15 dezembro 2017

[Resenha] Crônicas do Mundo Emerso - O Talismã Do Poder

             
Sinopse:
Enquanto o exército das Terras ainda livres do poder do Tirano é aniquilado pelo avanço das tropas inimigas e pelas assustadoras unidades formadas por fantasmas, Nihal, semi-elfo do Mundo Emerso, viaja e companhia do mago Senar para cumprir uma missão desesperada: recuperar as oito pedras de um talismã cujo poder infinito pôr finalmente termo à guerra. Cada uma das oito Terras do Mundo Emerso guarda um santuário perdido uma das pedras dedicadas aos Espíritos da natureza: Água, Luz, Mar, Tempo, Fogo, Terra, Escuridão e Ar. Se Nihal conseguir encontrar os oitos santuários e juntar as pedras do talismã poderá reunir as forças de todos as fore tornar nula qualquer outra forma de magia, inclusive as terríveis armas do Tirano.
                 O que eu achei?
Em "O Talismã do Poder", terceiro e último livro da trilogia Crônicas do Mundo Emerso, Nihal assume seu destino e segue, junto de Senar e Laio, atrás das pedras mágicas para o talismã em cada uma das Terras do Mundo Emerso, que a ajudarão na luta contra o Tirano. Serão as forças da natureza e os deuses de seus antepassados que irão unir suas forças para auxilia-la no confronto final.
A guerra avança impetuosa, e as Terras Livres estão perdendo espaço e homens numa velocidade assustadora. A esperança morre aos poucos, ao passo que o Tirano parece se tornar cada vez mais poderoso e ardiloso. Sua frente de batalha conta com os seres mais cruéis, guerreiros implacáveis e muita magia proibida, tornando-os máquinas de destruição.
Se em "A Missão de Senar" a história tornou-se mais tensa, neste livro o nível chegou ao máximo de tensão emocional. A escrita mostra um amadurecimento impressionante se comparado ao volumes anteriores, e as questões abordadas se aprofundam de maneira quase dolorosa nos personagens e em suas trajetórias.
Nihal está mais dona de si, mais forte e determinada, mesmo que ainda esteja em busca de seu destino, da verdade de sua vida. Senar está mais maduro, mais poderoso. Laio, apesar de continuar sendo a pureza em pessoa, se mostra muito mais valente. Todos, de alguma forma, amadureceram neste livro.
A trajetória de Nihal é árdua, perigosa e requer um esforço descomunal de todos. Ela irá de deparar com descobertas assustadoras, onde o passado irá se revelar muito mais sombrio do que ela pensava conhecer, e o futuro, cheio de incertezas e sofrimentos, onde tudo isso testará a determinação de Nihal e colocará a prova sua verdadeira motivação de vida naquela guerra. Cada pedra mágica se encontra em um santuário de uma das oito Terras; em cada santuário, há um guardião; cada guardião irá ensinar a Nihal algo que será de extrema importância na sua caminhada até o confronto com o Tirano. E sim, ela ficará cara-a-cara com o Tirano, e esse encontro será um dos momentos mais tensos de toda a a trilogia, revelando verdades assombrosas.
Além disso, a história traz uma carga emocional muito mais desenvolvida, onde laços afetivos se tornam mais fortes do que nunca. Couraças emocionais irão se despedaçar, conceitos irão se desfazer e darão lugar a novas visões. Talvez a guerra não seja a resposta. Talvez a matança não seja mais tão desejada.
Questões existênciais são levantadas, e nos faz pensar, junto da protagonista, onde que o verdadeiro mal habita. Uma frase que me chamou muito a atenção durante a leitura dizia algo do tipo "será que é possível existir maldade sem ódio?". Essa simples frase resume de forma única questões importantíssimas que serão descobertas por Nihal, Senar e Laio pelos santuários, e outros lugares... Nihal finalmente irá se deparar com a dolorosa verdade do passado de seu povo, os semi-elfo.
A fantasia criada nessa trilogia foi uma das mais agradáveis que já li. Sem muitas explosões coloridas, aquele sem fim de palavras estranhas que evocam feitiços e toda sorte de magia. Muito pelo contrário, a magia nascia simples, e nada cobrava a quem estivesse em comunhão com a natureza, pois, nesse mundo, dela (a natureza) que surgia a força mágica.
Sem dúvida, essa trilogia - que surgiu para mim do nada, sem que eu jamais tivesse ouvido falar - foi uma surpresa imensa, e jamais me senti conectar de maneira tão intensa com a literatura fantástica quanto me senti com esse livro. Uma história onde as escolhas são importantes não somente para a sua vida, mas para a vida de todo um povo; uma trajetória de auto-descoberta; a luta pela justiça e pela paz, mesmo que momentânea. Enfim, uma trilogia que vai além da fantasia pura, com magias excessivas e lutas intermináveis, onde parcerias improváveis acontecem, perdas de partir o coração são inevitáveis, e que é capaz de mexer com os sentimentos do leitor do início ao fim.
Uma leitura rica, tensa e completamente fascinante.

            

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