[News](Dança) - Grupo Corpo chega ao Rio em 6 de maio com "Piracema" e "21" | Teatro Multiplan

 Ministério da Cultura e Petrobras

apresentam

21 e piracema

                                  



                            foto José Luiz Pederneiras                                              

 

O Grupo Corpo traz ao Rio de Janeiro, em maio, duas obras marcantes do seu repertório: 21, de 1992, coreografia de Rodrigo Pederneiras que consolidou a linguagem da companhia; e PIRACEMA, criação que comemorou os 50 anos de atividades do Corpo em 2025, de Rodrigo e Cassi Abranches.

 

O Grupo Corpo chega ao Rio de Janeiro em 2026 com dois balés fundamentalmente representativos de sua trajetória. De 6 a 10 de maio, a companhia mineira ocupa o Teatro Multiplan VillageMall, na Barra da Tijuca. O Corpo é apresentado pela Petrobras e conta com o patrocínio da Vivo e da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O programa abre com 21 (1992), criação que marcou a consolidação da linguagem artística da companhia na excelência e na originalidade dos irmãos Paulo e Rodrigo Pederneiras, diretor artístico e coreógrafo.  A segunda parte traz Piracema (2025), obra que celebrou 50 anos de carreira do grupo, e estreou a colaboração de Cassi Abranches dividindo com Rodrigo a posição de coreógrafa residente. A música é de Clarice Assad.

Fundado em 1975, o Grupo Corpo estreou nos palcos em 1976, com Maria, Maria. Seu trabalho, calcado tanto na brasilidade como na universalidade, deu novo rumo à dança no Brasil, com reconhecimento nacional e internacional.

Coreografia: Rodrigo Pederneiras

Música: Marco Antônio Guimarães / UAKTI

Cenografia: Fernando Velloso

Figurinos: Freusa Zechmeister

Iluminação: Paulo Pederneiras

(Duração: 40 minutos)

 

Criado em 1992, 21 é um divisor de águas na história do Grupo Corpo. Depois de atuar por uma década com temas musicais pré-existentes, com este balé a companhia mineira de dança passou trabalhar exclusivamente com trilhas especialmente compostas – como acontecera em seus primórdios nos bem-sucedidos Maria, Maria e Último Trem, ambos com música original de Milton Nascimento e Fernando Brant –, adotando como regra este critério. A decisão proporciona a Rodrigo Pederneiras a oportunidade de dar início à construção do extenso vocabulário coreográfico, de inflexões notadamente brasilianas, que se tornaria marca registrada das criações do grupo.

Das muitas combinações sugeridas pelo n21, grande o suficiente para conter em si todos os números básicos, e pequeno o suficiente para não se distanciar deles, nasceram a música de Marco Antônio Guimarães e o balé do GRUPO CORPO, numa gestação que durou seis meses entre o processo de criação da música e a fase final dos ensaios.

São três grandes blocos. No primeiro, a tensão entre as cores vermelha, da luz chapada de fundo, e amarela, das malhas utilizadas pelos bailarinos, dá o tom. Múltiplas combinações rítmicas e timbrísticas em escala decrescente do 21 até o 1 produzem um quê minimalista.

Na segunda parte, oito pequenas peças musicais extraídas das combinações entre os números 6, 5, 4, 3, 2, 1 (que, somados, dão 21), e que alternam elementos das músicas erudita, popular, oriental, cigana e jazzística dão vida ao que os criadores de 21 chamam de os hai-kais do miolo do espetáculo - numa alusão aos poemas japoneses estruturados em cima de três versos curtos.  São quase como um interlúdio no espetáculo, em linguagem simples e econômica, e uma iluminação artesanal, feita, por vezes, pelos próprios bailarinos. 

O último movimento tem como fundo uma colcha de retalhos monumental, com estampas de colorido vibrante tipicamente interioranas e figuras geométricas que remetem a primitivas pinturas africanas.  Aqui, música e coreografia brincam com citações regionais, folguedos populares, guardando por trás da aparente simplicidade estruturas complexas, como as divisões em 7 da música. Tudo desemboca numa percussão quase tribal que permite a Rodrigo Pederneiras desenhar com os corpos de seus bailarinos a melodia oculta no deslumbrante espetáculo rítmico oferecido por este trecho da composição de Marco Antônio Guimarães.

 

coreografia: Rodrigo Pederneiras Cassi Abranches
música: Clarice Assad
cenografia:  Paulo Pederneiras
figurino: Susana Bastos e Marcelo Alvarenga
iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

(Duração: 40 minutos)

 

Do Tupi: “pira” = peixe; “cema” = subir. Arribação de peixes em grandes cardumes. Movimento migratório de peixes no sentido das nascentes dos rios, com fins de reprodução

 

No ano de seu cinquentenário, 2025, o Grupo Corpo escolheu o fenômeno da piracema como símbolo de sua trajetória – uma viagem movida pelo irresistível desejo de criar, recriar e resistir, em sua brasilidade profunda e incontestável que deságua na linguagem universal da grande arte.  Se o peixe sobe a correnteza do rio em uma dura jornada para chegar ao local da desova, é também contra os obstáculos que se instala a urgência de criar e recomeçar. Assim, é continuidade e é renovação do mais importante grupo de dança contemporânea do país.

Com trilha inédita composta pela multi-instrumentista e compositora brasileira/norte-americana Clarice Assad, Piracema inaugurou a parceria coreográfica de Rodrigo Pederneiras com Cassi Abranches, que passa a ser também coreógrafa residente.  O desafio proposto por Paulo Pederneiras foi o de dividir a companhia em dois grupos de 11 bailarinos; cada um dos coreógrafos criou e ensaiou independentemente todo o balé, para depois reunir e combinar as duas versões. Limites rígidos foram estabelecidos. “Não podíamos nem circular na área em que o outro grupo estava ensaiando”, revela Cassi Abranches. “Deu um frio na barriga, mas topamos a proposta e a dança cumpriu seu papel integrador”.

A obra combinada resulta inteira, “uma terceira via”, define Rodrigo. “Sou mais intimista na movimentação, Cassi é mais explosiva e aberta, mas nossas visões se integraram”.

 

Na música, utopias e distopias

 

O balé Piracema traduz a música de Clarice Assad que, dividida em três grandes movimentos, traça um arco que se inicia no tribal, no ambiente natural intocado, passa pela polifonia sinfônica do clássico e termina no eletrônico, urbano, contemporâneo. “Foi minha primeira trilha, e logo com o gigantesco Grupo Corpo”, conta a compositora de Chicago, onde mora.

Ela trabalhou com o percussionista Keita Ogawa, a orquestra de cordas New Century Chamber, de São Francisco, e com participações especiais como a de seu pai, o grande violonista e compositor Sérgio Assad. “Usei minha voz em harmonias vocais e até lancei mão, na terceira parte, de ruídos e sons criados por inteligência artificial. No final das contas, foi um quebra-cabeças que o Corpo e eu montamos lado a lado, criando um panorama de evolução, mudança e revolução do mundo. E ainda não sabemos se caminhamos para uma utopia ou uma distopia. Mas o poder regenerativo da arte é real”.

 

Escamas

 

O diretor artístico Paulo Pederneiras foi buscar, para a cenografia, um material inusitado – e que se alinha à ideia dos cardumes da piracema.  Recobriu o fundo (de 16m x 7m) e as pernas (laterais do cenário) com nada menos que 82 mil tampas de latas de sardinha. “Montamos numa rede as tampas metálicas e a imagem de escamas se projeta”. Paulo assina também a iluminação ao lado de Gabriel Pederneiras, diretor técnico do grupo.

A criação dos figurinos ficou a cargo da dupla de designers Alva, os irmãos Susana Bastos, artista e estilista, e Marcelo Alvarenga, arquiteto. Foi a primeira vez que os dois criam para dança. “De acordo com a atmosfera da música e o desenvolvimento do balé, trabalhamos com os conceitos de natureza e tecnologia, ora em conflito, ora em harmonia”, explica Marcelo, que trabalhou como arquiteto com Freusa Zechmeister, falecida em 2024 - ela assinou os figurinos do grupo de 1981 a 2022. “Partimos da pesquisa sensorial e emocional e do léxico construído por Paulo e Freusa ao longo de tantos anos, que sempre acompanhamos”, completa Susana.

Partindo de uma cartela de cores terrosas, com detalhes em prata e em cores fortes, a dupla usa malhas justas como base, com detalhes sutis nos cortes e um leve enchimento nos quadris e nos ombros, tornando mais indistintas as figuras masculinas e femininas. “Vamos avançando nas transições do balé com uso de cores frias e de tecidos leves e transparentes como o tule e o crepe georgette, com acréscimos eventuais como uma meia diferente para fazer contrapontos fugazes”, continua Susana. Nas cenas finais, o prata domina.

 

6 a 10 de maio

Teatro Multiplan VillageMall

Quarta a sábado às 20h - domingo às 17h

classificação indicativa: livre

 

Ingressos: Sympla

R$25,00 a R$360,00

 

Plateia Vip central: R$360 inteira

Plateia Vip lateral: R$320 inteira

Plateia central: R$280 inteira

Plateia lateral: R$240 inteira

Preço popular: R$50 inteira

 

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

apresentado por: PETROBRAS

patrocínio: VIVO e VALE

realização: INSTITUTO CULTURAL CORPO, MINISTÉRIO DA CULTURA e GOVERNO DO BRASIL

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