[News] “IRMÃO CAFÉ: WILSON MOREIRA 90 ANOS” CELEBRA LEGADO DO MESTRE DO SAMBA EM TURNÊ PELO SESC RJ
“IRMÃO CAFÉ: WILSON MOREIRA 90 ANOS” CELEBRA LEGADO DO MESTRE DO SAMBA EM TURNÊ PELO SESC RJ
O projeto Irmão Café: Wilson Moreira 90 anos realiza, em 2026, uma circulação com quatro apresentações em unidades do Sesc no estado do Rio de Janeiro, celebrando o legado de um dos mais sensíveis compositores da música brasileira.
Protagonizado pela cantora Mariana Baltar, com direção musical de Josimar Carneiro e orientação artística de Paulão 7 Cordas, o espetáculo homenageia o saudoso Wilson Moreira, que completaria 90 anos em 12 de dezembro de 2026. A turnê é resultado do edital Sesc Pulsar, iniciativa do Sesc Rio.
Acompanhada por banda de formação regional (violão 7 cordas, cavaquinho, sanfona e duas percussões) e com participação especial do Jongo da Serrinha, Mariana Baltar constrói um espetáculo que atravessa diferentes camadas da obra de Wilson Moreira.
Para além dos sucessos consagrados, o repertório revela um compositor profundo, ligado às matrizes africanas e rurais, trazendo à cena jongos, calangos e outros batuques menos difundidos, mas fundamentais para compreender sua trajetória.
“Wilson Moreira compôs muitos sucessos, mas entendo que não recebeu o devido reconhecimento em vida. É preciso cantá-lo e reverenciá-lo”, afirma Mariana Baltar.
“Quando ele se foi, chorei como quem perde um farol. Me empenharei para trazer ao palco a beleza das suas músicas através da emoção que me toma ao lembrar da sua presença.”
Natural de Realengo, Wilson Moreira teve sua obra registrada por intérpretes como Elizete Cardoso, Clara Nunes, Zeca Pagodinho e Dorina, além da própria Mariana, que em 2010 gravou “Jongo do Irmão Café” (Wilson Moreira / Nei Lopes), canção que também inspira o projeto. Ao mesmo tempo, sua produção revela um universo mais amplo, que atravessa o jongo, o caxambu e outras expressões da cultura negra brasileira; dimensão que o espetáculo traz ao centro da cena.
A presença do Jongo da Serrinha, representado por Lazir Sinval, Deli Monteiro e CidaSantana, reforça esse elo com a ancestralidade. “O jongo carrega a força da roda, da comunidade e da espiritualidade — elementos que sempre atravessaram a trajetória de Wilson. É uma forma de honrar não só o artista, mas o território simbólico e afetivo que o formou”, destaca a cantora.
O repertório nasceu de um gesto íntimo: uma lista de músicas escrita em um guardanapo por Paulão 7 Cordas, durante uma conversa sobre a criação do projeto. A partir dessa memória, Irmão Café se constrói como um tributo que une afeto, pesquisa e recriação.
“O público vai encontrar uma história coletiva — de resistência, dignidade e sobrevivência, mas também de alegria e celebração da vida”, afirma Mariana.
A circulação por unidades do Sesc Rio amplia o acesso ao repertório e fortalece a difusão da cultura popular brasileira em diferentes territórios. “É também um movimento de descentralização, que possibilita que essa memória seja celebrada, reconhecida e continuada”, completa.
A diversidade é um eixo estruturante do espetáculo. Com interpretação em Libras, presença significativa de mulheres no elenco e equipe e a participação do diretor de produção Maury Cattermol, profissional LGBTQIAPN+ com grande trajetória reconhecida em prêmios, o projeto se constrói a partir de uma perspectiva inclusiva e coletiva. “A diversidade presente em Irmão Café foi, ao mesmo tempo, uma escolha consciente e um caminho que se revelou naturalmente ao longo do processo. A presença de mulheres no elenco e na equipe técnica, a interpretação em Libras, a participação do Maury e a força de músicos e diretores com mais de 60 anos de estrada não surgiram como ‘cotas’ ou ‘marcas de inclusão’, e sim como expressões vivas do próprio espírito do espetáculo. Era impossível falar de ancestralidade, de resistência e de comunidade sem que essas vozes estivessem ali, ocupando o palco e construindo a narrativa.”, conclui.
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