[News] “Madeira que cupim não rói” ganha releitura pop na voz de Letícia Bastos

 “Madeira que cupim não rói” ganha releitura pop na voz de Letícia Bastos



Interpretação da música de Capiba sobre o Madeira do Rosarinho, clube homenageado do carnaval do Recife de 2026, tem clipe com referências até ao filme O Agente Secreto 






Frevo obrigatório no repertório das principais orquestras recifenses, o clássico “Madeira que cupim não rói”, do saudoso Capiba, ganha releitura na voz de Letícia Bastos, disponível nas plataformas de streaming em 29 de janeiro. A cantora e compositora recifense propõe uma versão pop, com contornos dançantes e graves marcantes ao desabafo poético-musical alçado a hino do Madeira do Rosarinho, agremiação homenageada no carnaval do Recife em 2026.


A sonoridade deste frevo pop, como Letícia chama, foi construída a partir do desejo de criar algo novo sem abrir mão da essência da canção original, em um gesto de respeito e continuidade. A identidade do pop nordestino se faz presente ao misturar a força rítmica do frevo com elementos do pop contemporâneo, em meio a células inspiradas no ijexá e na capoeira. Guitarras elétricas conduzem as primeiras estrofes, em frases que dialogam com o R&B, enquanto baixos graves sustentam a energia da canção. Synths eletrônicos complementam a roupagem atual.


“Este hino de Capiba carrega um significado sobre resistência cultural e tem um espaço especial dentro da minha história. O próprio título já diz tudo: o que é feito de raiz, de identidade e de povo não se desgasta com o tempo. O Bloco Carnavalesco Misto Madeira do Rosarinho é uma das agremiações mais tradicionais do carnaval pernambucano. Revisitar essa obra agora é uma forma de me conectar com esse momento histórico e de reafirmar que o carnaval não pertence ao passado: ele continua vivo, pulsante e em transformação”, defende a cantora. 


Os timbres e as batidas do frevo são preservados no refrão, mantendo fidelidade à obra original. Os vocais ganham camadas e backings que evocam o canto coletivo das multidões dos blocos de rua e recriam a energia de um grito compartilhado. O resultado reitera o frevo como herança compartilhada, mantido vivo ao ser sentido, cantado e recriado de geração em geração.


O clipe, gravado nas ruas do Recife Antigo e no Rio Capibaribe, propõe um encontro simbólico entre personagens do período, como entidades culturais que se reconhecem entre si. Estão presentes referências ao frevo, ao maracatu, à La Ursa, ao Galo da Madrugada e à Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos - representada pela camisa popularizada pelo filme O Agente Secreto, do conterrâneo Kleber Mendonça Filho -, que aparecem como corpo de memória, identidade e força coletiva.

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A frase “O frevo é pop”, ostentada em um estandarte, dialoga com a fase artística de Letícia. O figurino, as cores, o brilho e os adereços partem do frevo tradicional, mas são apresentados com uma leitura contemporânea dialogando com moda, audiovisual e linguagem global. “Caminhar nos pontos turísticos do Marco Zero, nos barcos da nossa Veneza Brasileira, entre as ruas do Bom Jesus e na Praça do Arsenal, resgata minhas próprias memórias dos meus melhores carnavais vendo os blocos coloridos passarem nas ruas do centro espalhando alegria”, recorda.



A escolha de “Madeira que cupim não rói” para ser a trilha sonora do carnaval de Letícia Bastos neste ano reativa memórias afetivas da infância, quando foi introduzida à tradição pernambucana nas ruas da cidade acompanhada pela família. Ela se lembra de assistir, aos 6 anos, sobre os ombros do pai, aos desfiles dos blocos de frevo e ficar maravilhada com o colorido da multidão. 


“Foi, sem dúvida, um dos primeiros frevos que aprendi a cantar por inteiro, entendendo não só a melodia, mas a mensagem que ela carrega. Uma mensagem de força, resistência e de enfrentamento às injustiças que atravessam o tempo. Para mim, é uma grande honra poder regravar essa canção e contribuir para que ela continue viva, atravessando gerações como herança cultural, assim como atravessou a minha própria história”, reflete a cantora.


Composta para questionar o resultado do concurso anual das agremiações de 1963, no qual o Madeira do Rosarinho perdeu o título para o Batutas de São José e saiu como vice-campeão, “Madeira que cupim não rói” virou símbolo de resistência, resiliência e força coletiva. Ao longo da história, a obra se consolidou como afirmação cultural e identidade viva do Recife.

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