10 maio 2017

[Resenha] Cress

Neste terceiro livro da série Crônicas Lunares, Cinder e o capitão Thorne estão foragidos e agora levam Scarlet e Lobo a reboque. Juntos, eles planejam derrubar a rainha Levana e seu exército. Cress talvez possa ajudá-los. A garota vive aprisionada em um satélite desde a infância, com a companhia apenas de telas, o que fez dela uma excelente hacker. Coincidência ou não, infelizmente ela também acabou de receber ordens de Levana para rastrear Cinder e seu bonito cúmplice. Quando um ousado plano de resgatar Cress dá errado, o grupo se separa. Cress enfim conquista a liberdade, mas o preço a se pagar é alto. Enquanto isso, Levana não vai deixar que nada impeça seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet e Cinder talvez não tenham a intenção de salvar o mundo, mas muito possivelmente são a última esperança do planeta. 
O que eu achei?
Diferentemente dos anteriores, esse livro me surpreendeu muito. Não por destoar-se drasticamente dos outros, mas porque pela primeira vez eu não sabia o que viria pela frente. Estamos todos familiarizados com os contos da Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e — ainda por vir — da Branca de Neve, mas não é em qualquer lugar que se aprende especificamente sobre a Rapunzel. Eu, por exemplo, conheço apenas o que foi abordado na animação ‘Enrolados’. Sendo assim, decidi que embarcaria às cegas, sem uma base ou algo a que procurar distorções na história. E acabei imensamente apaixonado.


Mal chegando e já tornando-se minha protagonista preferida, Cress, presa há sete anos em um satélite orbitando a atmosfera terrestre, mostra-se uma personagem muito inocente e delicada. Exceto por poucos anos de sua infância vividos em Luna, Cress nunca mais pôs os pés fora de sua prisão espacial. A tecnologia transforma-se num refúgio e sua única amiga é o sistema operacional de seu computador, Pequena Cress, programada com sua própria voz aos dez anos de idade. É muito fofo — aliás, tudo com relação à Cress é fofo — acompanhar seu deslumbramento ao conhecer novas coisas, tais quais: o primeiro vislumbre do céu azul terrestre, o primeiro pôr-do-sol, etc. Sendo assim, sua evolução como personagem é uma das mais substanciais de toda a série, partindo de uma figura extremamente tímida, cujas experiências intersociais (eu ia dizer humanas, mas né, aliens everywhere!) são possíveis de contar nos dedos de uma mão, para um membro essencial no funcionamento do grupo.

O romance de Cress e Thorne é, de longe, o melhor. Por conta de seu trabalho como espiã hacker da Rainha Levana, a função de Cress inclui reunir informações sobre os aliados de Cinder e, no meio disso, acaba criando uma paixonite pelo Capitão Thorne (MARAVILHOSO), idealizando-o como o herói que a salvará de sua “torre” — representada pelo satélite. Na tentativa do Team Rampion de resgata-la — que dá muito errado, óbvio —, seu satélite cai na terra, e, acompanhada de um Thorne com a visão prejudicada pelo acidente, precisará lutar para sobreviver. Juntos eles complementam um ao outro: onde Thorne é mais extrovertido e galanteador, Cress o contrapõe com sua doçura, e assim acabam passando um pouco si para o outro, para que, no fim, pareçam uma figura única, funcionando tão bem juntos quanto separados. 


O livro possui um giro expressivo de ritmo em relação aos demais. Talvez por feedback dos leitores — pois seus romances foram melhorando a cada livro —, agora Marissa caminha em trajetória parabólica, tomando mais tempo para desenvolver o romance e as interações entre os demais personagens. O que acarretou em muita gente dizer que esse é um livro paradão e é verdade, porém de forma alguma me incomodou: de tão imerso nessa história e em quão esses personagens são unidos, eu leria mais duzentas páginas numa boa (pode ser que eu me arrependa desse comentário? Talvez, porque ‘Winter’ é imenso, mas relevemos).




Cinder continua evoluindo de maneira desenfreada, enfim abraçando sua verdadeira identidade como Princesa Selene e detentora do trono de Luna, mantendo a profundidade de sua história inabalável pelas adições de outras protagonistas. Sem contar a forma como as histórias das outras meninas interligam-se a dela, que só me deixam doido catando referências às vezes até onde não tem, e o sistema de apoio incrível que criam entre si; afinal, a série como um todo é muito mais sobre os personagens e o forte laço entre eles do que qualquer outra coisa.


Uma única coisa que eu reclamaria é como os acontecimentos iniciais do livro afetaram alguns personagens, como: Scarlet, que encontra-se afastada dos demais personagens durante quase o livro inteiro, aparecendo muito pouco, e Lobo, que, pela distancia de Scarlet, torna-se recluso, instável, contrário da visão que eu tinha dele um livro atrás. Contudo, o distanciamento de Scarlet serve como ponte para o livro seguinte, introduzindo (finalmente) a princesa Winter e deixando um gostinho dos desenrolares finais. Poderia também comentar a falta que faz a forte presença de Levana do primeiro livro, mas, como será suprida apenas com a leitura de ‘Fairest’, o livro que conta sua história, sofro calado (não tão calado, pois falei, mas enfim).



O que me fez amar tanto esse livro não vem de algo engenhoso, mas de uma execução mais refinada do que já vinha sendo apresentado na série: leveza na medida certa, personagens maravilhosos e suas interações incríveis, diálogos muito reais e hilários, e, dessa vez, surpresa. Em ‘Cinder’ e ‘Scarlet’ (principalmente), havia muitos pontos fáceis de conectar num plano maior, enquanto o caminho de ‘Cress’ é muito mais nebuloso. Marissa, pela primeira vez, passa o leitor na corrida de quem detém as rédeas da história, estando, finalmente, um passo à frente. O mistério que perdura é o que será de mim se eu não tiver ‘Winter’ em mãos o mais rápido possível. 

Postado por Julio Gabriel

3 comentários

  1. E eu aqui acompanhando um pouquinho dessa série, através de suas resenhas Julio.
    Aventuras não faltam para todos esses personagens.
    E um pouquinho de romance, que não faz mal a ninguém.

    Bem, adorei seus comentários sobre a série. Me fez ter uma ideia do que esperar. :)


    E que venham mais novidades por aí. Pois pelo que vejo, criativa não falta para a autora.

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  2. Oi Julio,
    Que bom que gostou de Cress, talvez sua melhora e os pontos não tão previsíveis porque a autora quis deixar o melhor para o final da série (os dois últimos livro). Também não tenho muitas bases da Rapunzel, acho que deixa a gente com menos expectativa e consequentemente nos surpreendemos mais com o conteúdo do livro.
    Beijos

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  3. Oi Julio!
    Legal saber um pouco mais sobre essa série. Eu já sabia que era baseado nos personagens dos contos de fadas infantis mas jamais pensei que tivessem um quê de atualidades. Estou super curiosa para ler, afinal li a trilogia (que serão 4 livros) do brasileiro Raphael Draccon em que mistura algumas outras histórias (chapeuzinho vermelho, João e Maria entre outros) em meio a uma distopia e simplesmente amei! Agora é juntar $$$ pra comprar esses lindinhos.
    Abraços literários

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