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[Resenha] O Exorcista


Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz.







O que eu achei?
Regan Teresa MacNiel, doze anos, filha de Chris MacNiel, ateísta, atriz de sucesso.

Em sua casa em Gerogetown, Washington D.C., Chris mora com sua filha, Regan, e seus dois empregado, Willie e Karl, e tem a visita frequente de sua assistente, Sharon enquanto trabalha como atriz em seu novo filme. O convívio harmônico e regular de todos eles se vê afetado quando Regan começa a ter seu comportamento alterado, sem nenhuma explicação aparente. Com a piora de menina, sua mãe busca ajuda na ciência, vistando médicos e mais médicos, de varias especialidades, tentando compreender e ajudar sua filha – tudo em vão. Há explicações, mas nenhum tratamento para surtir efeito. Tabuleiro Ouija, espíritos, sons vindos sabe-se lá de onde... O que estatia acontecendo?

A história mostra, dentre outras coisas, dois pontos interessantíssimos: a mãe de Regan Chris, que luta para tentar entender e ajudar sua filha, sem conseguir entender o que há de errado nela – problema psicológico? Demônio? Histeria? Como ateia, no que acreditar, uma vez que a medicina em nada tem ajudado?
Há também o padre/psicologo/professor Damien Karras, que luta contra sua consciência e sua falta de fé, carregando o peso de uma grande culpa que o atormente a cada instante. Tentando encontrar explicações para o caso de Regan, ele se vê ainda mais confuso, questionando a si mesmo, a sua falta de fé, a sua ciência.

O enredo é sombrio, com uma atmosfera extremamente pesada, quase como se você estivesse presenta no local. Extremamente detalhado, nossos sentidos são explorados ao extremo quando o autor expões minuciosamente os acontecimentos, principalmente envolvendo a menina possuída. E permeando todo o drama de que está ao redor, temos o emocional e o mental de Chris e Kerras, que parecem lutar contra si mesmos diante dos acontecimentos que antes pareciam tão surreais, absurdos, fantasiosos. Quase mitológicos.
Um dos pontos que mais me chamou atenção, o ponto que eu mais admirei na escrita de William Peter Blatty, foi como ele conseguiu criar a personalidade do demônio, assustadora, repulsiva, repugnante, onde, durante a leitura, é impossível não sentir um frio na espinha, um leve medo e fascínio. A inteligencia e a destreza do mal foi construída não apenas para confundir o padre, mas também para mexer com o leitor, brincar e questionar seus conceitos de bem e mal. Além disso, temos uma visão mais ampla sobre a possessão, seus efeitos não somente no possuído, mas em como afeta os outros. Quem nunca se perguntou o porque disso acontecer?
Por vezes, mesmo conhecendo a história, me pegava questionando a veracidade da possessão de Regan. Os fatos e constatações médicas são tão bem elaboradas e explicadas, que é quase impossível aquela ponta de dúvida não surgir quanto a veracidade do caso. Mas, ainda assim, também é impossível não se questionar: e se for verdade?

Regan é ambígua, sendo ela a causa do mal e sua vítima. Sentimentos conflitantes surgem nos momentos em que ela aparece. As descrições físicas são assustadoramente detalhadas; as reações físicas da menina enquanto possuída são horripilantes. Não há filtro nessa história. Não há sutileza. O mal não é sutil; é violento, sujo, feroz, e o autor soube, de maneira ímpar, demonstrar o lado corruptor do “inimigo do homem”. Mostrou a angustia e a tortura. A profanação. O divertimento e os jogos mentais que o mal é capaz de fazer para iludir quem o ouve. E o padre Karras, com sua fé abalada e sua alma cheia de culpa, será capaz de resistir ao joguetes do demônio?

Essa história vai muito além da luta do bem contra o mal, da fé contra o descrente, Deus e Diabo. Isso seria algo muito superficial e clichê, e não faria desse livro um dos maiores sucessos do gênero. Questões pessoais são muito mais relevantes nessa história. Para mim, algumas dessas histórias – incluindo essa – não são apenas sobre o diabo, suas ações e como ele quer dominar o mundo – isso seria, como disse, algo muito superficial e simplório. Elas tratam da fé, e da renovação da fé, ainda que não se acredite em nada. Mas o questionamento sempre fica, para aqueles que possuem a mente mais aberta.

Envolvendo suspense, drama, terror, segredos obscuros, questionamentos morais e levemente filosóficos e personagens cativantes, com uma escrita abrangente, detalha e inteligentíssima, que destrincha a mente dos personagens pouco a pouco, O Exorcista é um livro fantástico, um clássico eterno, um dos melhores livros que já li – e o primeiro do gênero.

Como diz na capa, “poucos leitores sairão ilesos.”

Um comentário:

  1. Irlan, confesso que tenho um pouco de receio em ler esse livro.
    Nunca me sinto muito bem , quando leio livros assim ou assisto filmes do gênero.
    Fico incomodada!
    E fico horas pensando em tudo.
    Para se ter uma ideia, até a capa me incomoda.

    Tenho vontade de ler. Mas tenho medo também! ;)

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