[News] Do blaxploitation ao noir caipira: jornalista Luiz Fernando Treviso estreia romance policial com protagonista negro irreverente

 
“Era uma vez em Parpoplanca” mistura cinema marginal, humor ácido e crítica racial em narrativa inspirada nos clássicos do audiovisual dos anos 1970

“Era uma vez em Parpoplanca”, romance do jornalista e escritor Luiz Fernando Treviso (@luizftreviso.autor), transita entre o suspense, o drama e o humor ácido, apresentando uma narrativa que subverte o gênero policial com personagens improváveis e interessantes. Publicada de forma independente pelo Clube dos Autores, a obra investiga um estranho assassinato acontecido numa cidade pacata e tem como protagonista um detetive negro de black power imponente que usa chinelos Havaianas, é assumidamente "apreciador da erva" e costuma ter ataques de riso em situações de tensão.

Parpoplanca é uma cidade fictícia que parece parada no tempo. Povoada por personagens marginalizados — como viciados, negros, orientais e prostitutas — representa, em muitos aspectos, um microcosmo satírico da sociedade brasileira. Esses personagens são a essência da obra e conhecê-los, ao longo de cada capítulo, torna a experiência de leitura novelesca. Segundo o autor, sua intenção ao dar voz a esses personagens por meio de um humor caricatural é evidenciar suas vivências e a forma como enfrentam um sistema opressor.

“A obra se constrói como um mosaico de histórias que transitam entre o drama e a comédia, com o objetivo de retratar e provocar reflexão sobre o preconceito racial e estrutural presente na sociedade”, reflete Luiz. Adepto ao humor ácido, ele considera esse estilo uma ferramenta para abordar esse contexto sem suavizar os conflitos, permitindo expor contradições e dinâmicas sociais, inclusive o moralismo presente nas relações sociais, além de questionar estruturas de poder: “Acredito que a comédia e o terror são os gêneros que melhor dialogam com esse tipo de abordagem crítica, e por isso procuro mesclar os dois nas minhas narrativas. ”

Também nesse sentido, o passado de Caduco, detetive e protagonista da obra, revela críticas contundentes ao racismo estrutural e à violência policial, ao abordar como o conhecimento das leis se tornou sua principal arma contra a discriminação.

O protagonismo negro e o cinema que flerta com grotesco, o trágico e o humor ácido

Cinéfilo e cheio de referências, o autor usa seu conhecimento de transmídia para fazer homenagens e críticas e, assim, construir sua proposta literária. Nesse sentido, vale destacar como o movimento cinematográfico estadunidense blaxploitation, originário dos anos 1970 e conhecido por destacar protagonistas negros em filmes de ação, crime e drama, inspirou o autor para “Era uma vez em Parpoplanca”.

Também escreve sob influência de Nelson Rodrigues, Federico Fellini, do cinema trash das décadas de 1970 e 1980, e de diretores como Charlie Chaplin, Jerry Lewis, David Cronenberg, Alfred Hitchcock, Brian De Palma, Dario Argento e George A. Romero, entre outros. É um dos criadores do podcast “Cineblábláblá” e transita entre cultura, audiovisual e narrativas que flertam com o grotesco, o trágico e o humor ácido.

Luiz Fernando Treviso: o processo criativo a partir do estranho


Luiz Fernando Treviso nasceu e vive em São Paulo. Sua formação inclui jornalismo, pós-graduação em gestão cultural e em produção audiovisual, além de cursos livres de teatro, cinema e roteiro. “Era uma vez em Parpoplanca” marca sua estreia literária e inaugura um universo ficcional construído com liberdade, irreverência e o prazer de contar histórias do próprio jeito. Além dele, publicou “Paranoia e outros contos” e “Horror sem fala”, todos pelo Clube de Autores. Entre suas referências literárias estão autores como Stephen King, Jorge Amado, Charles Bukowski e Edgar Allan Poe. Recentemente foi selecionado pela Clímax Editorial para integrar a coletânea Horrores do Brasil: Anos 90 com o conto “Ostentação”.

O autor trabalha atualmente em duas obras. "Confissões de uma mente pervertida de um jovem cineasta" é uma narrativa brutal e tragicômica sobre fama, decadência e autodestruição, na qual um jovem escritor investiga a trajetória esquecida do cineasta Rogério Neves (anos 80), mergulhando no Brasil caótico entre as décadas de 70 e 90, desde sua infância pobre na ditadura até os vícios e paixões da Boca do Lixo. Já "O Ano da Desordem", em edição, é uma sátira feroz sobre o colapso moral do país: em 2019, a vidente Mãe Liná profetiza a chegada de um novo Messias; obcecada, a primeira-dama Micaela convence-se de que o escolhido é seu marido, o presidente autoritário Amaro, mergulhando o governo em fanatismo e violência racista, enquanto motoboys e marginalizados organizam resistência clandestina, desencadeando uma guerra entre fé, delírio e sobrevivência.

Ficha técnica

Livro: Era uma vez em Parpoplanca
Autora: Luiz Fernando Treviso
Número de páginas: 320
ISBN: 978-65-01-86738-0
Gênero: Romance
Editora: Clube de Autores
Ano: 2026





Nenhum comentário