13 setembro 2017

[Resenha] Um Tom Mais Escuro de Magia

Entre em um universo de aventuras audaciosas, poder eletrizante e Londres múltiplas. Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.
O que eu achei?
Essa foi uma resenha bem difícil de por para fora. Por motivos de 1) estou numa fase ruim de escrita então entulho resenhas e passo livros na frente e um deles foi A Melodia Feroz, que me deu ideias que não se encaixavam nessa resenha mesmo que eu quisesse muito incluí-las, dificultando ainda mais a minha vida e 2) no dia 10/09/17 conheci a rainha soberana V.E. Schwab, simplesmente a autora mais maravilhosa do mundo, e toda a sua imensa simpatia + nossa conversa regada a olho no olho e abraços apertados tentaram me fazer escorregar da minha opinião mais que sincera. Foi preciso uns tapinhas de leve na cara, mas eis o que temos:

No universo aqui criado pela autora, a cidade de Londres representa um ponto de convergência entre diferentes mundos e, sendo assim, possui quatro variáveis: A Vermelha, a Cinza, a Branca e a Preta. Kell é um antari, um tipo específico de mago capaz de transitar livremente pelas diferentes realidades. Devido sua habilidade extremamente rara (existem apenas dois antari em todos os mundos) ele é encarregado de manter em dia a comunicação entre os governantes de suas respectivas Londres.

Numa de suas viagens, nas quais ele contrabandeia pequenos objetos entre os mundos a pedido de colecionadores, ele recebe de uma figura misteriosa uma pedra negra que desafia as normas convencionais da magia e o torna a figura mais cobiçada por toda a parte. Então seu caminho cruza com o de Lila, uma jovem ladra da Londres Cinza com sonhos de tornar-se uma grande pirata, que o rouba e, ao descobrir que a magia é real, exige que Kell a leve junto em sua busca por quem armou contra ele e o que exatamente a tal pedra é capaz de fazer.

Os pontos mais relevantes do livro são a construção e a especificidades dos mundos. Após toda a Londres Preta sucumbir ao poder da magia devido à fraqueza de seus habitantes, sua força tenta a todo custo espalhar-se para as demais, de modo que quanto mais distante menos efeito será sentido, criando assim um gradiente de exclusão. A Londres Vermelha e sua realeza vivem em pura pompa e sofisticação, onde a magia é prospera e venerada por todos; a Cinza, governada por um Rei louco, se abstém de conflitos por sua completa isenção de mágica; a Branca é lar dos que tentaram controla-la à força e, devido a maior proximidade com o fulgor da Londres Preta, sofreram com sua revolta, que agora suga sua vitalidade até que não reste mais nada.

Kell é adorável. Com a identidade de seus pais até então desconhecida, ele acaba criado pela família real Vermelha, os Maresh. Cresce sentindo-se indigno da compaixão que lhe oferecem, como se o mantivessem por perto apenas para usufruir de seu poder. Sua relação respeitosa para com a magia é apaixonante e suas longas divagações sobre a manutenção da ordem é inspiradora. Enquanto isso Lila é um contraponto a ele, estalo para a estaticidade de Kell. Enquanto ele mostra-se mais introspectivo, Lila complementa a história com seu movimento incessante. Ela possui o ímpeto de roubar apenas pelo ato em si, a possibilidade de estar em posse de algo que, momentos antes, pertenceu a outra pessoa.

A escrita da Schwab é um misto elaborado de excentricidade e ação. Linda e admirável, mas também te carrega facilmente ao longo das páginas e torna sua leitura muito prazerosa. Porém, pende mais para situações e o desenvolvimento dos personagens mingua no meio da correria desenfreada. Somos apresentados ao básico sobre suas motivações e ambições, mas o mergulho ao âmago é raso, fazendo com que a relação de Kell e Lila, ou mesmo a de Kell e seu irmão Rhy (basicamente a melhor pessoa do livro), não se aprofundam tanto quanto poderiam.

Um Tom Mais Escuro de Magia é um ótimo início de série que, além de apresentar um universo único, explora muito bem o que já foi assentado. Terminando de forma sucinta e fechadinha, o final do livro me deixou meio conflitante, pois, segundo resenhas que já li sobre sua continuação, Um Encontro de Sombras, um plot totalmente desprendido do que já foi dito é inserido e a “história principal” só é retomada no último volume dessa primeira trilogia. Me deixa com uma leve dúvida atrás da orelha, mas a curiosidade (e o amor imenso de grande, consolidado depois de me encontrar com a pessoa que criou isso tudo) fala muito mais alto.

Escrito por Julio Gabriel

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