[News] Autor do sertão da Paraíba participa da Flip 2026 com fábula política inspirada na seca histórica de 1932



Em “O sibito baleado”, Francisco Leite Duarte transforma aves do sertão em protagonistas de uma alegoria sobre autoritarismo, manipulação da verdade e força coletiva.


“Das melhores leituras que fiz nos últimos tempos; O Sibito Baleado é a Revolução dos Bichos do Agreste, divertido, comovente e fascinante. ” — Santiago Nazarian


“A mistura dos dois mundos, humano e avicular, em um paralelo incomum e ao mesmo tempo tão cotidiano, é um ingrediente saboroso”
— Pablo Casella


O sibito baleado”, novo romance do escritor, jurista e auditor-fiscal aposentado Francisco Leite Duarte, funde a crueza do romance regionalista de 1930 ao realismo mágico, a partir de um lirismo que se apoia em uma linguagem inventiva e ao mesmo tempo regional. Publicado pela editora Faria e Silva (@fariaesilvaeditora), o livro utiliza uma alegoria antropomórfica para discutir temas urgentemente contemporâneos, como o autoritarismo, a retenção de recursos básicos e a manipulação da verdade. A contracapa conta com blurbs assinados pelos escritores Santiago Nazarian e Pablo Casella.

No dia 23 de julho, às 13h, o autor participa de uma mesa chamada "A resistência que sobrevive ao ser lembrada e contada", com Ana Claudia Ramos, na Casa Estante Virtual, durante a 24ª Festa Literária de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro.

Ambientada no alto sertão da Paraíba, durante a histórica seca de 1932, a narrativa se desenvolve em uma estrutura espelhada que entrelaça o plano humano e o dos pássaros. Enquanto as pessoas sofrem com a fome e a opressão política na terra, as aves da região, cansadas de pagar um imposto abusivo em sementes estipulado pelo tirano Guiratinga para poderem beber água, decidem organizar uma revolução.

O líder desse levante é Fubica, um sibito (cambacica) de perna e asa quebradas que foi resgatado pelo menino Binga e pelo fazendeiro Pedro Bicudo, protagonistas da parte humana do romance. Magro, franzino e audacioso, características que dão origem à expressão popular nordestina que intitula o livro, Fubica vê seu discurso, feito inicialmente para impressionar uma pretendente, transformar-se em um exército revolucionário que sela pactos históricos até com besouros e rola-bostas para derrubar a tirania vigente.

"O livro dialoga com clássicos como Vidas Secas e A Bagaceira, mas rompe com o tom realista daquela época", explica o autor, que faz questão de ressaltar que, em seu livro, homens e bichos se unem não para fugir da seca, mas para lutar ativamente contra as injustiças e as mentiras dos poderosos.

Com uma prosa poética requintada, humor satírico e profunda sensibilidade social, “O sibito baleado” é um manifesto sobre a força da coletividade, a necessidade de resistência e a dignidade daqueles que, mesmo miúdos, recusam-se a se curvar perante os gigantes.

O realismo mágico como espelho de uma trajetória real

Francisco Leite Duarte nasceu na zona rural do alto sertão da Paraíba (Uiraúna). Formou-se em Direito pela UFPB, onde também concluiu mestrado em Direito Econômico e, posteriormente, doutorado em Direitos Humanos e Desenvolvimento. Atuou como Auditor-Fiscal da Receita Federal por mais de 30 anos e hoje é advogado tributarista, colunista semanal do Portal MaisPB e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Na literatura, é autor de romances (“A vovó é louca” e “O pequeno Davi”), contos (“Crimes de agosto”, crônicas e do livro de memórias “Os longos olhos da espera”. Também foi semifinalista do Prêmio Pena de Ouro em 2022.

Francisco conta que seu novo romance mimetiza de forma poética a sua própria trajetória, a partir de um resgate de suas origens e da bagagem que adquiriu durante a vida. Filho de agricultores analfabetos, ele caminhava quilômetros a pé no escuro para poder estudar quando criança. Na juventude, trabalhou diretamente nas frentes emergenciais de combate à seca no Nordeste entre 1977 e 1979 — experiência que o ajudou a construir o cenário do livro de forma contundente.

Apesar de todas as adversidades, transformou-se em Doutor em Direitos Humanos, escritor, professor universitário e auditor-fiscal. "Eu era o próprio sibito baleado — franzino, vulnerável, mas movido por uma força interna gigante", revela o autor. Para ele, sua produção literária funciona como uma reparação histórica: "Ao publicar minhas memórias reais e, agora, a fábula de Fubica, dou um 'troco' poético na realidade árdua da minha infância. É a prova de que a linguagem e a resiliência do sertanejo merecem um lugar de destaque na literatura contemporânea".

Por ter trabalhado em três expedientes durante grande parte da vida, ele confessa não ter nenhum ritual para a escrita. Já escreveu dentro de ônibus, em barzinhos, deitado na cama. "Onde der, eu escrevo".

No momento, o autor dedica-se à escrita de um romance chamado “O Demônio de Laplace”, pretende publicar uma coletânea de crônicas e, quem sabe, um livro de poesia, gênero em que começou a se aventurar ainda aos 18 anos, mas que nunca teve a oportunidade de tornar público.

Ficha técnica

Livro: O sibito baleado
Autora: Francisco Leite Duarte
Número de páginas: 220
ISBN: 9786560252141
Gênero: Romance
Editora: Faria e Silva Editora
Ano: 2026






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