09 maio 2017

[Resenha] Scarlet

Depois de Cinder, estreia de sucesso de Marissa Meyer e primeiro volume da série As Crônicas Lunares, que chegou ao concorrido ranking dos mais vendidos do The New York Times, a autora está de volta com mais um conto de fadas futurista.Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida.Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.
O que eu achei? 
É com um toquezinho de decepção que digo que não gostei tanto de ‘Scarlet’ quanto gostei de ‘Cinder’. Essa é uma boa continuação: mostra uma grande evolução de personagens apresentados anteriormente e uma gama de outros que, ou já são, ou podem vir a ser muito interessantes, apenas não me entreteve tanto quanto a vibe mais animada do livro anterior. Nada que tenha abalado minha vontade de continuar acompanhando essa série que é fofa demais.


Nesse livro, paralelamente à história de Cinder, somos apresentados à Scarlet: uma fazendeira do interior da França cuja avó desapareceu sem deixar rastros, e Lobo: um misterioso lutador de rua com olhos muito verdes para serem normais. Foi difícil aceitar essa adição logo de cara. Na primeira metade do livro, Scarlet não faz muito mais que ficar choramingando o sumiço da avó sem fazer alguma coisa além de confrontar todos que possuem algo a falar sobre isso e, não obstante, após conhecer Lobo e descobrir que ele pode ter envolvimento nisso, parte para cima dele sem pensar duas vezes, o que, para mim, é muito forçado. 

Ao contrário do primeiro livro, onde tudo era meio previsível, porém divertido de acompanhar, agora a quantidade de informações obvias torna-se inconveniente. O plot do Lobo, que toma tempo demais desenvolvendo coisas que todo mundo já sabia, menos os personagens, chega a ser maçante de vez em quando, o que acarreta de grande parte do ponto de vista de Scarlet perder o interesse. E, sabendo que daria errado em algum momento, o alarde que Scarlet faz com relação ao sumiço de sua avó, sendo que diversos personagens enfatizam a possibilidade dela não ser a senhorita simples que ela tanto imagina, é bem irritante. Ou seja, um amontoado de pequenas coisas fáceis de captar logo à primeira olhada, contudo demoram demais para acontecer e seu desenvolvimento é chato.


Apesar de individualmente entediantes, é gostoso acompanhar o maneira tímida que o romance dos dois evolui: Scarlet toda mandona e cabeça dura e Lobo muito centrado e ingênuo; enquanto Cinder e Kai nem chegam a se encontram durante o livro inteiro. O que não é nenhum problema, já que ela é mais interessante sozinha que junto a ele. A narrativa de Cinder emprega maior seriedade, focando em desenvolver — ao lado do MARAVILHOSOMENTE hilário Capitão Thorne —, sua recém-descoberta ascendência Lunar como a desaparecida Princesa Selene. Sendo assim, criando um gap considerável entre os dois pontos de vista: a história de Scarlet é lenta e muito focada em questões terrenas ao passo que a de Cinder abrange a longevidade que os acontecimentos podem tomar no futuro.

O que mais amo nessa série — além de Iko, a robô mais incrível do universo e minha personagem favorita — é como Marissa entrelaça as histórias. Ela deixa, muito sutilmente, pequenas pistas em seu texto que de vez em quando passam batidas, mas na verdade são muito importantes na hora das personagens se sobreporem no plano maior. Não é atoa que mesmo em ‘Cinder’ já era possível vê-la preparando terreno para personagens aparecem no terceiro ou no quarto e último livro. Como sou doido pelo conto da Branca de Neve (mais por influência da Rainha Má e como ela é retratada de formas variadas até os dias de hoje do que pela própria princesa, mas enfim) não vejo a hora de saber como será a inserção de Winter (já tenho uma vaga ideia, mas vai que né.


‘Scarlet’ é divertido, o humor de Marissa é inegável e não teria como essa mulher escrever algo ruim, apenas esperava mais. Talvez por que eu não estava no clima para lê-lo; tinha recém terminado ‘Os 13 Porquês’ quando comecei e ainda estava envolvido demais àquela história, mas com certeza me deixou muito empolgado para começar logo ‘Cress’ (que já estou lendo inclusive, um olho na resenha e outro no livro). 


Postado por Julio Gabriel

3 comentários

  1. Oi Julio,
    Realmente pode ter rolado uma ressaca literária de 13 porques que deixou sua leitura não muito empolgante. A história da chapeuzinho vermelho é uma das que menos me agrada e talvez isso fará com que seja a história menos empolgante mesmo. Aguardo as outras obras resenhadas aqui.
    Beijos

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  2. Julio, talvez o livro "Scarlet", não tenha sido tão empolgante para você, pelo primeiro livro" Cinder", ter superado suas expectativas. E esse não se tornou tão interessante...

    Bem,são histórias completamente diferentes das que habitualmente leio, mas fiquei interessada por ter lido suas resenhas.
    E se a autora nos faz sorrir em alguns trechos do livro, melhor ainda!

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  3. Eu, particularmente, não gosto muito do clássico da Chapeuzinho Vermelho. Será que irei gostar dessa releitura?

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