31 agosto 2017

[Nerds & Geeks] Adaptação da Netflix de Death Note


Death Note é um velho conhecido dos otakus (fans da cultura japonesa). Mesmo se você não curte animes ou mangás, já deve ter ouvido falar esse nome. Vamos desde o início:

Criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Oba em 2003, o mangá conta a história do estudante Light Yagami, um garoto comum até que um dia encontra um caderno caído no chão escrito Death Note. Mal sabe ele que esse caderno pertencia a um Shinigami (deus da morte japonês)chamado Ryuk que durante um momento de tédio, deixara cair o caderno na Terra para que algum humano o encontrasse e descobrisse como usá-lo. A pessoa que tem seu nome escrito morre. Light começa a matar criminosos sob a alcunha de Kira e atrai a atenção da polícia, que contrata o investigador L para descobrir o mistério da identidade de Kira. O mangá teve 12 volumes mais uma décima-terceira especial, Como ler e vendeu 27 milhões de exemplares no mundo todo. O anime teve 37 episódios e foi transmitido em vários países.

Quando a Netflix anunciou que faria uma versão adaptada para os Estados Unidos dirigida por Adam Wingard (diretor de VHS e Você é o próximo)com um elenco caucasiano ao invés de asiático, várias pessoas acusaram a empresa de whitewashing. E com razão porque uma das principais características de Death Note é ser baseado na mitologia japonesa. Agora, vou mencionar algumas mudanças essenciais da história:

1) A locação e a família

Para início de conversa, no filme da Netflix a história não se passa no Japão mas em Seattle, metrópole do estado americano de Washington. O sobrenome de Light não é Yagami mas Turner e seu pai,Sochiro Yagami vira James Turner. Sua mãe, Sachiko, nem é nomeada no filme e está ausente da história pois foi assassinada recentemente.Light ainda está em processo de luto.E a irmã de Light, Sayu, nem existe nessa adaptação.

2) A personalidade de Light

Quem leu os mangás, sabe que o protagonista era um garoto totalmente sem escrúpulos, que planejava se tornar o Deus do novo mundo e era extremamente egocêntrico. Nesse filme, ele quase dá um ataque ao ver Ryuk pela primeira vez. A ideia de se tornar o deus do novo mundo é brevemente mencionada e ele não fala em SE tornar o deus do novo mundo, apenas diz que o mundo preciso de um novo mas nunca diz que está apto para o cargo. E o pior: ele é APAIXONADO pela Mia Sutton (a versão americana da Misa Amane). No mangá Yagami nunca se apaixonou por ninguém, muito menos pela Misa. Para vocês terem uma ideia do quão radical as mudanças foram!

3) As motivações de Ryuk

Além de não ser dada nenhuma explicação sobre os shinigamis (na verdade, nenhum outro é citado, dando a entender que Ryuk era um ser único)as motivações dele nessa versão são bem distintas da versão original. No mangá, ele simplesmente deixou o caderno cair na Terra por puro tédio e desde seu primeiro contato com o garoto, foi bem específico em dizer que não iria influenciar em absolutamente nada, tudo dependeria do garoto. No filme, ele afirma que caso Light não queira usar o caderno, seria passado a outra pessoa, ou seja, praticamente obriga-o a usar o Death Note!

4) As motivações de Light

No mangá,uma vez de que é convencido que de o poder do caderno é verdadeiro, Light começa a escrever nomes não apenas de criminosos mas também de pessoas que fizeram mal a ele, para se vingar. Nessa adaptação, o espectador tem a impressão de que Light é um justiceiro querendo trazer paz ao mundo.E isso é uma mudança drástica porque vingança é um dos principais temas do mangá!

5) Personalidade de Mia Sutton

Além de ter um papel bem mais destacado nesse filme, Mia também teve sua personalidade radicalmente alterada. No mangá, Misa era uma garota inocente e submissa ao Light, por quem é apaixonada. Na versão da Netflix, ela é uma típica garota popular das high schools americanas: o esterótipo da cheerleader (animadora de torcida) cheia de amigas metidas e superficiais. Outra característica de Mia Sutton é ser controladora e ela manipula Light.

6) A presença de novas regras no Death Note

Algumas regras que não estavam no mangá foram acrescentadas, por exemplo,a 95: Qualquer um pode escrever nomes no caderno mas só o possuidor pode possui-lo por mais de 7 dias. Ou seja: se Light parar de escrever nomes por mais de uma semana, ele deixará de ser o dono do caderno. Há algumas outras mudanças: a capacidade dos Olhos dos Shinigami nem é mencionada, eu estava esperando que Ryuk fosse fazer a oferta assim que falou do caderno para Light mas ele nem citou.

7) A personalidade de L

Nos mangás L é um garoto extremamente calmo e controlado, nunca levanta o tom de voz nem toma decisões precipitadas. Já nessa versão, ele se senta da mesma maneira estranha e adora doces mas é impulsivo e emocionalmente instável. O ator Keith Stanfield corre, grita e toma decisões sem pensar duas vezes.

E eu aproveito que estou falando do L para elogiar a escolha da produção em escalar um ator negro para viver o rival de Kira. O ideal seriam atores nipo-americanos mas já que decidiram ocidentalizar o elenco, quanto mais representatividade, melhor.

Conclusão: a ideia que passou foi a de que Adam Wingard optou por fazer uma releitura e não uma readaptação da história do Death Note. É uma boa chance para os leigos, quem nunca se aventurou a ler o mangá ou assistir o anime ou aos filmes japoneses, de conhecer o universo. 



Willem Dafoe, que já interpretou tantos vilões no cinema, deu voz à Ryuk

Um comentário

  1. Eu conheço a série de anime mas nunca vi, algo que irei fazer em breve, mas posso afirmar que o filme é uma desilusão, em muitas vezes pareceu-me estar a ver uma mistura de Final Destination com alguma série teen da The CW. Apesar de gostar da personagem L e da interpretação do actor.

    Bitaites de um Madeirense

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