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944. Organizou em 1950 o 1o Congresso do Negro Brasileiro, que propôs a criação de um Museu de Arte Negra. Curador do projeto de 1950 até 1968, quando realizou sua exposição inaugural, ele continuou o trabalho no exílio (1968-1981), onde desenvolveu sua própria pintura e exibiu em museus, galerias e universidades dos Estados Unidos. Na volta ao Brasil, fundou o Ipeafro. 

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