[News] “Christine Valença atravessa Brasil e França em ‘Sur Ton Île’, seu mais novo single”
“Christine Valença atravessa Brasil e França em ‘Sur Ton Île’, seu mais novo single”
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A cantora, compositora e multi-instrumentista Christine Valença apresenta “Sur Ton Île”, novo single que conecta Brasil e França em uma travessia musical marcada por encontros, movimento, memória e pertencimento. A faixa reúne a artista carioca com três nomes da cena francesa: o rapper Verso, o cantor e compositor Félicien Adam e o instrumentista Luazó. O resultado é uma colaboração internacional que mistura ritmos latinos, as línguas portuguesa e francesa, sensibilidades e paisagens sonoras distintas, criando uma música que fala sobre movimento, conexão, cultura e o desejo de atravessar fronteiras.
“Sur Ton Île” nasce como uma metáfora da viagem entre territórios e afetos. A mãe da artista, também cantora e compositora, morou na capital francesa nos anos 80 em uma residência artística, e aprofundou laços na cidade luz que reverberam em como Christine se entrelaça entre idiomas, culturas e sonoridades diversas. A canção propõe um encontro entre mundos: a poesia urbana de Verso, a sensibilidade de Félicien Adam e as paisagens instrumentais de Luazó, parceiro artístico há mais de uma década da artista, que dialogam com o universo musical de Christine, transitando com naturalidade entre o soul, a MPB, o folk e o pop alternativo.
O lançamento de “Sur Ton Île” também ganha uma dimensão visual. O single será acompanhado por um videoclipe gravado entre momentos de estúdio e imagens do Rio de Janeiro, revelando o processo criativo por trás da colaboração e conectando o ambiente intimista da gravação à energia vibrante da cidade. O resultado é um registro sensível de um encontro artístico que ultrapassa fronteiras geográficas.
A canção integra a nova fase criativa de Christine Valença em 2026, período em que a artista prepara um novo EP que aprofunda sua pesquisa musical ao realizar parcerias com artistas de diferentes territórios. “Sur Ton Île” reafirma a música como território de encontro, uma ilha imaginária onde idiomas, trajetórias e culturas se conectam.”
Entrevista com Christine Valença
1) “Sur Ton Île” conecta Brasil e França de forma muito sensível. Como surgiu essa colaboração com Verso, Félicien Adam e Luazó, e o que cada artista trouxe para a construção da faixa?
Tudo surgiu de um bom momento que eu estava passando no início de 2025, depois de alguns shows na Europa, em que me conectei com vários artistas incríveis durante essa passagem por lá. A possibilidade de fortalecer realmente essas conexões cresceu com uma inscrição que fizemos para o Ibermusica, e foi ganhando mais contorno com as primeiras notícias que deram oportunidades para artistas locais no ano do Brasil na França, em editais do governo, que aconteceu no ano passado.
Esse cenário me empolgou bastante, e por minha mãe já ter tido um histórico bem sucedido em uma residência na França há décadas atrás, e eu conhecer alguns músicos por lá, como o Luazó, grande guitarrista, me deixou de antenas ligadas para o que podia surgir. A chance veio com o interesse da French Light Records em colaborar com um single em parceria comigo, e assim tudo foi ganhando sentido.
O Félicien foi o primeiro artista a entrar na colaboração, e tínhamos apenas um fim de semana na França para gravar a canção em estúdio, sem nos conhecermos pessoalmente, e sem nenhuma pista do que seria feito, nem troca prévia de qualquer ideia musical. Essa foi a proposta que a FLR me fez. Uma espécie de blind-date artístico (risos). Com essa proposta que me assustou a princípio, chamei o Luazó para estar conosco na empreitada. Conheço seu trabalho desde 2014, em outra residência que fiz na sua antiga companhia de teatro, que era minha paixão, e veio ao Brasil por um mês a convite do SESC Consolação. Foi então de fato minha consolação. Saber que eu tinha um músico feroz de influência latina, e grande amigo, francês que falava português fluente, era um porto seguro dentro do ambiente que eu tinha para trabalhar e ser criativa, cercada de homens francófonos que eu nem mesmo conhecia. Foi assim que a canção conseguiu ganhar forma - me lembrando do meu país, da nossa cultura esplendorosa, radicalmente fraterna, e essa canção traz essa mensagem, doce e otimista na medida, com grande inspiração nas Flores do Mal do Baudelaire e em Ideias para Adiar o Fim do Mundo de Ailton Krenak, que foram os livros que levei para o estúdio para me guiar nessa empreitada.
2) De que forma essas experiências internacionais influenciam sua identidade musical?
As experiências são na realidade fugas bem sucedidas para manter meu ofício como foco de constante exercício, e um ambiente possível de erros e acertos, respirável, em que posso experimentar repertórios, me desafiar mais, interagir com plateias diferentes, ganhar fôlego - uma fuga de uma realidade espinhosa que vivemos enquanto artista e cena alternativa no Rio de Janeiro. Temos uma cena muito bem delineada em São Paulo, e tenho sido feliz nas minhas idas e vindas por lá. Mas não é simples uma artista solo carioca, que ainda não tinha um reconhecimento, sustentar uma carreira só com shows em outras cidades. Em muitas vezes ainda no início da minha carreira, fui levada a acreditar que eu só conseguiria mostrar meu repertório autoral para o público da minha cidade, investindo uma grana que não fazia sentido naquele momento. Eu não tinha estrutura, nem nenhuma equipe comigo, os tempos são hostis mesmo. Foi então que tive a decisão de marcar meu primeiro show em Lisboa, sozinha. Que pelo bem ou pelo mal, foi um grande acerto, de direcionamento. Eu interagi com um público caloroso, receptivo e acolhedor da minha identidade musical, o que me fez me manter constante, criando mais canções aqui, que é meu propósito.
3) Qual é a principal mensagem ou sentimento que você deseja provocar no público com esse lançamento?
Esse lançamento foi um grande desafio que me propus, que foi ganhando proporções maiores ao passar do tempo, uma grande homenagem à parcerias inusitadas, a sair da zona de conforto, ao trajeto artístico da minha mãe - que sempre foi uma ode à independência - e a mensagem que me traz é a de nos mantermos aprendendo, curiosas, carinhosas com a nossa jornada, aprendendo sobre a cidade, os mecanismos dela, aprendendo sobre ser criativa, sobre compor, sobre sair da bolha que as redes nos aprisiona, essas chamadas Câmaras de Eco, que só repetem o que queremos ouvir, nos dizendo que estamos certas ou certos, e se propor outras formas de levar a vida - mas de uma maneira leve, proveitosa.
4) Como “Sur Ton Île” se conecta com o seu próximo EP e o que podemos esperar dessa nova etapa da sua carreira?
Estou em especial muito animada também com o EP autoral que está a caminho, e Sur Ton Île é esse single em que me vi nesse processo de me apropriar mais do meu jeito de compor, ter conhecido outros artistas no momento de processo de criação, tudo isso me aproximou mais do que eu quero trazer musicalmente, e serviu como motivação para novas experimentações. É desse motor que a gente se nutre, de parcerias, de vitalidade emocional, de reconhecer a potência que é a música brasileira, de entender como ela funciona em outros ouvidos, acostumados com outro tipo de música. Tudo isso vem como inspiração para o próximo trabalho.
Ficha Técnica:
Audiovisual
Filmagens: Louis Émilie e Christine Valença
Edição/Finalização/Cor: Matheus Maia
Créditos: Matheus Maia
Locação: Estúdio Loft 64 Paris
Cover Art: Christine Valença e Bruno Bellini
Produção Musical
Produção Musical e Mix: Julien Priam
Autores e Intérpretes: Christine Valença, Verso, Félicien Adam e Luazó
Arranjo: Luazó
Guitarra e Baixo: Luazó
Master: Julien Priam
Estúdio: Loft 64 Paris
Produção Artística
Agência: MÒSS
Marketing Digital/Mídias Sociais: Buzz Co.
Selo: YB Music/Selo Concha
Distribuidora: FUGA/Downtown Co.
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