02 junho 2017

[Resenha] Pela Janela Indiscreta


Deus abençoe Nova York e seus apartamentos justapostos! É graças a eles que Frederick se diverte tanto nas noites que passa em casa, espiando sua vizinha. Não que esse seja seu único passatempo – morando numa cidade como essa, suas opções são quase infinitas: bares, restaurantes, mulheres...
Principalmente mulheres! Diversas delas. Mas sempre que a farra termina, ele volta pra casa e lá está sua vizinha, na janela ao lado.
Tudo parece mudar quando ele e a tal vizinha se encontram na rua. E Frederick, conhecido por sua facilidade em lidar com qualquer mulher, encontra-se, desta vez, em grandes dificuldades. Louise, ao contrário do que ele imaginava, não é só aquela garota da janela, mas também alguém que espalha dúvidas por onde quer que passa.
Será possível que duas pessoas tão diferentes podem se encontrar numa cidade tão grande?
O que eu achei?
É sempre muito bizarro iniciar a leitura de um livro do qual já conheço a pessoa que escreveu há um tempinho. Já fui a zilhões de eventos em que a Aimee esteve presente e tenho uma mania de correlacionar autor e obra nesses casos, mas, como eu nunca havia realmente captado do que se tratava até efetivamente começar a ler, Pela Janela Indiscreta foi um livro bem tranquilo nesse quesito. Sem contar que é uma história gostosa de acompanhar. 


O livro é dividido em três partes, sendo a primeira narrada por Rick, em seguida pela Louise, e, por fim, por ambos. Na primeira, veremos Rick contextualizar um pouco sobre sua vida, seu jeito libertino de ser — a básica hora do pegador se mostrar um pouquinho — e o modo como, depois de tanto espia-la pela janela, ele e Louise se conhecerão formalmente. Na narrativa de Louise ela fará um leve recap do que aconteceu anteriormente no livro, o começo da relação dos dois e alguns momentos conturbados, pelo seu ponto de vista, apresentando uma nova camada de profundidade. 

Rick foi um personagem muito difícil de aceitar, principalmente por conta do seu extremo machismo. Ele dispara diversos comentários bem azedos de engolir e dissemina um pensamento restritivo sobre os assuntos mais diversos possíveis; contudo tem suas partes interessantes. Seus diálogos com Louise são bem engraçados e quebram um pouco seu ar de macho alfa incontestável. O que nos leva à própria. Louise é o tipo de personagem extremamente indeciso, daquelas que demora milênios para escolher o sabor do sorvete (o que obviamente é algo de suma importância, vamos concordar) e proporciona momentos únicos. 

Mesmo estando preso à história, esse livro me confirmou que o formato Wattpad de escrita não funciona pra mim. Embora seja uma plataforma que propicia uma interação muito mais próxima entre os autores e seus leitores, os textos precisam ser idealizados para que eles retornem a cada atualização, logo cada capítulo possui pequenos ganchos para os seguintes, o que acarreta numa narrativa em forma de onda, subindo e descendo, em vez de retilínea. E isso me causa certo entrave durante a leitura, como se a narrativa estivesse sempre dando dois passos à frente e um pra trás, o que não acontece aqui, mas no geral sim. 

Apesar dos pequenos pesares, foi sim um livro bem divertido e que me entreteve o tempo inteiro. A dinâmica entre Rick e Louise é muito gostosa e, aliada à escrita levíssima da Aimee (que cedeu o livro pra ser resenhado e estará presente conosco amanhã no evento Aniversário de 3 Anos do Blog Reino Literário Br [jabázinho básico sim, obrigado]), torna-se muito gostosa de acompanhar e de perder bons momentos lendo.

Postado por Julio Gabriel

Um comentário

  1. Oi Julio,
    A plataforma Wattpad realmente nem sempre agrada a todos, porém quando não tenho a opção de livro físico eu acabo indo para lá. Também sempre tem obras novas de autores nacionais ótimos.
    Beijos

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