[News] Em A arte de matar, Salgado Maranhão investiga a pulsão humana pela violência em livro de poemas inéditos

 Em A arte de matar, Salgado Maranhão investiga a pulsão humana pela violência em livro de poemas inéditos


Com versos que percorrem mitos bíblicos, impérios e guerras, o premiado poeta reflete como a capacidade de matar o outro acompanha a humanidade desde sempre


Com orelha assinada por Itamar Vieira Jr. e apresentação do tradutor norte-americano Alexis Levitin,
a obra inédita chega às livrarias pela editora 7Letras


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“O sangue de Abel esguichou / na vidraça agora há pouco.

O sangue de Abel segue / a esguichar em toda parte:

no Sudão, em Israel, na Palestina (ou em alguma esquina imaginária).”

Salgado Maranhão


Após quatro anos sem publicação inédita, Salgado Maranhão retorna com A arte de matar (7Letras), obra que reúne poemas que investigam uma das dimensões mais antigas e persistentes da experiência humana: a violência. Partindo de episódios bíblicos, figuras históricas e mitos fundadores de diferentes civilizações, o poeta explora um vasto arco temporal para refletir poeticamente sobre poder, guerra, ambição e morte. O lançamento será no dia 3 de setembro, quinta-feira, às 18h30, com sarau no Prodigy Hotel do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. 


"Quando criança, eu vivi no sertão maranhense onde as relações não eram mediadas por nenhum tipo de lei, exceto a lei do mais forte e do critério da honra. Não havia polícia, juízes, nem qualquer tipo de contenção de excessos, além do respeito aos mais velhos. Quando isso falhava, o choque dos contrário era inevitável. Brigas com mortes e esfaqueamentos eram comuns", relembra Maranhão. 


"Com meu acesso à história e à cultura dita civilizada, percebi, desde os escritores bíblicos, que o comportamento assassino do ser humano vem de longe e só se aperfeiçoa, desgraçadamente. Quase todos os nossos líderes históricos promoveram a morte do Outro, individual ou em massa. Por isso, busquei refletir poeticamente sobre essa questão, neste livro”, completa o autor, vencedor do Prêmio Jabuti, em 1999, e do Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, em 2011 e 2016.

Ser humano, um projeto inacabado


Tudo começa com Caim, o primeiro assassino da tradição bíblica, cujo gesto inaugura, segundo o poeta, um itinerário de sangue que nunca cessou. Dali, os poemas percorrem faraós e imperadores, do jovem Tutancâmon a Júlio César, de Louis XVI ao Velho Oeste, de Gengis Khan aos líderes tupinambás, até desembocar em barões bem mais próximos de nós: os do tráfico de drogas, do crime organizado, da indústria da morte em suas versões contemporâneas. 


O leitor, aqui, perceberá, de modo sutil, que, apesar do enorme progresso humanístico e tecnológico alcançado, algo primitivo (e cruel) ainda persiste em nós, nos lembrando que somos, em última instância, um projeto inacabado”, reflete Maranhão. 


Nesses treze poemas, Salgado examina, com uma ironia aguda e impregnada de raiva e tristeza, a história da humanidade como algoz. A maior ironia de todas é que Salgado utiliza a ordem criativa e o controle do soneto para retratar a tendência violenta e destrutiva que jaz na alma humana”, escreve o professor da Universidade Nova Iorque, Alexis Levitin, no texto de apresentação. ”Esses poemas são, ao mesmo tempo, provocadores, perturbadores e arrebatadores”, ressalta o tradutor de vários autores da língua portuguesa, como Clarice Lispector. 


Na orelha do livro, o escritor Itamar Vieira Jr. observa que matar é uma possibilidade dada a todos que vivem, dos grandes predadores da natureza aos impérios que se ergueram sobre conquistas e mortes. Para ele, "a arte da guerra é a arte de matar, e é assim que percorre a nossa história". Vieira Jr. destaca, ainda, como, na segunda metade do livro, dividido em quatro partes, o olhar do poeta se desloca da grande história para a intimidade, revelando "uma escrita de extraordinária força imagética e musicalidade, em que invenção verbal e reflexão existencial caminham lado a lado".


Uma trajetória de observação da condição humana


Depois do bloco que dá nome ao livro, dedicado à violência histórica e mítica, o leitor encontra "Diário de bordo", onde o poeta recolhe observações de suas vivências cotidianas acerca do tema proposto pelo título. Seguem-se "A deusa insurgente", de tom mais amoroso e lírico, e "Versões subversas", que fecha o livro com poemas sobre memória, fronteiras e pertencimento. 


"Dos últimos três livros para cá, travo uma conversa com a poesia enquanto ente, sobre o que, no mundo, me fere e afeta", explica o autor em referência à seção final do volume. Na sequência, o leitor encontra uma fortuna cŕitica com textos de Ferreira Gullar, Olga Savary, Antonio Cicero, Domício Proença Filho, Muniz Sodré e Antonio Carlos Secchin. 


"Em toda a minha obra, eu tenho uma clara preocupação humanitária: o ser humano e suas agruras físicas e existenciais são meu foco principal. E este mais recente não é diferente", finaliza o poeta, situando A arte de matar na continuidade de uma trajetória dedicada a pensar a condição humana. 


SOBRE O AUTOR

Salgado Maranhão nasceu em Canabrava das Moças, no município de Caxias, Maranhão. Poeta, jornalista, letrista e consultor cultural, estreou em livro na antologia Ebulição da escrivatura, em 1978. Desde então, publicou diversos títulos, entre eles Mural de ventos, vencedor do Prêmio Jabuti em 1999; A cor da palavra, Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras em 2011; O mapa da tribo, Prêmio pen Clube de Poesia em 2014; e Ópera de nãos, vencedor do Prêmio ABL de Poesia em 2016. Seus poemas foram traduzidos para vários idiomas. Como letrista, contabiliza parcerias e gravações com importantes nomes da música brasileira como Pixinguinha, Alcione, Zizi Possi, Elba Ramalho, Paulinho da Viola, Ivan Lins, Ney Matogrosso, Elton Medeiros e grande elenco.


Agenda de lançamento:
Dia 03 de setembro, quinta-feira, às 18h30, com sarau no restaurante Orla 21 (5o andar, na área Bossa Nova Mall do Prodigy Hotel, no Aeroporto Santos Dumont, no Aterro do Flamengo - Av. Alm. Silvio de Noronha, 365 - Centro, Rio de Janeiro).


Ficha técnica:

Título: A arte de matar

Autor: Salgado Maranhão

Editora: 7Letras

Gênero: poesia

Número de páginas: 76 

Lançamento: setembro de 2026

Preço: R$ 44,00

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