[Eventos] Última edição da temporada do Disconcertos destaca a força da música como instrumento de diálogo e memória

 

Foto de Luan Guerra

A última edição da temporada do Disconcertos foi realizada na terça-feira (26), no Instituto Nise da Silveira, em parceria com o Loucura Suburbana. O encontro reuniu frequentadores e usuários da rede de saúde mental em uma edição especial marcada pela escolha de músicas que fazem parte das trajetórias pessoais dos participantes.

Idealizado por Dodô Azevedo, o Disconcertos propõe uma experiência que vai além da audição musical. A partir dos discos escolhidos pelos convidados, o projeto promove conversas sobre memória, cultura, identidade e vivências pessoais, transformando a música em ponto de partida para a troca de experiências e a construção de conhecimento coletivo.

Entre os destaques da tarde esteve “Fera Ferida”, de Maria Bethânia, escolhida por Yda. Ao apresentar a canção, ela compartilhou parte de sua trajetória de vida e explicou como a música dialoga com sua história, marcada por desafios e processos de superação. Segundo ela, a canção representa sua capacidade de seguir em frente sem negar as marcas deixadas pelo passado.

Outra participação que chamou atenção foi a de Elizama, que escolheu “Pai”, de Fábio Jr. Durante a conversa, ela falou sobre a ausência da figura paterna em um período importante da vida de seu filho e sobre como essa experiência contribuiu para fortalecer sua relação com ele. Elisama destacou ainda a importância das redes de afeto construídas ao longo do caminho e afirmou que a experiência contribuiu para seu amadurecimento como mãe.

A sequência contou com a participação de Ricardo, filho de Elizama, que escolheu “Angel”, de Jon Secada. A música trouxe lembranças de momentos vividos em família e serviu como complemento ao relato apresentado anteriormente por sua mãe, evidenciando a relação de parceria construída entre os dois ao longo dos anos.

O encerramento da edição aconteceu com “Vai Passar”, de Chico Buarque, escolhida por Jairo, outro integrante do grupo. Ao justificar sua escolha, o participante destacou a mensagem de esperança presente na canção e refletiu sobre a importância de acreditar na superação das dificuldades cotidianas.

Ao final do encontro, Dodô Azevedo celebrou o encerramento da temporada e destacou o significado especial da parceria com o Loucura Suburbana.

“Esse encerramento foi um sonho. Eu frequento o Loucura Suburbana, acompanho as atividades do projeto e sempre admirei o trabalho realizado aqui. Há muito tempo eu queria construir uma parceria como essa. Encerrar a temporada do Disconcertos com os frequentadores e usuários da rede de saúde mental, ouvindo suas histórias e compartilhando esse espaço de troca, foi algo apoteótico.”

Além de marcar o encerramento da temporada, a edição reforçou a proposta do Disconcertos de ampliar o diálogo entre cultura, memória e participação social, aproximando diferentes públicos por meio da música e das histórias que ela ajuda a contar.

Realização e divulgação: Sheila Gomes por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS, com o patrocínio da Serede e da Prefeitura do Rio de Janeiro/SMC.





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