[News] Na Bienal do Livro de São Paulo, “Super Henry” transforma violência doméstica em aventura de super-herói para o público infanto-juvenil



Inspirado no caso Henry Borel, livro de Antonio Sampaio Dória aborda trauma infantil, abuso de poder e justiça pelo olhar de uma criança, sem recorrer ao moralismo

Voltado para o público infanto-juvenil, “Super Henry”, escrito pelo professor, mestre em Literatura Comparada pela USP e escritor Antonio Sampaio Dória, será lançado durante a Bienal do Livro de São Paulo, em encontros promovidos pela Fraternidade de Escritores, nos dias 5 e 10 de setembro. No sábado (5), o lançamento acontece das 10h às 11h30; durante a semana, na quinta-feira (10), das 10h às 12h.

Publicado pela Abrementes Editora e ilustrado em aquarela por Raissa Castro, o livro transforma uma realidade marcada pela violência doméstica em uma aventura fantástica protagonizada por uma criança. Inspirada na tragédia do menino Henry Borel, a obra acompanha Henry, um garoto imaginativo que acredita ser um verdadeiro super-herói, enquanto enfrenta uma ameaça que não está em um mundo fantástico, mas dentro de sua própria casa.

A narrativa combina fantasia, aventura e denúncia social para abordar agressões físicas, manipulação psicológica, omissão e abuso de poder a partir do olhar infantil. Ao mesmo tempo, incorpora a presença do poder político e das milícias locais, representadas pelo Coronel, ampliando a discussão sobre as estruturas de violência que cercam a infância em comunidades periféricas.

A trama se passa no Morro do Castelo, uma comunidade sob o domínio opressivo do temido Coronel e de seus seguranças. Henry é um menino repleto de imaginação e teimosia que acredita ser um verdadeiro super-herói, munido de uma capa azul, um estilingue e o sonho de voar. Ao lado dos amigos Tatu, Foca e Pulga, ele patrulha o morro inteiro.

Mas o maior perigo não vem do lado de fora, e sim de dentro de sua própria casa. Com a separação dos pais e o novo relacionamento da mãe com o filho do Coronel, apelidado de “Dito Cujo”, Henry passa a enfrentar manipulação psicológica e agressões físicas. O livro acompanha sua coragem ao tentar alertar os adultos e defender a mãe, em uma jornada que mescla heroísmo infantil e realidade.

Inspirado pela dor e indignação diante do caso real de Henry Borel, Antonio Sampaio Dória explica que o personagem não poderia ser apenas uma vítima. Assim, Henry percorre sua própria jornada do herói, amadurecendo ao longo da narrativa.

Um dos conceitos centrais da obra é o “Pendimento”, forma como o protagonista entende o arrependimento: uma pedra pesada amarrada ao pescoço, símbolo da consciência das ações que ferem o outro. Enquanto o vilão representa a ausência de ética e remorso, Henry aprende sobre empatia, vingança e responsabilidade.

No terço final, a história incorpora uma dimensão espiritual e fantástica. Após a violência atingir seu ápice, Henry ganha os céus, conquista finalmente o poder de voar e retorna para fortalecer os amigos e enfrentar aqueles que acreditavam estar acima da justiça.

Antonio olha para a realidade e cria literatura para as infâncias


Professor, escritor e mestre em Literatura Comparada pela FFLCH-USP, Antonio Sampaio Dória é autor de obras como “O Preconceito em Foco” (selo Altamente Recomendável da FNLIJ), “Um Amigo Inesquecível”, “A Virada de Tia Nastácia” e “Era uma vez... E não é mais!”. Em 2025, fundou a Abrementes Editora, dedicada à publicação de livros que abordam questões sociais urgentes para a formação de novas gerações de leitores.

Segundo o autor, seu objetivo é discutir temas difíceis sem recorrer ao didatismo ou ao moralismo explícito. “As personagens vivem sua realidade e reagem a ela de forma dinâmica. Procuro criar uma obra artística”, afirma.

Entre as influências para “Super Henry”, ele destaca clássicos como “Os Meninos da Rua Paulo” e “Tistu, o Menino do Dedo Verde”, obras que unem aventura, enfrentamento de problemas sociais e amadurecimento dos protagonistas.

Adquira “Super Henry”, da Editora Abrementes:


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