[News] Setembro Amarelo: como a literatura pode ajudar crianças a reconhecer emoções e falar sobre sentimentos
Escritora, narradora e biblioterapeuta Clara Haddad explica como histórias podem abrir espaço para conversas sobre medo, tristeza, ansiedade e outras emoções na infância
Medo, tristeza, ansiedade, frustração e mudanças na família também fazem parte do universo infantil — mas nem sempre as crianças conseguem encontrar palavras para explicar o que estão sentindo. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e valorização da vida, a conversa sobre saúde emocional pode começar desde cedo, inclusive por meio da literatura.
Para a escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, os livros podem funcionar como uma ponte entre crianças e adultos. Ao acompanhar personagens que enfrentam medos, conflitos ou situações difíceis, meninos e meninas podem reconhecer sentimentos e encontrar uma maneira mais segura de falar sobre aquilo que estão vivendo.
“Falar sobre o que acontece com um personagem pode ser mais fácil do que falar sobre si mesma”, explica Clara. Segundo ela, uma história pode ser o ponto de partida para que o adulto pergunte o que a criança achou daquela situação, se já passou por algo parecido ou como se sentiria no lugar do personagem.
A leitura também pode contribuir para mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Histórias em que personagens procuram pessoas de confiança diante de situações difíceis ajudam a reforçar a ideia de que ninguém precisa enfrentar seus problemas sozinho.
Clara, que há mais de duas décadas atua com literatura, narração oral e formação de leitores e é membro da Associação Brasileira de Biblioterapia (ABB), ressalta, porém, que é preciso diferenciar leitura e biblioterapia.
“Na biblioterapia, não basta escolher um livro que aborde sentimentos. É preciso pensar em como essa história será trabalhada e naquilo que ela pode despertar em quem lê. Não se trata de encontrar um livro que vá ‘resolver’ um problema, mas de usar a história como ponto de partida para uma conversa e, muitas vezes, para novas perguntas”, afirma.
Literatura como espaço de escuta
A leitura compartilhada entre pais e filhos pode criar naturalmente momentos de diálogo. Um personagem, uma ilustração ou determinada situação da narrativa pode ser suficiente para iniciar uma conversa sobre sentimentos, sem transformar o momento em uma aula ou interrogatório.
Para Clara, também não é necessário esperar que exista um problema para começar a falar sobre emoções. Aprender a reconhecer e nomear sentimentos desde os primeiros anos ajuda a criança a perceber que pode procurar um adulto quando algo não estiver bem.
Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, irritabilidade frequente, alterações no sono ou na alimentação, queda no rendimento escolar ou perda de interesse por atividades podem merecer atenção. Esses sinais, isoladamente, não significam necessariamente a existência de um problema de saúde mental, mas indicam que a criança pode estar passando por alguma dificuldade e precisa ser acolhida. Quando houver preocupação, a orientação é buscar ajuda de profissionais especializados.
A casa como lugar de afeto e pertencimento
A discussão sobre vínculos e emoções também está presente no novo livro de Clara Haddad, “Na Minha Casa”, publicado pela Telos Editora e ilustrado pela italiana Francesca Corso.
A obra parte de uma pergunta aparentemente simples — o que faz uma casa ser uma casa? — para construir uma narrativa sobre memória, identidade, família e pertencimento. Mais do que paredes e janelas, a casa apresentada no livro é formada pelas pessoas, histórias, cheiros, sons e lembranças que fazem alguém se sentir acolhido.
Clara estará no Brasil neste mês para participar da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde apresenta Na Minha Casa e participa de encontros com leitores e sessões de autógrafos.
A obra também carrega uma conexão internacional: o projeto recebeu apoio do Institut Ramon Llull e reúne a escrita da autora luso-brasileira e as ilustrações da artista italiana Francesca Corso.
Em tempos de telas cada vez mais presentes na rotina familiar, a leitura compartilhada pode representar ainda um momento de pausa, convivência e escuta.
Os livros não substituem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas podem contribuir para criar ambientes em que crianças se sintam mais à vontade para reconhecer emoções, fazer perguntas e falar sobre aquilo que sentem. Afinal, muitas vezes, uma história não oferece uma resposta pronta — mas pode ajudar a começar uma conversa.
Medo, tristeza, ansiedade, frustração e mudanças na família também fazem parte do universo infantil — mas nem sempre as crianças conseguem encontrar palavras para explicar o que estão sentindo. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e valorização da vida, a conversa sobre saúde emocional pode começar desde cedo, inclusive por meio da literatura.
Para a escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, os livros podem funcionar como uma ponte entre crianças e adultos. Ao acompanhar personagens que enfrentam medos, conflitos ou situações difíceis, meninos e meninas podem reconhecer sentimentos e encontrar uma maneira mais segura de falar sobre aquilo que estão vivendo.
“Falar sobre o que acontece com um personagem pode ser mais fácil do que falar sobre si mesma”, explica Clara. Segundo ela, uma história pode ser o ponto de partida para que o adulto pergunte o que a criança achou daquela situação, se já passou por algo parecido ou como se sentiria no lugar do personagem.
A leitura também pode contribuir para mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Histórias em que personagens procuram pessoas de confiança diante de situações difíceis ajudam a reforçar a ideia de que ninguém precisa enfrentar seus problemas sozinho.
Clara, que há mais de duas décadas atua com literatura, narração oral e formação de leitores e é membro da Associação Brasileira de Biblioterapia (ABB), ressalta, porém, que é preciso diferenciar leitura e biblioterapia.
“Na biblioterapia, não basta escolher um livro que aborde sentimentos. É preciso pensar em como essa história será trabalhada e naquilo que ela pode despertar em quem lê. Não se trata de encontrar um livro que vá ‘resolver’ um problema, mas de usar a história como ponto de partida para uma conversa e, muitas vezes, para novas perguntas”, afirma.
Literatura como espaço de escuta
A leitura compartilhada entre pais e filhos pode criar naturalmente momentos de diálogo. Um personagem, uma ilustração ou determinada situação da narrativa pode ser suficiente para iniciar uma conversa sobre sentimentos, sem transformar o momento em uma aula ou interrogatório.
Para Clara, também não é necessário esperar que exista um problema para começar a falar sobre emoções. Aprender a reconhecer e nomear sentimentos desde os primeiros anos ajuda a criança a perceber que pode procurar um adulto quando algo não estiver bem.
Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, irritabilidade frequente, alterações no sono ou na alimentação, queda no rendimento escolar ou perda de interesse por atividades podem merecer atenção. Esses sinais, isoladamente, não significam necessariamente a existência de um problema de saúde mental, mas indicam que a criança pode estar passando por alguma dificuldade e precisa ser acolhida. Quando houver preocupação, a orientação é buscar ajuda de profissionais especializados.
A casa como lugar de afeto e pertencimento
A discussão sobre vínculos e emoções também está presente no novo livro de Clara Haddad, “Na Minha Casa”, publicado pela Telos Editora e ilustrado pela italiana Francesca Corso.
A obra parte de uma pergunta aparentemente simples — o que faz uma casa ser uma casa? — para construir uma narrativa sobre memória, identidade, família e pertencimento. Mais do que paredes e janelas, a casa apresentada no livro é formada pelas pessoas, histórias, cheiros, sons e lembranças que fazem alguém se sentir acolhido.
Clara estará no Brasil neste mês para participar da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde apresenta Na Minha Casa e participa de encontros com leitores e sessões de autógrafos.
A obra também carrega uma conexão internacional: o projeto recebeu apoio do Institut Ramon Llull e reúne a escrita da autora luso-brasileira e as ilustrações da artista italiana Francesca Corso.
Em tempos de telas cada vez mais presentes na rotina familiar, a leitura compartilhada pode representar ainda um momento de pausa, convivência e escuta.
Os livros não substituem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas podem contribuir para criar ambientes em que crianças se sintam mais à vontade para reconhecer emoções, fazer perguntas e falar sobre aquilo que sentem. Afinal, muitas vezes, uma história não oferece uma resposta pronta — mas pode ajudar a começar uma conversa.

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