[News] Crescer sem estrutura é o erro que mais compromete redes de franquias

 Crescer sem estrutura é o erro que mais compromete redes de franquias



Modelo validado, processos e suporte definidos antes da expansão reduzem falhas e protegem o crescimento da rede

Crescer é o desejo natural de praticamente todo franqueador. Mas, no franchising, expandir sem as decisões certas pode transformar uma boa oportunidade em um problema estrutural difícil de corrigir. Antes de acelerar a venda de unidades, existem escolhas que definem se a expansão será sustentável ou apenas rápida.

O setor de franquias no Brasil segue em trajetória de crescimento e amadurecimento, mas esse avanço também expõe um ponto sensível: boa parte das redes que enfrentam dificuldades não erra por falta de mercado, e sim por decisões mal calibradas tomadas antes da expansão.

Segundo Felipe Guimarães, especialista em gestão comercial e networking executivo, crescer exige método. “No franchising, escalar não é repetir o que deu certo uma vez. É garantir que o modelo funcione de forma consistente, mesmo quando o fundador não está mais no centro da operação”, afirma.

Um erro recorrente entre franqueadores é confundir o sucesso de uma operação inicial com um modelo pronto para ser replicado. Ter uma unidade rentável não significa, necessariamente, que o negócio está preparado para operar em diferentes regiões, perfis de franqueado e contextos econômicos.

Para Lucien Newton, VP de consultoria do Ecossistema 300 Franchising, a validação precisa ir além dos números iniciais. “Antes de franquear, o franqueador precisa ter clareza sobre margem real, capacidade de execução, curva de aprendizado do operador e previsibilidade financeira. Crescer sem essa validação é transferir risco para a rede inteira”, afirma.

A ausência de processos claros é outro fator que compromete o crescimento. Redes que avançam sem manuais bem definidos, sistemas integrados e rotinas padronizadas acabam criando operações desiguais, com decisões importantes sendo tomadas localmente, fora do controle da marca. “O franchising é um modelo de escala baseado em processo. Se a operação depende excessivamente da presença do fundador ou de decisões improvisadas, ela ainda não está pronta para crescer”, explica Lucien.

A pressa para expandir costuma levar à flexibilização na escolha dos franqueados. Investidores sem perfil operacional, capital de giro insuficiente ou desalinhamento com a cultura da marca podem comprometer não apenas uma unidade, mas a reputação da rede como um todo.

Felipe destaca que a qualidade dos primeiros franqueados é determinante. “Os primeiros operadores moldam o padrão da rede. Um erro nessa etapa custa caro e, muitas vezes, contamina o crescimento futuro”, observa.

Outro erro clássico é estruturar o suporte apenas depois que a rede já cresceu. Equipes de campo, treinamento, marketing e acompanhamento precisam existir antes da expansão, e não como resposta a problemas. “Quando o suporte nasce depois da venda das franquias, a franqueadora entra em modo reativo. O crescimento saudável acontece quando a estrutura está pronta antes da dor aparecer”, afirma Lucien.

Os especialistas elencam os equívocos mais comuns dos franqueadores:

  • Expandir sem validar o modelo em diferentes cenários
  • Vender franquias antes de padronizar processos
  • Priorizar volume de vendas em vez do perfil do franqueado
  • Subestimar a importância do suporte e do acompanhamento contínuo

Esses erros raramente aparecem no curto prazo, mas se acumulam ao longo do tempo, afetando performance, relação com franqueados e valor da marca. “O franchising segue como um dos modelos mais eficientes de expansão no Brasil. Ainda assim, crescer com segurança exige disciplina, planejamento e decisões bem tomadas antes da aceleração”, pontua Felipe.

“Mais do que vender franquias, o desafio do franqueador moderno é construir um sistema que permita escalar com controle, consistência e previsibilidade, transformando crescimento em vantagem competitiva e não em risco estrutural”, conclui Lucien.

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