[News] Planeta Pelúcia estreia no Sesc Consolação e encena a adultização das infâncias

 Planeta Pelúcia estreia no Sesc Consolação e encena a adultização das infâncias

Novo espetáculo da CASCA – Coletivo de Criação, com direção de Rodolfo Amorim e texto de Bruno Canabarro, propõe uma reflexão sobre solidão, consumo e produtividade, questionando até que ponto o desejo de crescer rápido compromete a plenitude da infância.

 

PLANETA PELÚCIA - FOTO Camila Rivero

 

Em cartaz de 11 de abril a 23 de maio, a peça acompanha a menina Pati em uma travessia entre o universo infantil e o mundo dos adultos.

 

Com uma importante pesquisa voltada às infâncias, a CASCA – Coletivo de Criação estreia o espetáculo Planeta Pelúcia, dirigido por Rodolfo Amorim. As sessões acontecem no Sesc Consolação entre os dias 11 de abril e 23 de maio, aos sábados, às 11h. Além disso, há uma apresentação no feriado do dia 1º de maio, sexta-feira, também às 11h.

 

O texto de Bruno Canabarro, que está em cena ao lado de Bruna Betito e Paula Spinelli, é centrado em Pati, uma menina de nove anos que deseja muito ser adulta. Ela acredita que somente assim será verdadeiramente vista e ouvida, acessando, inclusive, lugares proibidos para sua idade.

A peça investiga os desejos e impulsos das crianças na contemporaneidade, entendendo como ocorrem os processos de identificação e alteridade. O grupo busca fugir dos estereótipos comuns da infância, mostrando ao público que a curiosidade, a vontade de superar desafios e os desejos são inerentes ao ser humano, independente da idade.  

No entanto, se no primeiro trabalho, Aqui tem Vida Demais!, o coletivo retratava as crianças lidando com uma situação difícil, o luto, sem o suporte dos adultos, nesta segunda peça o foco está no atrito entre diferentes mundos. A proposta é estabelecer uma convivência que não seja colonizada pelas pessoas grandes, mas sim compartilhada.

Isso porque a obra reflete sobre a forma como os adultos podem menosprezar as experiências infantis, mesmo sem perceber, produzindo um desejo forçado de crescimento acelerado. Assim, o espetáculo busca refletir uma série de questões, como até onde pode ir uma criança sem que isso comprometa a plenitude da sua infância ou como conduzi-las em um mundo onde elas possam se desenvolver com segurança. 

“Embora a adultização seja o grande plano de fundo, durante o processo percebemos que a peça acabou sendo muito mais sobre a solidão dessas crianças da cidade que vivem praticamente fechadas em casa. Nossa protagonista se sente sozinha e usa a imaginação para criar diversos mundos. E assim surgiu a vontade de adentrar o universo dos adultos”, conta Amorim.

Sobre a encenação

Para alcançar seu objetivo, Pati se esforça para entrar no quartinho de bagunça dos adultos – um espaço interditado, carregado de mistérios e simbolismos. Quando finalmente consegue abrir a porta, “como efeito da magia que há nos desejos de criança”, passa a enxergar essa outra realidade. 

 

Nesse ambiente, a protagonista encontra documentos, memórias, responsabilidades, resíduos e, sobretudo, “segredos” que não foram ditos às crianças. E ele muda de tamanho: é planeta, é cidade, é sonho. É uma metonímia da mente adulta.

 

“Pati também entra em contato com as figuras da mídia nas mais diversas áreas, como os ídolos do esporte, os influenciadores de beleza, os coaches e até as crianças que se tornam famosas nas redes sociais dando dicas de empreendedorismo e religião, por exemplo. Quanto mais ela avança, mais a cabeça dela fica na lua. Ao mesmo tempo, ela perde a capacidade de se comunicar com seu grande amigo, o urso de pelúcia que a acompanha em todos os momentos”, acrescenta o diretor. 

 

Para mostrar todo o seu percurso por esse mundo, a obra conta com uma câmera ao vivo, que amplifica o que é encontrado em uma maquete. Há também o auxílio das projeções de Vic Von Poser, remetendo diretamente ao consumo exacerbado, e da música ao vivo executada por Demian Pinto e Gabi Queiroz, que estão vestidos de pelúcia e formam a Banda Telúrica. 

 

Em Planeta Pelúcia, a CASCA – Coletivo de Criação inventou a Síndrome da Adultopia: o “sonho-sem-graça” que acomete as crianças que desejam crescer antes do tempo. O diagnóstico vem de Traça e Cupim, bichinhos-leitores que estão no quarto dos adultos e devoram livros e palavras, atuando como dispositivos líricos que falam em pontuações e misturam metalinguagem com certo humor filosófico.

“As sociedades totalmente guiadas por produtividade, estética, autocontrole e consumo também moldam as crianças, o que estimula esse desejo de crescimento acelerado. Nesta peça, é a criança quem deseja. Por isso, o que muito me interessa na pesquisa é o que vemos como desobediência infantil. Os pequenos e as pequenas têm vontades próprias e, como nem sempre compreendemos isso, não abrimos espaço para o diálogo - simplesmente associamos à desobediência e à má educação. Eu gostaria que os adultos pensassem sobre isso enquanto assistem ao trabalho: em como podemos mediar as vontades infantis ao invés de simplesmente se impor”, comenta Bruno.   

Ao construir uma narrativa que é simultaneamente uma aventura infantil e um estranhamento adulto, a peça opera como espelho. Há momentos em que a comunicação entre Pati e os pais falha radicalmente. A incompreensão mútua torna-se física, sonora, quase coreográfica. Há força nessa descomunicação, até que pela dança e pelo brincar – não pela língua racional – a ponte se restabelece, como se um novo mundo nascesse.

 

A peça nos lembra que adultos também foram crianças, também perderam algo, também desejam retorno, também estão tentando brincar. Não há certezas únicas, como dizer que “ser criança é melhor” ou “os adultos estão certos”. A infância é lugar, não fase.

 

“Pati é jogada para esse mundo novo sem nenhum suporte e, quando ela tenta voltar à sua infância, já não consegue mais. Por esse motivo, acreditamos que o tal Planeta Pelúcia é um lugar de segurança e proteção, onde as crianças podem crescer asseguradas. E é justamente essa a nossa responsabilidade enquanto adultos. Paulo Freire já dizia, baseado num provérbio africano, que é preciso de uma comunidade inteira para educar uma criança. Então, estamos convidando os adultos a realmente olharem para as crianças ao invés de invalidá-las”, reflete o dramaturgo. 

 

Sinopse:
Planeta Pelúcia narra a história de uma criança que, ao desejar crescer antes do tempo, invade o quartinho de bagunça dos adultos, lugar onde ainda não deveria entrar. Lá dentro, mesmo sentindo que seu maior sonho foi realizado, algo bastante estranho toma conta de sua realidade, já que o mundo dos adultos é, digamos, peculiar. Assim, após chegar lá, ela terá que percorrer um longo caminho de volta à sua infância, reencontrando com a criança que, ao fim, nunca deixou de ser.


Ficha Técnica:

Dramaturgia: Bruno Canabarro

Direção e cenografia: Rodolfo Amorim

Elenco: Bruna Betito, Bruno Canabarro e Paula Spinelli

Direção musical e música ao vivo: Demian Pinto e Gabi Queiroz

Música original: Demian Pinto e Gabi Queiroz / Letras: Bruno Canabarro

Atores-contrarregras: Lucas Asseituno e Rafael Costa

Iluminação: Daniel Gonzalez

Videografia: Vic Von Poser

Figurinos e adereços: Felipe Cruz

Assistentes de figurinos: Asroba e Marcel Marques

Cenotecnia e objetos cênicos: Zé Valdir

Maquete cenográfica: Doideca no Papel - Marcela Falci

Bonecos e cabeção: Edson Gon

Identidade visual: Fernanda Zotovici e Gabriela Meyer

Preparação corporal e coreografias: Jhennifer Peguim

Voz em off: Alice Asseituno

Técnico de som: Maurício Caetano

Técnico de segurança: Sérgio de Souza (Boca)

Montador: Roberto Oliveira

Direção de produção: CASCA - Coletivo de Criação e Plataforma - Estúdio de Produção Cultural

Coordenação de produção: Fernando Gimenes

Produção executiva: Bruno Ribeiro

Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação

Administração: Victor Bittow

Fotografia: Camila Rivereto

Realização: SESC SP

Apoio: IBT - Instituto Brasileiro de Teatro, Teatro Estúdio e Armazém Grupo XIX de Teatro.

Agradecimentos: As Olívias, Alexandre Galindo, Daniel Pacheli, Dione Kramer Spineli, Elenir e Maurício Asseituno, Marluce Betito (em memória) e todas as pessoas, grandes e pequenas, que doaram suas pelúcias para a composição deste espetáculo.

 

SERVIÇO
Planeta Pelúcia
Data: 11 de abril a 23 de maio, aos sábados, às 11h | 1º de maio, sexta-feira (feriado), às 11h | Sessões com acessibilidade em LIBRAS:  dias 16 e 23 de maio
Local: Teatro Anchieta - Sesc Consolação - Rua Doutor Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo - SP
Ingressos: R$40 (inteira), R$20 (meia-entrada), R$12 (credencial plena) e grátis para crianças até 12 anos. A exibição do dia 16/5, às 11h, será gratuita. Os ingressos poderão ser retirados on-line no dia 15/5, a partir das 14h, ou nas bilheterias da unidade no dia 16/5, a partir das 9h.
É possível comprar os ingressos no site do Sesc SP ou nas bilheterias de qualquer unidade
Telefone: (11) 3234-3000
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos

 

Assessoria de imprensa (espetáculo): Canal Aberto Comunicação
www.canalaberto.com.br
Instagram @canal_aberto

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