[Eventos] EXPOCINE 2026 encerra segundo dia com programação de temas relevantes para a indústria audiovisual

 

Foto/crédito: Blackcat Produções

Na quinta-feira, 1º. de outubro, a programação da 13ª edição da EXPOCINE, maior convenção de negócios de cinema da América Latina, continuou cheia de atividades, com a Feira de Negócios, os painéis, oficinas formativas e a apresentação do line-up 2026-2027 das distribuidoras Vitrine Filmes, Paramount, Downtown Filmes, Elo Studios, Diamond Films e Disney.

O primeiro painel do dia, A Cadeira que Fica Vazia - Preço de Deixar o Público PCD de Fora, apresentado pela MAV, reuniu diferentes visões - distribuição, consumidores e regulação, para discutir a acessibilidade e o impacto socioeconômico para o setor que deixa de faturar e de fidelizar ao ignorar o público PCD. Participaram da conversa Cid Torquato, da CT Acessibilidade, Lígia Zamaro, do Sesc São Paulo, Marcella Fazzio, da MAV, Marina Herrador, da Paris Filmes e Renata Del Giudice, da Ancine.

A comunicação para atrair este público para os cinemas e como acolhê-lo para que continue retornando foi um dos principais pontos conversados no painel. "O investimento não é só a produção, mas também o marketing. Por exemplo, é montar um trailer acessível, é produzir uma cartela para orientar e deixar o ambiente mais confortável pra quem já está lá dentro. Então todos esses pequenos pontos, que juntos se tornam enormes, são investimentos importantes. Mas como qualquer indústria, para ter retorno, precisamos criar este primeiro passo. E aí essas pessoas vão se sentir acolhidas para retornarem para um segundo, terceiro, quarto filme”, comentou Marina Herrador, da Paris Filmes. 

A regulamentação do Vídeo On Demand não poderia faltar às discussões. O painel Regulação do VOD  - O que Muda para a Sala de Cinema Quando o Streaming For Regulado debateu sobre a lenta regulação no Brasil e a falta de clareza nas regras. Enquanto o Congresso não define um caminho, plataformas de vídeo e canais de TV por assinatura seguem atuando em um ambiente de normas indefinidas, cada qual defendendo interesses distintos sobre o que uma futura legislação deveria priorizar e proteger.

Ao falar da regulação do streaming, Luiza Favale, da Glaz Entretenimento, comentou: “Como sempre, o Brasil está atrasado. Nós já vivemos isso lá atrás, quando a Lei 12.485 regulamentou a TV paga. Nós a regulamentamos depois de muito tempo, quando a TV paga estava no auge. E foi uma lei que acabou durando 'muito pouco'. Porque entre a regulamentação efetiva e a TV paga ser superada, nesse processo do streaming, tivemos menos de 10 anos. Então, com o streaming, infelizmente a mesma coisa está acontecendo de novo. Estamos muito atrasados nessa discussão”. 

Entre os principais temas da nova regulação abordados por Favale estão: o pagamento da Condecine, que hoje não é feito pelas plataformas; a necessidade de garantir titularidade de direitos aos produtores independentes, já que a maior parte das obras para streaming é feita como prestação de serviço e fica sob controle das plataformas, em geral estrangeiras; e a discussão sobre cotas de conteúdo nacional. 

Com mediação de Gabriel Portela, participaram também da conversa Celia Catunda, da Pinguim Content e Vanessa de Araújo Souza, do Canal Curta.

O segundo dia de Expocine também trouxe o painel Marketing de Bilheteria na Era do TikTok. A conversa abordou o impacto das campanhas de lançamentos de filmes neste novo cenário com as publicações de fãs nas redes sociais, tirando o lugar do trailer oficial como o primeiro contato do público. 

Com mediação da jornalista  Flávia Guerra, Camila Ramires, do TikTok, iniciou o debate explicando que a gigante chinesa se vê como uma plataforma de descoberta de conteúdo, não apenas uma rede social. Com 1 bilhão de usuários ativos e 66 mil vídeos publicados por minuto, a plataforma influencia fortemente o consumo de filmes e séries: 80% dos usuários veem conteúdo relacionado a TV e cinema, 47% descobrem o que assistir por meio de vídeos no TikTok, 42% vão conferir o título no cinema ou streaming e 36% chegam a comprar ingressos ou assinar serviços. 

Luiz Angi, da Cinépolis, reforçou os comentários de Ramires. “Quando temos algum conteúdo que já está disponível para venda ali no cinema é muito mais fácil para nós trabalhar e o TikTok é uma ótima ferramenta, porque consigo linkar para a pessoa ir lá e comprar o ingresso na hora e garantir o lugar ali para assistir àquele conteúdo”.

Sabrina Salgado, diretora de marketing da Cinemark, complementou afirmando, “Antes havia aquela lógica de autoridade máxima de um estúdio, de trazer um trailer e aquele conteúdo ser soberano, ou a própria capacidade do exibidor de transmitir, de exibir aquilo — as coisas mudaram. Hoje as posições estão muito mais horizontalizadas. Todo mundo co-cria”. 

Regida por três pilares: educativo, estratégico e de mercado, a EXPOCINE 2026 tem o tema “Tela Aberta: Cinema Que Se Move Por Si Só", que coloca a convergência de telas no mote central da discussão, em que salas de cinema, streaming e novas janelas de distribuição convivem no mesmo ecossistema.

Este ano, a EXPOCINE acontece em dois endereços da Avenida Paulista: o Espaço Center 3 de Eventos (com a feira de negócios, treinamentos técnicos e os painéis estratégicos) e o Cine Marquise, no Conjunto Nacional (onde acontecem as oficinas formativas, e as apresentações das distribuidoras. 


Confira, abaixo, a programação desta sexta-feira, 2 de outubro, último dia da EXPOCINE 2026


Painéis | Sala Spcine, Espaço Center 3 de Eventos


Territórios Criativos — Ações que Potencializam o Audiovisual na Periferia | 10h às 11h | Participação de Anna Paula Montini, Spcine e Leandro Pardí, Spcine


Como as periferias podem se tornar cada vez mais potentes para o audiovisual brasileiro? As periferias são territórios fundamentais de criação, formação de público e renovação do audiovisual. Esse movimento levanta questões sobre acesso, desenvolvimento local e o papel das políticas públicas na construção de novos caminhos para o mercado. 


Até Onde o Dado Ajuda: IA, Dados e os Limites do Que a Tecnologia Resolve no Cinema | 11h30 às 12h30| Participação de Erika Alvarez, YouTube; Aline Zambrini, Tomun; Lyara Oliveira, ESPM São Paulo; Fabrizia Rossetti, NexIA Lab, com mediação de Priscila Beltrame,  CQS/FV Advogados  


A inteligência artificial deixou de ser promessa e virou orçamento. Google e A24 firmaram uma parceria de US$ 75 milhões para desenvolver ferramentas de IA para cinema, enquanto o YouTube testa recursos como Shorts com avatares gerados por IA e sistemas para artistas identificarem deepfakes. Na exibição, a CinemaCon 2026 mostrou como a IA está sendo usada para prever demanda de público, otimizar horários, personalizar campanhas e até gerenciar estoque de bomboniere. A questão que fica é até que ponto esses dados e essas tecnologias realmente melhoram a tomada de decisão no setor — e quando viram apenas ferramentas bonitas sem retorno concreto?


Oficinas Formativas | Sala Exibidor, Cine Marquise 


Lançamento em Salas de Cinema: Como funciona o lançamento de um filme nos cinemas |  9h30 às 12h | Com promoção da Vitrine Lab (Vitrine Filmes) | Participação de: Elaine Vegnaduzzi, Gerente de Programação da Vitrine Filmes


Durante a atividade, será explicado, de forma prática, como se planeja a estreia de um filme nas salas,  da escolha da data à negociação com os exibidores. Também será abordado as outras formas de circulação de um  filme, além da sala de cinema, chegando a públicos e territórios sem acesso a salas comerciais, em espaços de exibição alternativos.  


Sobre a EXPOCINE

Consagrada como o maior encontro de negócios de cinema da América Latina e o segundo maior do mundo, a EXPOCINE vem de uma trajetória de crescimento contínuo. Somente na sua última edição, em 2025, o evento reuniu mais de 2.300 credenciados e apresentou um impressionante salto na área de negócios, saindo de 24 marcas expositoras em 2023 para mais de 60. Com mais de 55 horas de conteúdo e a presença de exibidores, distribuidores, produtores e executivos do setor, a convenção se consolida como o palco onde a indústria latino-americana decide seus próximos passos. Alinhada com o seu crescimento estrutural e de conteúdo, a EXPOCINE 2026 reforça seu compromisso com a inclusão e a pluralidade. Em parceria com a MAV, o evento garantirá maior acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Além disso, as apresentações contarão com tradução simultânea para espanhol e inglês. 


Sobre a Tonks - produtora da EXPOCINE:

Criado em 2006 por Marcelo J. L. Lima, o Grupo Tonks nasceu como uma consultoria de tecnologia e soluções digitais para as principais redes exibidoras do país. Com o objetivo de ampliar o seu portfólio e ter maior presença no mercado, a empresa fundou também a Revista Exibidor, alimentando a indústria com novidades; a Expocine, encontro presencial anual entre os profissionais de cinema, e, recentemente, o Cine Marquise, espaço premiado e com uma programação versátil para todos os fãs de cinema com duas unidades, sendo uma no coração de São Paulo e a outra em Poços de Caldas.





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